CARTAS
Córregos e poluição
Andando pelas margens de alguns córregos de Londrina, deparei com uma imagem caótica, suas margens com muito lixo e com pouca proteção vegetal, em alguns pontos leitos assoreados pela grande quantidade de lixo - lixo esse que, levando em consideração a devida proporção, é de dar inveja a muitos aterros sanitários e lixões por aí - e de terra que desce dos barrancos desprotegidos, degradado pela ação irresponsável do homem. Esses córregos, se comparados ao homem, não têm mais razão de viver: depredados, machucados, agonizando pela baixa oxigenação e com suas nascentes completamente degradadas.
Peixes?...que peixes! Nem o cascudo, que é uma espécie que suporta baixa oxigenação da água, se encontra mais. Em alguns pontos observo descarga clandestina de esgoto de médio e pequeno porte que trazem como consequência o mau cheiro, a proliferação de mosca, baratas, pernilongos, etc. Em outro ponto observo ações irresponsáveis, homem lavando um equipamento usado na agricultura para pulverização de agrotóxico e mais uma descarga, dessa vez uma substância azulada que parece um corante. Mas para a minha surpresa, mesmo com toda essa carga poluidora, os córregos em alguns pontos ainda respiram, parecendo que querem nos dizer alguma coisa.
ANTÔNIO TEIXEIRA FERRAZ DA SILVA (estudante) - Londrina
Atestado de miséria
Sou mãe de uma criança especial, de 2 anos, minha única filha. Já tentei por 3 vezes receber o benefício que a Constituição garante às pessoas com necessidades especiais, mas esbarro sempre nas entrelinhas (talvez possa dizer assim) que a Previdência usa para dizer que para se receber o benefício, a renda per capta deve ser de R$ 50,00. Como uma família de 3 pessoas, como é o meu caso, pode viver com R$ 150,00? Ou seja, além de sofrer com o preconceito que infelizmente ainda existe em nossa sociedade, eu tenho também que apresentar um atestado de miséria! Mais uma humilhação para poder ter esse benefício. Na realidade, a constatação de sua necessidade como portadora de deficiência já deveria ser mais que suficiente.
Na verdade, já que o SUS (Sistema Único de Saúde) não é capaz de dar um atendimento diferenciado para estas pessoas, e muito menos para qualquer outro indivíduo comum, elas deveriam ter como pagar por um plano de saúde e como comprar seus remédios sem humilhação.
O grande desafio é mudar na Constituição brasileira essas ''entrelinhas '' para que todas as pessoas especiais possam receber o benefício e fazer com que nossos filhos vivam mais dignamente.
CLEONICE MENDES MARINELI SILVA (operadora de telemarketing) - Londrina
Ao mestre sem carinho
Não ficamos surpresos com a matéria ''Ao mestre sem carinho'', publicada no dia 31/8, pela Folha de Londrina, na qual o presidente do Conselho Tutelar, Valdir da Silva, estimula as atitudes sem limites dos alunos nos estabelecimentos de ensino, uma vez que por várias oportunidades nossa escola não pode contar com este órgão.
Repudiamos, porém, a visão equivocada do sr. Valdir da Silva, que escudado em sua função, extrapola até mesmo seus limites, vindo a público agredir o próprio sistema de ensino e a comunidade escolar. Indagamos, então, por que esse senhor que se intitula professor, mas passa longe de ser considerado educador, não aproveita suas ''brilhantes'' teorias e volta às salas de aula para coloca-lás em prática?
Os educadores desta escola, que apesar das mãos atadas, sempre estiveram de coração aberto, se comprometem, com a mesma responsabilidade como cumprimos nosso dever, orientá-lo a ensinar limites às crianças e adolescentes sem que seja necessário ignorá-los.
Uma vez que não será ignorando a violência e o desrespeito que conseguiremos formar cidadãos justos, honestos e éticos que respeitem as pessoas, o patrimônio público e os profissionais, não só da educação, mas de todos os segmentos da sociedade, inclusive conselheiros tutelares.
ANA LUISA MONTENEGRO NICONTCHUK, MARLENE DE ALMEIDA, NEUSA DE CASTRO OLIVEIRA E ANA MARIA MARTINS RODRIGUES (professoras do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches -outros 41 docentes assinam a carta) - Londrina





