CARTAS
Conceitos invertidos
Vejo uma reportagem na televisão sobre valores repassados pelo governo para alimentação em dois extremos. Em uma escola onde existem crianças carentes no ensino de 1 a 4 séries é disponibilizada a exorbitante importância de R$ 0,40 (quarenta centavos) para que cada criança seja alimentada. Vejo crianças que esperam ansiosas pela hora de poder comer um prato de comida, que provavelmente não possuem em casa, e recebem um pouquinho de macarrão, ou um pouquinho de sopa de legumes. De outro lado vejo uma penitenciária que tem nutricionista, dieta balanceada, quatro refeições por dia. Onde está o erro?
Vejo o governo, em todos os níveis federal, estadual e municipal dizendo que as crianças são bem atendidas na escola (Será?). Cada vez que entro no supermercado me surpreendo com os preços das mercadorias (que estão sempre maiores, é claro) e o governo diz que o País tem uma deflação. Onde? Qual País? Os combustíveis ficam mais caros, as passagens de ônibus mais caras, a comida mais cara, os remédios mais caros. Onde fica este País da deflação?
O que está acontecendo é que cada vez mais cresce mais o número de organizações não-governamentais (ONGs) que estão fazendo o papel do governo, ou seja, tentando melhorar as condições de vida da população. Entidades que têm voluntários para alfabetizar, para cuidar da saúde, para dar de comer, dar de vestir... Onde está o dinheiro da CPMF que deveria ter melhorado a saúde da população? Faz tempo que este imposto provisório virou definitivo e continua morrendo gente por falta de atendimento médico nos hospitais públicos. Realmente não consigo entender quais são os conceitos de melhoria que o governo fala tanto.
JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA (analista de sistemas) Ibiporã
Crise no LEC
Estamos todos tristes, tenho a absoluta certeza! A derrota que nosso time, o Londrina, sofreu em Jundiaí foi algo que marcou atletas, comissão técnica, dirigentes, imprensa e torcida em geral. Sabe por quê? A princípio, porque não gostamos de ser expostos! Nascemos e logo iniciamos nosso ''treinamento'' numa cultura capitalista, que nos induz à busca de conquistas e vitórias.
Ainda não consegui perceber o que o empate (2 a 2 com o Gama) trouxe de reflexo! O que parece é que continuamos vivendo à sombra daquela derrota. O fato é que 7 a 1 é um placar difícil de esquecer! A questão é que logo em seguida à derrota deu-se início à caça aos culpados. É próprio do ser humano! Queremos ''crucificar'' alguém para aplacar nossa sede de vingança, afinal, o que está em jogo é a imagem de todos, e alguém precisa pagar essa dívida, precisa ser condenado para que outro grupo se sinta melhor, não é mesmo?
Tem momentos que penso que Londrina nunca conseguirá possuir um time participando de maneira sólida da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Acontece que somos imediatistas, e quem faz o futebol o faz desprovido de um compromisso com a qualidade integral e com a base científica, além de administrar, muitas vezes, como torcedores, de uma forma bastante emocional.
Posso falar pois, além de atleta que fui, trabalhei durante um ano inteiro no LEC, dando sugestões e propondo estruturas, mas infelizmente, no Londrina, muitos não vêem o atleta de maneira holística. Ele é mais uma peça! Ao invés de demitir treinador ou outro profissional qualquer, seria melhor que se fizesse uma auto-análise e se buscasse onde verdadeiramente estão os erros. Algo aconteceu! Aplacou-se a ira de todos mas o problema não foi resolvido. Pode ter certeza, ele permanece!
EDIMILSON HENRIQUES (preparador emocional) Londrina
Impostos
Com relação à reportagem da Revista Veja desta semana, a respeito da ''fome'' do poder público em achacar, em nome da lei, o contribuinte brasileiro, gostaria de colocar números reais da minha empresa prestadora de serviços. De janeiro a agosto do corrente ano, sem sonegação, porque emitimos nota fiscal de toda a receita, foi faturado bruto a importância de R$ 7.525,42. De Simples Federal, ISS, ICMS sobre telefone e luz, IPTU, taxas municipal e estadual e CPMF, pagamos a importância de R$ 3.690,03, representando 49,03% sobre a receita bruta. Chamar isto de absurdo é subestimar o que efetivamente é absurdo. Só temos uma maneira de titular a situação: roubo!
ROBERTO ANTONIO DE CARVALHO (microempresário) Londrina





