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Os recentes acontecimentos políticos que agitaram o País têm promovido algumas reflexões. Comecei a compreender a política brasileira em 1985, quando assisti pela TV milhares de brasileiros saindo às ruas em protesto para eleger o presidente da República. Deste período aos dias de hoje, assisti a inacreditáveis negociações políticas, mas confesso que nada se compara ao que tenho visto nos últimos meses. O atual governo, pretensamente de esquerda, somente conseguiu aprovar a proposta de reforma previdenciária com os votos de partidos da oposição, como PSDB e PFL. Este último, por sinal, resolveu apoiar a proposta porque ACM conseguiu a liberação de recursos para a construção do metrô de Salvador.
Com essa medida, Lula indiretamente ajudou a perpetuar o carlismo na Bahia, utilizando a política do ''é dando que se recebe'', ferramenta que tanto criticou. O PMDB não fugiu à regra, posto que Jader Barbalho, senador que renunciou para não ser cassado por envolvimento em corrupção, também apoiou o governo, como noticiado por esta Folha.
Economistas conceituados declararam que se a proposta do governo não fosse aprovada no Congresso, um início de caos na economia poderia ocorrer, como ''explosão'' do dólar e do risco país. É irônico constatar que graças aos votos de deputados destes três partidos (oposicionistas e de centro-direita), não passamos por nova crise financeira. Mais gritante ainda é saber que um governante eleito pelas massas, e com o objetivo de mudar o País, aceita manter privilégios da magistratura, com salários maiores que 15 mil reais, em troca de ver aprovada a contribuição dos já sofridos aposentados.
Se compararmos as ações atuais do governo com seu discurso em um passado recente, não há como escapar da tentação de comparar Lula a um ator, tal sua capacidade de representar e de fingir. Mas se quiserem um conselho, nas próximas eleições, em vez de escolherem um amador, votem em profissionais. Meu slogan será ''Regina Duarte 2006''. Ela, ao menos, assume que é atriz.
MARCELO RUBENS MACHADO (professor) - Londrina

Lotéricas

Justiça proíbe serviços bancários em casas lotéricas por questão de segurança. Por que certos juízes e políticos, muitas vezes, ao invés de lutarem por leis mais duras que possam inibir o bandido a praticar crimes fazem leis que os protegem? Por que esta juíza, ao invés de obrigar o Estado a dar segurança aos cidadãos que utilizam os serviços lotéricos, tenta nos proibir de realizar certas operações que podem amenizar as infinitas filas bancárias?
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê

A ópera do malandro

As CPIs que se arrastaram pelo Brasil nunca mostraram processos finalizados. Nas contas CC-5 do caso do Banestado, os brasileiros que se dizem no direito de burlar as leis afastam também as pessoas que fazem as investigações conclusivas sobre os seus paradeiros. As apurações dos processos indicam ciclanos e fulanos, mas eles são surdos-mudos para a justiça. O que concluímos que são mesmo ''laranjas''. Como poderemos melhorar município, estado ou o país se encontramos pelo caminho CPIs, contas CC-5, aposentadorias privilegiadas e tributos partilháveis em causa própria? Será que posteriormente educação, dignidade, respeito, responsabilidade, ordem e progresso terão sua partilha?
JORGE LUIZ AMPESSAN (professor) - Arapongas

Inimigos da escola

O sistema educacional do País, levando-se em consideração a ''palhaçada'' dos amigos da escola, vem desvalorizando cada vez mais o papel do transmissor de conhecimentos (professor). Isso vem acontecendo porque qualquer pessoa pode ser educadora. Com os amigos da escola, muitos profissionais da educação estão com as portas fechadas para o mercado de trabalho pois esses ''amigos'' trabalham voluntariamente.
Precisamos unir forças para mostrar que nós, profissionais da educação, não precisamos de amigos da escola. Precisamos de condições dignas para trabalharmos e sermos valorizados, pois a mola do desenvolvimento de um país não é apenas a educação. Ela é apenas um fator que contribui para que esse desenvolvimento aconteça, a saúde, a economia, a política entre outros, também são fatores que influenciam no desenvolvimento do país.
Portanto, se os amigos da escola estão ajudando tanto na educação (claro que isso não é verdade, pois os amigos da escola atrapalham e muito) por que não colocam amigos da saúde, que todos os dias milhares de pessoas são mal atendidas em postos de saúde? Por que não colocam amigos da economia, amigos da política?
Temos que dar um basta e lutar para que a escola não seja mais um laboratório de experiências, onde tudo que inventam ou copiam de outros países (que não tiveram bons resultados) seja aplicado em nossas escolas. Somos capazes de elaborar e resgatar a dignidade de nossa educação, da valorização dos profissionais da educação.
FLAVIA APARECIDA CONTE DO PRADO (professora) - Marialva

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