Resposta à Flávia
Respondendo a carta ''Quem são os culpados?'' publicada na Folha, na última terça-feira, dia 26, na Página do leitor. A finalidade desta carta não é defender o ministro da Educação e suas idéias; mas convidar os profissionais da educação para uma reflexão sobre a condição da educação no País.
Todos nós sabemos que a condição é precária e fazemos parte de uma sociedade desigual e injusta. Qualquer incentivo é o mínimo que estamos recebendo, pelo menos alguém pensou em alguma alternativa para alunos carentes, e por que não pensar no professor também? Será que seu trabalho é tão reconhecido pelos governos e pela sociedade para não merecer atenção?
Na carta ''Quem são os culpados?'', da Flávia, há uma afirmação que me deixou pensativa: ''Com essa Bolsa-Escola o único incentivo que foi obtido foi aumentar o número de filhos no mundo; muitas famílias já vem utilizando essa tática: colocam filhos no mundo esperando receber algum tipo de ajuda do governo...'' Pergunto: A Bolsa-Escola é suficiente para dar condições necessárias para uma criança, para que algumas famílias utilizem esta tática? Penso que não, porque se uma criança pedir esmola na rua,a ela conseguirá esta quantia em poucos dias.
Outra afirmação que merece ser repensada: ''Precisamos acabar com a média cinquenta e voltar para a média setenta, pois assim os nossos alunos terão mais responsabilidade e levarão a escola (educação) como fator indispensável para seu desenvolvimento intelectual e profissional''. Será que a causa dos alunos não atingirem a média setenta é a falta de responsabilidade deles? Como o professor está desenvolvendo seu trabalho? Se uso a avaliação, a nota serve apenas para a verificação de aprendizagem. Avaliação é mais do que quantificar.
LUCÉLIA SALES DE OLIVEIRA (estudante de Pedagogia da UEL) Londrina

Mãos de Deus
Uma bela manhã! Prometia ser um lindo dia. O sol estava brilhante como nunca. Parecia ser um daqueles poucos dias onde só enxergamos beleza ao nosso redor. Crianças sorrindo, brincando e bem em frente à janela de nossa sala, uma linda árvore enfeitava o cenário; estava repleta de flores. Engraçado, ninguém a tinha notado. O vento fazia de seus galhos um verdadeiro balé.
De repente, uma palavra e todos os alunos correram até a janela para admirar sua majestade o pé de ipê. Muito alegre, um dos meninos exclamou: professora Vera, nós somos visitados todos os dias por um pássaro que apelidamos de ''Zé''; ele já faz parte de nossa turma; todos os dias entra e sai cantarolando como se estivesse nos saudando. Ele já virou amigo de todos.
Quantas vezes, em nossa caminhada, temos que ser tocados pela mão de Deus para enxergarmos a beleza nas coisas que ele nos preparou. Quão maravilhoso seria se todos conseguissem compartilhar essas poucas sensações de alegria. Certamente, o mundo seria bem melhor. Que bonito ver com os olhos das crianças e pensar com sua inocência: admirar a natureza sem a destruir; ouvir o canto dos pássaros e transformá-lo em oração. É bom sentir e ver que Deus se revela nas pequeninas coisas.
VERA LÚCIA GARCIA GRANDE (professora) Marialva

Publicidade do governo
É fato notório e fartamente divulgado pela imprensa nacional o problema da saúde pública no País. Diariamente, o povo brasileiro enfrenta uma verdadeira batalha para conseguir valer um direito constitucional que lhe é assegurado, o direito básico à saúde. Enquanto dezenas de pessoas morrem pelos hospitais por falta de atendimento e por falta de leitos ou pela inexistência de vagas nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), o governo federal vai gastar 150 milhões, em um ano, para fazer publicidade de suas realizações.
O governo federal realiza campanhas publicitárias para alardear e enaltecer suas realizações obras, projetos de lei, programas de assistência social contudo, é muito importante ressaltar que estas realizações nada mais são do que as obrigações do governo para com o povo que o elegeu. Assim não há motivo para fazer publicidade das suas realizações.
Se levarmos em consideração que os Estados e municípios também destinam parte do dinheiro público para propaganda institucional, o desperdício e o esbanjamento ficam mais escandalosos. Se todo esse dinheiro somado fosse investido de maneira mais coerente, se o dinheiro gasto com a publicidade fosse utilizado para a reestruturação da saúde pública, haveria uma diminuição considerável das mortes nas filas dos hospitais.
TOCHITANE MITSI (aposentado) Londrina

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