CARTAS
Biopirataria
A Botânica é derivada da palavra grega ''Botanikê'' que significa planta. O homem primitivo começou a aprender Botânica ao verificar que as sementes davam origem a novas plantas. Nos tempos pré-históricos, os homens começaram a descobrir o modo de domesticar as plantas silvestres como trigo, arroz, milho, batata, feijão e a banana. Descobriu plantas têxteis como o linho, o algodão, a maneira como extrair corante para tinturas diversas e encontrar madeiras para construção de casas e embarcações. Paulatinamente, o homem foi aprendendo a distinguir as plantas úteis das nocivas. A análise de que algumas plantas prejudicavam a saúde despertava a idéia de que outras poderiam curá-lo.
O conhecimento das plantas tóxicas e medicinais foi a tarefa dos primitivos, dos médicos, dos curandeiros, dos feiticeiros, os primeiros homens especializados no estudo da Botânica, esta estrada infinita na contribuição ao bem-estar da humanidade, particularmente, no que se refere aos problemas mundiais de alimentos, doenças, etc. Coloca-se numa posição paralela à da química, da física, geologia, zoologia e de outras ciências de natureza científica. Serve de fundamento a diversas profissões como silvicultura, farmácia, agronomia, paisagismo, agricultura, no bioterrorismo, na biosegurança, na biotecnologia.
Hoje os grandes laboratórios multinacionais tomaram conta de nossas florestas; a biopirataria, a indústria da doença. Comparo isto a um pedágio sem lei, o povo sem alerta sobre esta exploração. Chegou a hora de novos princípios e resoluções.
NORTON REZENDE ARAÚJO (presidente da ONG Instituto Saúde Natural e fitoterapeuta) - Londrina
Riscos na Saúde
Atualmente diversos fatores contribuem para o aumento dos riscos ligados às atividades da saúde (medicina, odontologia, enfermagem, fisioterapia etc.), tais como o elevado nível de conhecimento do paciente/consumidor e, consequentemente, uma exigência cada vez maior pelo resultado satisfatório (para o cliente) da prestação de serviços, a desumanização, ocorrida nos dias de hoje, da relação médico-paciente, a falta de documentação adequada dos serviços prestados, a dificuldade de se estabelecer rotinas hospitalares etc.
O mais preocupante é que tais riscos constantemente acabam por fundamentar demandas indenizatórias contra instituições/profissionais de saúde, inviabilizando cada vez mais a prestação de serviços à saúde com qualidade.
Com o intuito de educar e prevenir os profissionais de saúde e demais profissionais que militam nessa área é que será realizado nos dias 21, 22 e 23 de agosto próximo o I Congresso Brasileiro de Administração dos Riscos na Saúde, no Hotel Crystal, em Londrina.
Trata-se, ao meu ver, de evento pioneiro no país, que deve constar da agenda de todos aqueles que se preocupam com a continuidade da prestação de serviços à saúde com o mínimo de qualidade que seja.
THIAGO SIMÕES RABELLO (advogado) - Londrina
Capital da cultura
A cidade ecológica dos belos parques e simpáticas praças mostra ao mundo toda sua graça é capital dos paranaenses, dos brasileiros e agora dos cidadãos e cidadãs da América. Não por acaso ou coincidência, mas pela decência de seus artistas, intérpretes do cotidiano urbano, são tantos quantos não posso contar, todavia, encontramos nos versos manuscritos por Helena, não a morena! Não a pequena! Mas a Kolody que no crepúsculo da melhor idade ''Pintou estrelas no muro e teve o céu ao alcance das mãos''. Também, mais adiante nos murais da saudade, nos azulejos da nostalgia um pacato cidadão com as mãos multiplicou milagrosamente as imagens da alma curitibana, era Poty, velho garoto, de pré-nome Napoleon e sobrenome Lazarotto.
E como não é piada de português Curitiba Capital Americana da Cultura das alturas do senhor o travesso Sidônio imortalizado nos diz ''Escrevo como quem respira. Escrever é participar, é uma forma de alertar as consciências, tentar construir um mundo mais decente e mais limpo. Calar é ser conivente''.O valente lusitano era uma Muralha de conhecimento.
E o tempo levou uma celebridade etílica, jovem ainda, incandescente de inspiração o furacão das noites curitibanas, era mais um apóstolo da boêmia, Paulo seu nome, rabiscou e eternizou uma mensagem ''Esta vida é uma viagem, pena que estar só de passagem'', passageiros como Leminski não passam.
Só um homem assim, numa cidade assim que nunca é visto, mas sempre lembrado que não vemos dormindo ou acordado é capaz de soltar seus vampiros e suas polaquinhas para apavorar e prostituir os sonhos aristocráticos, o enigmático Dalton, personagem da vida real, ser abstrato, ausente e presente ao mesmo tempo ''O que não me contam, eu escuto atrás das portas. O que não sei, adivinho e, com sorte, você adivinha sempre o que, cedo ou tarde, acaba acontecendo''. Com divã ou sem divã, extraordinário Trevisan.
Curitiba é assim um pouco meiga, serena, atrevida, bela, perigosa e sensual por isso capital americana da cultura 2003.
JÚLIO BITTENCOURT (prefeito) - Nova Santa Bárbara





