CARTAS
Entre fogo cruzado
As notícias dos últimos dias estão deixando a todos os brasileiros de cabelo em pé. Enquanto os movimentos dos sem-terra (não é só o MST) invadem novas áreas, mostrando organização e força, determinação e arrojo, dando uma verdadeira lição de união e ousadia ideológica, fazendo ser repensada toda ''cartilha'' da reforma agrária de nosso país e, principalmente, levando todos a uma reflexão muito mais crítica acerca da função social da terra.
Do outro lado, estão os ruralistas, (não é só a UDR), que por contarem com muitos recursos financeiros, também, rapidamente organizam-se, formam verdadeiros exércitos para a defesa de suas propriedades, as quais, com toda coerência que se pode ter, têm toda razão, afinal, o direito de propriedade é sagrado e garantido, sem restrições de extensões ou quantidade, por nossas leis.
E nós, o povo, (pobres mortais), onde ficamos? Não temos como nos defender, nem ideologicamente, pois os dois lados possuem razões incontestáveis: o primeiro pela visão social e o segundo pela visão capitalista, (ambas são legítimas); nem politicamente, pois não temos referenciais de organização de massa e, muito menos, para lutar, porque cidadão comum e de bem não conta com armas para ganhar o pão de cada dia. E se, por ventura, (e, verdadeiramente, espero que não!), as partes estejam se armando, aprontando-se para uma ''guerra'', corremos o risco de transformar-nos numa grande Colômbia, onde as facções armadas se digladiam tendo como trincheira intermediária os seus próprios irmãos pátrios: desarmados, desamparados pelas leis, desprotegidos pelas autoridades e amargamente traídos, por esses que em seus discursos sempre enaltecem os valores humanos.
Ou o governo intervém urgentemente nesse barril de pólvora, ou o povo, como acontece em toda e qualquer pendenga, pagará a conta: seja dos socialistas, seja dos capitalistas, ou ainda pior, seja dos oportunistas, que sem dó nem piedade, sempre enriquecem às custas da desgraça alheia.
DAVRISON DE ABREU ANSELMO (professor) - Ibaiti
Intolerância
Diante dos números crescentes no índice de violência, resolvi manifestar minha concepção da situação. Tenho um irmão que foi assaltado junto com sua namorada semana passsada em pleno centro, Rua Hugo Cabral, saindo de um bar. A ação foi feita à mão armada e o assaltante levou a bolsa da garota e a carteira de meu irmão com tudo dentro: dinheiro e documentos. Registraram o B.O. e, para surpresa daquelas pessoas que pensam que a polícia é decadente por causa de má vontade dos policiais, o bandido foi pego duas horas depois.
Meu irmão fez o reconhecimento do ladrão mesmo recebendo diversas advertências para que se recusasse a fazê-lo pois fanzendo-o estaria fadado a ser reconhecido posteriormente e poderia ocorrer ''acerto de conta''. Acerto de conta? Quem deve o que pra quem? O ladrão ou a vítima? O medo dos cidadãos é o maior incentivador dos crimes, pois quando ele vence a reação gera impunidade e no caso como de meu irmão se desvaloriza um ótimo trabalho policial. Não quero aqui cometer a tolice de aconselhar para que se reaja aos assaltos. Claro que não! Mas sim reagir de maneira que se faça os devidos procedimentos para que a polícia continue seu trabalho, senão, onde ficará a nossa liberdade de ir e vir? Trancada cada vez mais na esfera privada atrás de casas com cercas elétricas, condomínios e carros blindados?
EDUARDO REINA BASTOS (estudante) - Londrina
Autodiscriminação
Me surpreende ver universitários, supostos detentores do conhecimento, compartilhando desta ''idéia burra'' como tantas outras inventadas por políticos, que é a reserva de cotas para afrodescendentes. Eles próprios estão se autodiscriminando ao fazerem esta reivindicação (claro que nem todos), supondo que não são capazes de garantir sua vaga na universidade prestando os exames. Requerer a isenção da taxa do vestibular, que inclusive em universidades públicas são caríssimas, é perfeitamente justo não só para negros, mas para qualquer pessoa que não tenha condição de pagar, mas tirar a vaga de alguém que se dedica dias e noites sobre os livros, é injusto. Os afrodescendentes, são tão capazes e dotados de inteligência quanto qualquer branco, e não precisam de proteção para garantirem sua vaga na universidade.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê
Correção
- Ao contrário do que informou ontem a reportagem ''Confusão fecha prefeitura de Uraí'', na página 4 do Primeiro Caderno, o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, Nério Spessato Ferreira, negou liminar ao agravo de instrumento ajuizado pelo vereador Donizete Pinha, que pedia a revogação do mandado de segurança que paralisou os trabalhos de uma Comissão Processante formada na Câmara de Vereadores.





