Vida de aposentado
Interessante este indivíduo, o aposentado. Trabalhou durante grande parte da sua vida tentando produzir riquezas para outros, organizando e pondo para funcionar a máquina do governo, ou ainda tentando transmitir conhecimentos para uma geração de estudantes.
Após tantos anos de trabalho honesto e produtivo, ao atingir a idade necessária e o tempo de contribuição exigido, pensa que enfim, poderá aproveitar o resto de sua vida para usufruir do merecido repouso, sem maiores preocupações, a não ser ver o tempo passar. Ledo engano: aí é que começam, na verdade, seus problemas.
Primeiramente deixou de existir como pessoa. Antigos companheiros já não o tratam como antigamente. No local de trabalho onde deu o suor já não se sente muito à vontade. Seus alunos (no caso de ter sido professor) nem o reconhecem e nem o tratam com todo aquele entusiasmo de antes. Para as festas de confraternização não é mais lembrado.
Equivalência salarial nem pensar. Alguma migalha virá, talvez, na forma de abono. É fácil compreender a intenção do governo, senão vejamos: a maioria dos aposentados não tem força de persuasão e não possui cacife para negociar. Além disso, os remédios naturais estão na moda e como eles se encontram no mato, uma boa caminhada é o ideal para os velhinhos.
Como não precisa trabalhar, roupas e calçados novos também não serão necessários. Diversão para quê? Viajar? Veranear? Acabou, terminou, só resta mesmo ficar em casa vendo televisão.
Mesmo assim, o governo acha que o aposentado está ganhando muito e resolveu, juntamente com senadores e deputados, taxar seu salário em 11% para evitar desperdício, o que poderia levar a nação à falência. Pouco se pode esperar de uma nação que abandona suas crianças e seus velhos a sua própria sorte.
ESMERALDINO FRANCO (professor aposentado) - Santa Mariana

Burocracia
Estamos vivendo um momento histórico em nosso país: muitas situações constrangedoras, dificuldade em organizar a casa, opiniões diversas, papéis, leis, constituição e a burocracia. Essa deixa qualquer cidadão com os nervos à flor da pele; está em todos os lugares emperrando as ações.
Parece pesadelo, nada se consegue resolver de um momento para outro. Por mais simples que seja o caso, os papéis acabam sendo o maior obstáculo. É tão cruel que pessoas morrem sem receber atendimentos básicos. Em quase tudo que nos propomos fazer, esbarramos em papéis, leis e, na maioria das vezes, acabamos desistindo.
Num país que tem pressa e ansiedade para resolver seus problemas, é inaceitável o que está acontecendo: crimes organizados, sequestros, tráfico, pessoas inocentes passando fome, quando sabemos que muitos alimentos se perdem nos galpões do governo.
Fico sonhando com o grande dia, onde todos partilharemos nossos bens e dons para a construção de um mundo de igualdade, sem ódio, inveja, injustiça e que tudo isso possa dar lugar ao sentimento mais sublime vivenciado pelo ser humano: ''amor''.
Infelizmente, esta é a resposta mais comum dita pela maioria das pessoas: ''se já é tão difícil resolver nossos problemas, imaginem resolver os dos outros''. Então, cada um de nós compõe a sua história: ''Eu só louvo a certeza de que muito pouco sei; eu não sei nada''.
VERA LUCIA GARCIA GRANDE (professora) - Marialva

Justiça cega
Os magistrados, em virtude da reforma da Previdência, como já se esperava, uniram-se para buscar seus interesses, capitaneados por alguém, nada mais nada menos, que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa, e qual justiça, por definição, seria cega, surda e muda.
Comprova-se que, além de exuberante falácia, objetiva expansão dos tetos e subtetos de seus administrados, os mais altos salários do País, inclusive, maiores que o próprio salário do chefe do Executivo federal. Não bastasse a brutal falta de distribuição de renda que impõe a milhões de brasileiros a manutenção abaixo da linha da pobreza, não obstante as garantias constitucionais que já premiam tal casta, e muitas outras que acarretariam terríveis constrangimentos à classe.
Pena que deste interesse e desta mobilização, mais uma vez, não resultem quaisquer conquistas para a tão sofrida população. O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva perdeu grande oportunidade de ficar calado, ajoelhou-se perante a platéia nacional e assistiu impotente ao magnífico espetáculo da elevação do subteto para o nível máximo objetivado pela magistratura.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina

Correção
O nome da empresa Hussmann foi grafado incorretamente na matéria ''Laboratório de Idéias'', publicada ontem na página 12 da Folha da Sexta.

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