Ao mestre sem carinho 1
Expresso aqui minha indignação ao ler a reportagem de domingo intitulada ''Ao mestre sem carinho'', quando tive o desprazer de ler às afirmações do senhor Valdir da Silva, que responde pela presidência do Conselho Tutelar de Londrina. Este senhor, ao afirmar que a indisciplina na sala de aula é de responsabilidade, principalmente, do professor, me causa enorme estranheza e pena, visto que o mesmo afirma já ter ministrado aulas, ainda mais de Sociologia. Ora, ao se fazer tal afirmação, ignora-se a sala de aula como um espelho da sociedade, e que, portanto, trata-se de um ambiente complexo e dinâmico. Supõe-se, com isso, que os mesmos problemas enfrentados no nosso cotidiano, quando em sala de aula se façam presentes em maior ou menor proporção.
Não assumo aqui, como muitos podem estar pensando, uma postura corporativista, acredito pura e simplesmente que a indisciplina na sala de aula é apenas mais um exemplo do caos social vigente no nosso país e que se não fosse esse caos, provavelmente não existiria tal Conselho. Indo um pouco além na minha indignação, faço o seguinte questionamento: esse senhor falou enquanto cidadão ou enquanto presidente do Conselho? No primeiro caso, sinto pela sua falta de conhecimento e por reduzir algo tão complexo a uma opinião equivocada, medíocre, perversa e fantasiosa. No segundo caso, aí avalio que caberia um posicionamento oficial, retratando fielmente a opinião de todos os membros que compõem o Conselho Tutelar de Londrina.
Pelo fato do senhor não me conhecer e soma-se a isso o fato de desconhecer a minha prática docente, gostaria que vossa senhoria pensasse duas, ou mais, vezes antes de fazer afirmações que têm como objetivo principal marginalizar toda uma categoria que vem tentando nos últimos anos lutar contra o desmonte do ensino público, gratuito e antes de mais nada de qualidade. Mesmo levando-se em conta o direito constitucional de livre expressão, atitudes como essa, só vêm de encontro do acima exposto, e que, portanto, atende a interesses diferentes dos anseios de uma sociedade na qual prevaleça a ética, termo este que o senhor aparenta não aplicar na sua vida profissional.
ELIANA B. N. CARVALHO (professora) - Londrina

Ao mestre sem carinho 2
Em resposta ao infeliz pronunciamento do sr. Valdir da Silva, presidente do Conselho Tutelar de Londrina, domingo último na Folha na reportagem ao ''Ao mestre sem Carinho'', queremos manifestar que em primeiro lugar este sr. nem poderia estar ocupando o cargo de tal importância na vida das crianças e adolescentes. Prova disso está no exemplo que deu quando demonstrou tanto desrespeito pela classe dos professores, já que a escola com seus mestres e pais são os responsáveis maiores pela educação das crianças e adolescentes.
Que educadores seríamos se ao sermos xingados ou agredidos por nossos alunos ignorássemos essa falta de disciplina e respeito. Este sr. deveria ter vergonha de dizer que foi professor, porque com certeza a nossa classe se sente envergonhada desta pessoa dizer que foi um nosso colega. Será que o sr. Valdir educa seus filhos com tal liberdade? Se o faz deveria repensar sua prática, pois que tipo de filho está educando?
Nós, professores, queremos para nossos alunos a mesma coisa que queremos para nossos filhos ''o melhor''. E, com certeza, não é ignorando a violência, o desrespeito e a indisciplina que o conseguiremos. Pense um pouco sr. Valdir: dar limites não significa punir o aluno e sim dar os devidos valores ao respeito, ao bom-senso e à dignidade humana.
Cremos que o sr. tem uma visão bastante distorcida e incoerente do seu cargo, pois para nós deveria ser mais um agente a unir forças conosco, visto que objetivamos o mesmo fim: o bem da criança e do adolescente.
LUIGI MARCEL POLETO, UBIRACY CREUSA LOBO MOREIRA SILVA E ZILDA AZULINE (assinam a carta juntamente com outros 27 professores do Colégio Hugo Simas) - Londrina

Matérias pagas
Muito legal e ético a ''Folha'' publicar a matéria sobre as reportagens pagas do governo Lerner, mas editadas como reportagens de interesses do jornal. E o cara da Associação Nacional de Jornais fala que o jornal não é obrigado a mencionar que é matéria paga. Isso se constitui em propaganda enganosa, ou seja, é a mesma coisa de uma propaganda de cigarros (hoje proibida) colocar na mídia que cigarro faz nascer cabelos no peito do adolescente ou que bebida alcoólica depois de muitos copos faz você conquistar o objetivo do seu sonho.
MÁRCIO DICESAR BENASSI - Sertanópolis

CORREÇÃO
- Diferentemente do que foi publicado na reportagem ''Rede de esgoto será ampliada em Campo Mourão'', no dia 30, na Folha, a licitação vai ser aberta pela Sanepar.
- Ao contrário do que foi publicado ontem na reportagem da página 3, do Caderno Folha Cidade, ''Família diz que aposentado morreu à espera de UTI'', levantamento realizado pela 17 Regional de Saúde de Londrina apontou que 104 morreram à espera de um leito de UTI no segundo semestre de 2002 e não no primeiro semestre do mesmo ano.
- Ao contrário do que foi publicado ontem na reportagem ''Advogado defende manutenção de vereadores em Londrina'', o estudo sobre o número ideal de vereadores em Londrina foi elaborado pelo advogado Frederico de Moura Theófilo.

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