Marketing pesado
O presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, esteve nesta última semana na ONU em Nova York, na Cidade do México e em Havana. Por onde passa, publica uma imagem de um novo Brasil, que está evoluindo desde sua posse. Tenta demonstrar que o país é um bom lugar pra se investir, que já não somos tão submissos às grandes potências, que temos opinião própria e muito a colaborar com novas idéias para uma melhoria geral nas relações internacionais entre os países.
Isso já lhe traz muitos dividendos, pois muitos governantes e líderes mundiais já admiram seu discurso, o aplaudem e o estimulam a cada vez mais introduzir uma nova mentalidade na diplomacia internacional, ainda mais agora que o Brasil pleiteia um aumento do número de cadeiras no conselho de segurança da ONU, mesmo ainda que este conselho de segurança já não tem o poder e a credibilidade tão em alta. Exemplo disso foi a invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Nem votos contrários de grandes potências como a Rússia, Alemanha e França conseguiram impedir as ações de guerra americana. Me pareceu que somente um embate militar sem precedentes, poderia persuadir o Pentágono.
Mas essa empolgação que o marketing ''by Duda Mendonça'' bem planejado produz, parece que criou um revés nesta última passagem do nosso presidente pela ONU. A atitude de Lula em doar US$ 55 mil do seu próprio bolso, além dos US$ 1,6 milhão arrecadados junto a multinacionais ao Fundo Internacional Contra a Fome, poderia até ser compreendida como louvável, se não tivéssemos nos quintais do nosso país tantos necessitados e tantos desprotegidos, que o programa Fome Zero ainda não conseguiu nem ao menos diminuir sua aflição quanto à falta de comida em suas panelas.
Esse dinheiro resolveria o nosso problema doméstico da fome? Não, mas essa doação feita internamente serviria como um ótimo exemplo e estímulo para outros terem a mesma atitude. Somente juntando doações de um número cada vez maior de concientizados, é que vamos poder ter uma melhor distribuição de alimento aos que, por enquanto, não conseguem obtê-lo com seu trabalho.
WALTER A. MURAD (biomédico) - Londrina

O respeito que se foi
Os bandidos queriam roubar a renda de um bingo beneficente. Como não encontraram dinheiro na quantidade que queriam, sequestraram dois padres, degolaram um deles, esfaquearam e feriram gravemente o outro.
Ainda bem que a Polícia de São José dos Campos (SP), num trabalho intenso e eficiente, prendeu um suspeito e identificou os outros (segundo os delegados Roberto Monteiro de Andrade Jr. e Agnaldo Fracarolli, mais prisões devem ser feitas nas próximas horas). Mas quando, há não muito tempo, imaginaríamos que alguém teria a audácia de atentar contra padres?
No Brasil, tradicionalmente, o padre sempre mereceu um respeito especial. Nem os piores bandidos ousavam desrespeitá-los. Furtar algo de um padre era dificílimo; maltratá-lo fisicamente, impensável.
Este talvez seja um dos problemas mais sérios da segurança: os bandidos perderam o respeito. Religiosos, senhoras, velhinhos, crianças, bebês, para estes criminosos ninguém tem valor - e a vida humana também não lhes inspira qualquer respeito. Se houver alguém no seu caminho, a melhor maneira de afastá-lo é o assassínio, e não importa quem seja.
Além das discussões normais sobre segurança, talvez seja o caso de abrir uma nova frente de trabalho: a retomada dos freios morais, pela educação. Isso engloba um trabalho multidisciplinar, que envolva toda a sociedade - e, ao menos aparentemente, nada disso está sendo providenciado.
ABRAHAM SHAPIRO (empresário) - Londrina

Direitos do Idoso
Desde pequena aprendi com a minha mãe, que errar é humano, que todos nós estamos sujeitos a isto. Porém, persistir no erro é irracional (desumano). Mas, infelizmente, nem todos comungam desta mesma idéia: exemplo disto foi o que ocorreu durante a 2 Conferência Municipal dos Direitos do Idoso realizado em Londrina, dia 27 de agosto.
A comissão organizadora do evento, não percebendo, formulou as cédulas para a eleição dos novos conselheiros de maneira que possibilitou às pessoas (delegados) votarem duas vezes para o preenchimento da mesma vaga. Com isto, um dos concorrentes que pleiteava uma vaga pela sociedade civil, e que havia ficado como suplente, viu-se prejudicado e recorreu aos seus direitos.
Entremeio a isto, percebeu-se um outro erro: isto é, a pessoa que disputou esta mesma vaga, não poderia ter disputado, pois a mesma estava representando uma instituição pública, e a vaga era para a sociedade civil. Assim sendo o conselheiro que havia sido prejudicado resolveu seu problema, ganhando a titularidade.
O caso foi levado ao conhecimento do CMDI (Conselho Municipal dos Direitos do Idoso). Então, como ainda conselheira, sugeri que se reparasse os erros (duplicidade e inelegibilidade) e se fizesse uma outra eleição, para que os demais concorrentes tivessem os mesmos direitos. Porém, a comissão organizadora ressaltou que a comissão eleitoral é soberana e já tinha dado o caso por encerrado. Insatisfeita com a resposta, questiono: se assim é, o que faz um Conselho, sendo este um órgão deliberador e fiscalizador? Um erro, não justifica outro.
ALTINA GOUVÊA (conselheira dos Direitos do Idoso) - Londrina

Correção
- Ao contrário do que a Folha publicou em sua edição do dia 29 de setembro, na reportagem ''Fim de semana violento na região de Londrina'', o Jardim Maracanã está localizado na zona oeste da cidade.

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