Agricultor x indústria
É o momento oportuno para se discutir um assunto de interesse da coletividade, principalmente quando o horizonte de uma safra agrícola que cresce na média 20% ao ano vislumbra todos os setores da economia, fazendo com que a balança comercial nos mostre o quanto é importante o volume da cadeia do agronegócio. Não que outros setores deixem de ter seu valor, pelo contrário, o que vale é o conjunto em si, como a formação de uma orquestra, orquestra esta em que o maestro jamais deve esquecer do carro chefe da boa música.
É chegado a hora da indústria se aproximar mais do agricultor. Exemplo disso é o que está acontecendo com a Sadia, que garante um preço-base mínimo do milho ao produtor viabilizando a cultura a seus integrados. Com a abertura das informações na imprensa é difícil que esta aproximação não se consume, pois o mercado que antes era restrito a poucos especuladores, hoje está escancaradamente aberto. Ainda encontro empresas que tentam de todas as maneiras explorar e distorcer o mercado em benefício próprio, principalmente os grandes grupos, deixando o produtor em situação de empregado e não de fornecedor.
A reação está vindo de forma imediata. Veja os armazéns que estão sendo construídos nas propriedades, o agrupamento de produtores para melhorar o poder de barganha, estimulados pelo poder de oferta e procura para venda em momento oportuno de mercado que nem sempre se encontra quando tem a mercadoria presa em depósito. O agricultor não precisa de condições comerciais excepcionais, mas sim justas, onde seus custos estarão cobertos preservando uma pequena margem.
YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá

Se você fosse Deus?
Qual seria a minha primeira decisão ao assumir o cargo de Deus? Não parece difícil responder essa proposição, mas preciso admitir que os artigos publicados no Espaço Aberto, conseguiram, no curto espaço de uma semana, fazer-me acreditar que existem, simultaneamente, dois cargos de Deus, completamente incompatíveis entre si.
De acordo com a tese escrita por Valdir José Martins (15/9), se pudesse assumir o cargo de Deus, não seria necessário decretar a cessação das aflições da humanidade (''miséria, desamor, injustiça, doença, guerra e morte''), pois Deus, que é a inteligência suprema do universo, já decretou isso nas suas soberanas leis. Logo, se elas já vigem (apesar de não terem eficácia na vida material), dificilmente eu conseguiria quórum para revogar essas disposições.
Por outro lado, na antítese escrita por Antônio Carlos de Carvalho (18/9), passei a achar que, por ser um pecador nato, jamais poderia desempenhar as elevadas atribuições do cargo. De fato, conforme suas palavras, ''quando Adão e Eva pecaram, a raça humana herdou o pecado, tornando-nos todos separados de Deus''. E tem mais. Afirma que ''todos pecaram e, por consequência, o salário do pecado é a morte''.
Considerando que só existem esses dois cargos de Deus, e tão-somente, provavelmente iniciaria pelo segundo, e a primeira coisa que decretaria era que ninguém seria considerado pecador sem ao menos ter direito à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Também aboliria qualquer pena de morte. Desse modo, poderia exercer as funções sabendo que errar é humano, e não imposição divina. E que há proporcionalidade na pena, segundo a culpabilidade de cada um.
Feito isso, poderia pedir demissão do cargo e, assim, ingressar no primeiro deles. Lá as leis já existem, bastando executá-las. Logo, sendo todos os homens iguais perante a lei, competiria a cada pessoa evoluir em busca da perfeição, construindo um mundo melhor, de preferência segundo os ensinamentos de Jesus Cristo. Porém, sempre se utilizando da razão e do bom senso, consequências do nosso livre arbítrio. Assim, cada pessoa poderá, sim, um dia ser Deus, abreviando os sofrimentos humanos.
ANDRÉ VINICIUS MELATTI (bacharel em Direito) - Londrina

mockup