CARTAS
Sono é essencial
O sono é essencial à restauração física e mental do organismo e portanto, essencial à vida. Efetivamente, não dá para não dormir, tanto que a falta de sono crônica e completa acaba por provocar a morte (em estudos realizados em roedores) e em se tratando de seres humanos, quem dorme mal morre mais cedo. A sonolência, cansaço e irritabilidade durante o dia e o risco potencial de acidentes após uma noite mal dormida já são motivos mais que suficientes para dormir bem.
Considerando a importância de tais fatores, é de se esperar a valorização do bom sono por parte de pessoas que trabalham com a saúde. Até quem escreveu o Código de Trânsito Brasileiro sabe disto, tendo em vista a previsão de multa para o fato de simplesmente buzinar próximo a um hospital.
Entretanto, aparentemente alguns enfermeiros e/ou auxiliares de enfermagem que trabalham no Hospital Universitário (H.U.) de Londrina faltaram à aula no dia de aprender o assunto e sequer suspeitam que o bom sono do paciente é extremamente necessário, ou muito pior, sabem, porém ignoram completamente o fato.
Relato isto após passar uma noite (25 para 26/8) recuperando-me de uma cirurgia no HU e sentir-me como se estivesse deitado no meio da Avenida Paulista em São Paulo no horário do ''rush''. Não estou me referindo a ruídos de atendimento a pessoas internadas sofrendo e com dor, o que, além de compreensível é altamente louvável. Refiro-me a conversas diversas em altíssimo tom, risadas esdrúxulas, porta de armários se abrindo e fechando ruidosamente sem o mínimo cuidado com quem deseja (e, mais do que nunca, necessita) dormir, transformando a necessidade básica de qualquer pessoa, aliada muitas vezes ao extremo desconforto da dor, uma tormenta absurda. Imagino a desventura de quem necessita de tempos prolongados de internação, como se não bastasse o sofrimento da doença em si.
Não desejo com esta carta denegrir a retidão do HU. Não há dúvida de sua enorme importância para a população de Londrina e região, com atendimento de qualidade, gratuito e sem distinção de classe social. Portanto esta crítica deve ser vista como construtiva, pois há o que melhorar, mesmo em se tratando deste grande hospital com seus préstimos à sociedade.
JOSÉ LUCIANO TAVARES DA SILVA (professor) - Londrina
'Ao mestre sem carinho'
Quero deixar meu repúdio ao sr. Valdir da Silva, presidente do Conselho Tutelar 1 de Londrina, que deu entrevista à Folha de Londrina na edição do último domingo (''Ao mestre sem carinho''). Na opinião do referido senhor (se é que já ficou em sala de aula algum dia), o professor deve ignorar quando receber agressão verbal do aluno, como se o mesmo não fosse um ser humano. Quando uma escola encaminha um aluno ao Conselho é para conseguir ajuda na recuperação do mesmo. Caso contrário, não haveria a necessidade de tal órgão.
Gostaríamos que o presidente dessa entidade fosse uma pessoa competente e que realmente estivesse envolvida com a educação, pois nós (professores) enfrentamos todo tipo de problema - até ameaça de morte - e o mínimo que esperamos é conseguir respeito por parte das pessoas e não fazermos papel de idiotas como sugere o referido senhor.
TEREZINHA APARECIDA ENZ MELI (professora) - Londrina
Crise no Inca
A dramática crise envolvendo o Instituto Nacional do Câncer, que por equívocos político-administrativos transformou-se de excelência oncológica em quase referência funerária com seus 36 pacotinhos de gaze, não é fato isolado do insano organismo hospitalar brasileiro. Não bastante a situação falimentar do Sistema Único de Saúde (SUS), que não cura a morbidez monetária do corpo clínico, nem a dor suprema do paciente previdenciário, tenta-se amenizar o generalizado sofrimento canceroso por critérios políticos. Nomeiam-se membros da burocracia silenciosa, PhD em incompetência, MBA em nada, para gerir os problemas do Inca. Criminosos, com requintes de crueldade, eles suspendem a quimioterapia, a radioterapia, as drogas que ajudam a amenizar a dor do paciente da mais ardilosa das doenças, que vive entre a vida, a sobrevida, a morte.
Cidadãos tributários, uni-vos contra o estelionato político que priva o direito constitucional à saúde! Abaixo as insensatas disputas políticas e os procedimentos burocráticos, sob a falácia de que os hospitais públicos e filantrópicos precisam funcionar. Não há mais tempo hábil a esperar na fila do SUS, esperando a morte chegar. Eliminem-se os equívocos das políticas públicas, as políticas partidárias, o péssimo gerenciamento e a burrice pessoal do expediente dos serviços de saúde. Mantenham-se os profissionais da ética hipocrática. Substituam-se os hipócritas.
JOSÉ FIORI (jornalista ) - Curitiba





