CARTAS
Saudade de Geisel?
Tempo dos generais lembra porões da ditadura, torturas, obscuridade, ausência de democracia. Tempo da Nova República (civis) lembra torturadores do MST, Comando Vermelho, bandidos mais poderosos que governadores e o não cumprimento de lei. Quem lutou por um estado de direito ganhou um direito de Estado, isto é, um governo que cobra ainda mais impostos do que os militares, e tudo o que nos dá é uma exagerada ''liberdade''. E vai piorar: Stédile, líder dos ''camponeses'', com seu exército de 23 milhões de ''homens da terra'', quer acabar com 27 mil fazendeiros que levaram a safra brasileira a saltar de 40 milhões de toneladas de grãos para 106 milhões de toneladas, mostrando que o Brasil não é improdutivo assim.
Infelizmente, sem capital não há alta produtividade porque a mais-valia, teoria marxista para o lucro, só acontece quando o produto vai para o bolso daquele que a produz ou para seus descendentes ninguém produz mais-valia para seus semelhantes, tampouco para o governo. Esse é o lado mesquinho da natureze humana; nem Cristo conseguiu mudá-lo em mais de 2000 anos.
A democracia excessiva e omissa também gera baderna: os políticos precisam dos votos dos 23 milhões de ''camponeses'' e vão preterir os 27 mil fazendeiros condenados à morte por Stédile e cia. Há uma esquerda anacrônica e romântica no Brasil: a juventude do MST não sabe que em Cuba as toneladas de grãos diminuíram com Fidel, dinossauro da história e já condenado por ela.
A arrogância da direita levou-a a perder as eleições, e seus caciques ainda não entenderam onde foi que eles erraram: na confiança em excesso do voto conservador. E agora dá-lhe Rainha, Stédile, Favre, etc. Só sei que nas mãos desses articuladores nós importaremos café e soja de outros países.
VIRGÍLIO TOMASETTI JR. (professor) - Londrina
Aids e tabus
A carta intitulada ''Aids e Educação'', publicada na página do leitor do último dia 6, contraria as iniciativas governamentais e não-governamentais de prevenção à epidemia, as quais se empenham, há quase duas décadas, em desconstruir tabus relacionados à sexualidade e promover práticas de solidariedade e de respeito à diversidade sexual. Essas iniciativas são pautadas em trabalhos reflexivos, dinâmicas participativas, nos quais os jovens são convidados a construírem alternativas para o exercício da sexualidade de forma responsável e segura.
Ao longo da história, as experiências de prevenção pautadas em discursos prescritivos e normativos, nas áreas da educação e da saúde, além de reforçarem preconceitos e intolerância, não apresentaram resultados positivos, vide os números de gravidez na adolescência, o aumento dos casos de Aids e de uso de drogas nesta faixa etária. Essas iniciativas não aproveitaram os espaços existentes para o debate e a reflexão, e nem criaram novos espaços, estes indispensáveis para a criação da autonomia e da responsabilidade.
Como exigir sexo seguro de jovens que não podem se expressar sobre a sexualidade? Como afirmar que após o casamento o sexo é mais seguro e o risco de contrair alguma DST (doença sexualmente transmissível) ou mesmo a Aids ''cairia para zero'' se, de acordo com os dados epidemiológicos, 77% da mulheres infectadas pelo HIV atualmente são casadas?
Ao invés de pregarmos a abstinência sexual como prática de prevenção às DST/Aids, deveríamos estar participando e contribuindo para formulação de políticas públicas que propiciem espaços para que os jovens manifestem seus desejos, anseios, dúvidas, e assim exercer com autonomia sua sexualidade.
CAROLINA BRANCO (vice-coordenadora da Comissão de prevenção da ALIA: Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids) - Londrina
Números do Festival
Consideramos louvável a preocupação e demonstração de carinho do estudante Luiz Gustavo de Azevedo pelo Festival de Música de Londrina. No entanto, é necessário responder aos seus questionamentos no que se refere aos números divulgados pela organização do Festival.
O 23º Festival de Música de Londrina realizou entre os dias 6 e 19 de julho apresentações não somente no Teatro Ouro Verde, Marista e Zerão como citou o estudante, mas também no Teatro Zaqueu de Melo, Associação Médica de Londrina, nas dependências do Colégio Mãe de Deus, Concha Acústica, Calçadão, CSU (Vila Portuguesa), Restaurante Universitário, Bar Santo Ponto, no Distrito de Lerrovile e na cidade de Apucarana.
Foram ao todo, realizadas 53 apresentações que envolveram músicos londrinenses, músicos de reconhecimento nacional e internacional, professores do Festival e alunos dos 63 cursos oferecidos. Soma-se ainda o bom número de pessoas que acompanhou as apresentações do grupo gaúcho Hip Hop Sul - TVE/RS no Jardim União da Vitória, Vila Fraternidade e Novo Amparo. Somando todas as apresentações, a organização chegou ao número estimado de 50 mil espectadores, divulgado durante a coletiva de balanço.
O estudante questiona também o número de alunos inscritos nesta edição: foram 1.260 alunos das mais diversas cidades e estados do País, além de dois alunos de Santa Fé, Argentina, inscritos para os 63 cursos oferecidos. Soma-se também os 108 alunos inscritos no IX Simpósio Paranaense de Educação Musical. Todas os documentos, com as informações acima, estão à disposição na Secretaria do Festival de Música de Londrina.
EMILIA MIYAZAKI e PRISCILA FERNANDES (assessoria de Imprensa 23º Festival de Música de Londrina) - Londrina





