CARTAS
Projeto de vida
Interessante reportagem ''Projeto de vida'' publicada na Folha de Londrina no último domingo. A reportagem tentou estabelecer uma correlação entre o passado, presente e futuro. O que foi ontem não será hoje, e o que é hoje não será amanhã. Com essas palavras alguém definiu o quanto difícil é a vida, que para se chegar a um patamar razoável tem que se ralar muito. Alguns dizem que no passado era mais fácil, menos concorrido, outros acham que os recursos tecnológicos do presente permitem maior progresso. O fato é que o desemprego continua assustando muita gente, e numa economia de mercado vencem os melhores.
Antigamente o rapaz que almejava estabilidade na vida procurava ser aprovado nos concursos do Banco do Brasil. Na iniciativa privada detinha um certo status quem era gerente das Casas Pernambucanas. Contudo, havia o tradicional funcionário de carreira. Entrava-se numa empresa sempre pela menor função e conforme a desenvoltura do empregado, depois de muitos anos, poderia chegar até a gerência.
Existem ainda muitas empresas que trabalham nesse sistema. Todavia o que prevalece hoje são os chamados executivos, que já entram em postos-chaves das empresas, neles permanecendo até que novas ofertas lhes são oferecidas. Migram com facilidade. Estão o tempo todo a desafiar o seu próprio destino. Não há tempo para a família, e essa conturbada situação está longe de ser um projeto de vida. Realmente precisamos parar para repensar a nossa história.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina
Show em Curitiba
Progredimos, é verdade, ao acatar laudo dos bombeiros que impediam a realização de um show em Curitiba na última sexta-feira. Falta, porém, aprendermos mais: ouvi na sexta-feira, por volta do meio-dia, os apelos desesperados de um oficial da PM em uma rádio de Curitiba para que as pessoas não fossem até o local; para que a imprensa divulgasse o cancelamento do show.
Faltou, então, só autorizar a venda de ingressos após vistoria das autoridades (técnicas) responsáveis. Talvez assim as muitas pessoas (algumas até de outras cidades) que se movimentaram para ver o show não sofressem o constrangimento de até lá ir ou mesmo ter que procurar a empresa, agora, para ressarcimento do valor respectivo. Que os ambulantes não tivessem, também, que agora procurar quem lhes vendeu espaço antecipadamente para recuperar o dinheiro investido.
Evitar que a mercadoria destes trabalhadores, talvez até já comprada, seja agora um problema menor, é claro, do que as consequências de eventual situação de pânico no local. Ainda que evitada a realização somente na data programada para o show, a atuação dos envolvidos merece nota e aplausos.
SERGIO R. MALUF (estudante) - Curitiba
Matas ciliares
Parabéns ao secretário de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, que didaticamente e, até com precisão, mostra nosso quadro ''ambiental'' no artigo ''Homenagem póstuma ao pinheiro-do-Paraná'', publicado no último domingo pela Folha. Já demos nossa colaboração e enviamos a seguinte sugestão: doar, fazer a preço de custo ou agilizar financiamentos superacessíveis para o pecuarista adquirir cercas e palanques para cercar as margens dos rios que banham suas terras, para que o gado não pastoreie e a mata se recomponha, segurando o assoreamento, agrotóxicos, voltando a vida da flora, fauna e peixes. Não há outra maneira. Os agricultores que não plantem nas margens dos rios, respeitando o que diz a lei, replantando onde está degradado.
JACINTHO TIZIANI JUNIOR (vereador) - Goioerê
FHC e Lula
No período da chamada guerra fria o mundo estava dividido ''maniqueisticamente'' em países livres (''do bem''), onde se incluíam os Estados Unidos, é claro, e países da cortina de ferro (''do mal''), que era o mundo comunista. Nesse período circulava uma piada de que num encontro entre Chu En Lai (1º ministro da China Vermelha e descendente de nobres) e Stálin (1º ministro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e ex-ferroviário), este comentou com aquele que eles, apesar das várias divergências, tinham algo em comum. Chu En Lai retrucou de imediato dizendo que de fato o tinham, pois ambos haviam traído suas classes.
FHC e Lula também têm algo em comum, um já esteve presidente e o outro está. FHC sempre teve um discurso de esquerda, mas no fundo sempre foi um bom burguês e não traiu a sua classe. O Lula também sempre teve um discurso de esquerda, mas está traindo o povo brasileiro.
As posições fascistas que deputados, ministros e Lula têm adotado não são novidades, quando se olha o passado da esquerda, mas arrepiam. No último parágrafo do livro ''A Revolução dos Bichos'', de George Orwell há um período bem esclarecedor: ''As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco.''
UESLEI TEODORO (professor) - Maringá
Agradecimento
Em nome da família Funari, agradecemos a reportagem sobre a carreira esportiva de nosso pai, Dirceu Funari. Ficamos emocionados e sensibilizados com a homenagem prestada na reportagem sobre o Comercial, de Cornélio Procópio, domingo último na Folha Esporte. Parabéns ao jornalista Thiago Mossini.
MARIA LIDIA FUNARI PIMENTA (professora) - Cornélio Procópio





