CARTAS
Novela imita a vida?
O que as premonições de Salete da novela das 9 tem provocado nos telespectarores? Quando seu sofrimento vai acabar? Pior, não tem saída. O autor não será bonzinho com ela. Ele retrata a fria e cruel realidade de órfãos no Brasil. Não estou me propondo falar de política pública, segurança ou violência. Cabe às autoridades tomarem as devidas providências de verdade.
Me coloco como filha, mãe e psicóloga. Nunca fui noveleira de carteirinha e, ultimamente, tenho estado envolvida com fraldas, mamadeiras, correndo atrás da pequena de 1 ano. Porém, algumas cenas da novela ''Mulheres Apaixonadas'' (ou seria Mulheres violentadas, traídas, ciumentas?) me roubaram a atenção da minha filha e fiquei envolvida com a personagem Salete.
Seus sonhos premonitórios a deixam angustiada bem como a todos os telespectadores, frente à eminente perda da mãe. A garota, que tem entre 6 e 11 anos, encontra-se na fase de desenvolvimento psicológico chamada de Latência, em que uma das características principais é que a criança se identifica com o adulto do mesmo sexo, é o ''amor homossexual'' necessário e sadio.
As mães que têm filhas nesta fase (isto vale também para os meninos e seus pais), precisam ''namorar'' com elas, falar de si, suas experiências cotidianas, ficar de mãos dadas, pegar no colo, etc. Falo tudo isso por quê?
Porque a mãe é referência da filha. Imaginem o que a perda neste período pode provocar? A chamada ''Doença do Amor''.
Espero que a menina Salete tenha uma avó, tia ou madrinha saudável para lhe cuidar ou terá medo de amar e, de novo, perder. O que se passa na mente de milhares de crianças que estão ainda acordadas e assistem à novela? Ressalto que a emissora adverte que é contra-indicado para menores de 14 anos. As crianças estão com medo de dormir e sonhar. Agora sonhar com anjo traz sérios riscos de perder? Cabe aos pais estarem presentes e supervisionarem o que seus filhos assistem. Mas o que dizer ao seu pequeno filho que, no fundo, está morrendo de medo de perdê-los? Como dar garantias de que não morreremos?
Todos os dias, quando saio de casa, peço a Deus que me proteja, para que minha filha não passe por isso, assim como minha mãe, porque apesar de não ser nova como a menina Salete, não quero nem pensar em perdê-la tão cedo. Está nas mãos de Deus!
JULIANA CHUEIRE LYRA THEOPHILO (psicóloga) - Londrina
Festival de música
Gosto de música, adoro o festival de Londrina, mas confesso que estranhei a entrevista em que a direção do mesmo diz que 50 mil pessoas assistiram aos eventos do festival. Se os teatros Ouro Verde e Marista possuem quase mil lugares, concluo que em 15 dias de festival teríamos um público de 15 mil pessoas, se todos os concertos tivessem sido lotados, o que não aconteceu. Eu mesmo estive presente no Ouro Verde em noites de meia casa, o que muito me entristeceu pelos artistas que se apresentavam.
Tudo bem, o musical do Chico Buarque teve duas sessões e não podemos esquecer dos vários outros espaços e do Zerão que na tarde da Big-Band não atraiu mais que 600 pessoas. Vamos ser generosos e adicionar mais 10 mil. Mesmo assim, 25 é metade de 50 e fico aqui me lastimando se houve concertos que nós pobres mortais não ficamos sabendo. E me pergunto: o leitor precisa ser ludibriado com esses e talvez outros números (alunos ou inscrições?) fantasiosos? Se os diretores usam esses números inflacionários para agradar patrocinadores, eles que se cuidem: o tiro pode sair pela culatra, pois isso é rotular patrocinador de cego e estúpido. O festival é tão bonito, ele vive de sons e não de números.
LUIZ GUSTAVO DE AZEVEDO (estudante) - LONDRINA
Providências urgentes
O cidadão comum observa com saudosismo os discursos da tão esperada estabilidade econômica que traria paz no campo e na cidade e todos poderiam planejar o futuro de seus filhos e netos. Estamos observando um desencaixe nas políticas sociais. A intenção é dar dinheiro no ''Fome Zero'' para matar a fome do povo. É louvável desde que haja algo em troca deste recurso, pois a condicionante de um pai poder sustentar sua família é de suma importância. É o que ordena seu orgulho próprio de auto-sustento, fazendo dele um exemplo a ser seguido por sua geração. Promessas de uma vida melhor enchem os olhos daqueles menos favorecidos, distorcem a análise da ética de profissões, a necessidade de um equilíbrio entre os seres que convivem na sociedade, onde todos temos direitos iguais mas cada um com suas responsabilidades.
Os sem-terra e os sem-teto são incitados a criar um confronto por mentes desequilibradas. Diante disso, é necessário que providências urgentes sejam tomadas, pois paira no ar uma fumacinha de uma revolução civil, onde os descamisados se acham no direito de tomar minha roupa, os sem-terra de tomar de quem tem, os sem-teto de invadir meu quintal, minha casa, meu quarto vago. É necessário banir da sociedade líderes de movimentos que pregam o conflito entre os seres humanos, principalmente devido às ideologias pregadas que já fracassaram em todos os recantos do mundo.
YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá





