Efeito insufilm
Insufilm (película que, colocada em vidros, escurece-os, tornando difícil qualquer identificação de fora para dentro, porém, permite perfeita visão de dentro para fora), pelo que parece, é o artefato cuja função vem melhor se adequando às performances da atual administração municipal. Especialmente naquelas em que o ''faz de conta'' precisa ser bem representado, para que o povo não descubra a encenação.
Senão vejamos: num passado recente, o atual secretário estadual de meio ambiente, desligou-se do cargo municipal que então ocupava, e logo depois a pessoa por ele indicada para permanecer naquele posto, igualmente retirou-se, criando um clima (noticiado pela imprensa) de rompimento com o prefeito. Pouco tempo depois, vem à tona um franco desentendimento acerca do eventual lago da região norte, em que o sr. secretário estadual de meio ambiente troca farpas com a administração municipal, expondo convincentemente, uma rota de colisão de interesses. Some-se a isso, as especulações constantes sobre a possibilidade de o sr. secretário estadual de meio ambiente vir a ser candidato a prefeito nas eleições de 2004.
Isso é o que ''os de fora'' conseguem enxergar, pois, é o que foi mostrado (ou encenado?). Agora, com o recentíssimo (e esquisitíssimo) episódio da queda da diretoria da Sercomtel, vem à tona que ''os briguentos'', na verdade, estão bem juntinhos, pois, segundo o noticiado pela imprensa local, o conselho daquela empresa é constituído por, ao menos, duas pessoas indicadas pelo secretário de Estado que vem sendo cogitado para tomar o lugar do atual prefeito.
Ainda segundo as notícias a respeito das demissões na Sercomtel, os conselheiros indicados pelo secretário de Estado de meio ambiente parecem ter sido agentes ativos da situação que colocou o já ex-presidente da empresa na berlinda. O prefeito, por sua vez, sequer cogitou defender seu companheiro de partido, demitindo-o antes mesmo da oportunidade de apresentação de defesa formal. Não se pode observar nesse contexto, uma demonstração do que se poderia chamar de lealdade.
Contudo, o que surpreende é perceber o efeito insufilm, pelo qual, ''os de dentro'' permanecem bem unidos, sem que ''os de fora'' percebessem, pois, acreditava-se que estavam desligados e preparando-se para enfrentarem-se num futuro próximo. Vamos aguardar pra ver o que isso vai virar, e que cheiro vai exalar.
MARCOS COLLI (advogado) - Londrina

Areia x saúva
O secretário estadual da Agricultura, Orlando Pessutti, esteve em Nova Esperança para lançar o programa de combate à formiga saúva, a chamada cortadeira. Aproveito o momento para sugerir a proposta do uso da areia retirada dos rios, que depois de seca, devem encher os sauveiros, entupindo todas as galerias. Isso já foi feito no sítio do Jurandir Foletto em Santa Isabel do Ivaí. Essa operação deve ser repetida. As saúvas morrerão por asfixia e as que ficarem fora dos sauveiros serão devoradas pelos poucos pássaros que ainda teimam em sobreviver numa região cuja cobertura florestal foi deitada abaixo de forma irracional nos últimos 50 anos, por força da ganância e da falta de informação dos colonizadores que não respeitaram sequer as margens dos rios.
A proliferação da saúva é resultado justamente da ausência dos seus predadores naturais, os tamanduás, os pássaros, que foram desalojados dos seus hábitats. Há agora que se gastar com produtos químicos, desgraçando ainda mais o meio ambiente. Mas, quem se importa com a preservação da natureza quando o que realmente interessa é o lucro imediato e a qualquer custo, mesmo o do comprometimento da qualidade de vida das crianças de agora e de suas descendências. ''Eles que se virem, como eu me virei'', foi o que ouvi de um fazendeiro, durante uma palestra onde eu falava sobre a tristeza que abateu Reinhardt Maack quando voltou ao Paraná e encontrou ''capoeiras onde existiam florestas de araucárias''.
PARREIRAS RODRIGUES (funcionário da Suderhsa) - Curitiba

Previdência
Não podemos falar em Previdência sem nos reportar ao passado. A primeira manifestação oficial ocorreu em 1923 com a chamada ''Lei Eloy Chaves'' destinava-se ao atendimento dos empregados nas estradas de ferro. Em 1926 houve a criação de Caixas de Aposentadorias e Pensões por empresas. O que não prosperou, dando lugar a partir de 1930 à criação dos IAPs, IAPI, IAPB, etc., ao todo seis institutos.
Com o governo da revolução chamando para si a incumbência de uma proteção social mais ampla, em 1966 houve a fusão dos institutos, nascendo aí o INPS-Instituto Nacional de Previdência Social, transformando-se em 1990 no INSS-Instituto Nacional de Seguro Social.
Nessa trajetória, os governos se valeram do dinheiro da Previdência, até então superávitaria, para se auto-financiarem. É preciso lembrar que haviam nesses institutos um serviço atuarial, que foi eliminado, porque não interessava aos governos da época. A idéia sempre foi de um sistema auto-sustentável, ou seja, de capitalização. Porém, diante de sucessivos planos econômicos e da ingerência dos governos, não há como dissociar os recursos previdenciários do próprio governo.
Fica difícil nos dias de hoje dizer que a Previdência Social é sustentada pelos trabalhadores que estão em atividade, uma vez que os aposentados já contribuíram com a sua parte. Talvez os atuais governos, para fugir de suas responsabilidades queiram que essa idéia prevaleça. Contudo, se o dinheiro da Previdência não fugiu para outros países, ele está aí em algum canto, dentro do Brasil. Basta que o governo com o poder que tem, vá buscá-lo.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina

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