CARTAS
No vermelho
Nenhuma firma, nenhuma indústria consegue trabalhar e produzir operando no vermelho. Qualquer ramo da sociedade produtiva ou de prestação de serviços não consegue suportar por muito tempo uma defasagem entre receita e despesas, o que as leva a solicitar moratória ou simplesmente a fechar suas portas.
Os professores do Paraná há muitos anos vêm operando no vermelho em virtude de não receberem reajustes significativos em seus vencimentos há mais de oito anos. Como se não bastasse, os descontos efetuados diretamente na folha de pagamento só têm aumentado.
Todos os setores da sociedade produtiva podem aumentar seus preços e o fazem com uma ferocidade jamais vista, menos os funcionários do governo que precisam praticamente mendigar um reajuste e sempre encontram pela frente a desculpa esfarrapada da tal Lei de Responsabilidade Fiscal que só vale para o reajuste dos professores e funcionários. Aquelas categorias que podem legislar em causa própria, aumentam seus vencimentos não estão nem aí com os demais funcionários.
É muito triste, aviltante até, constatar que o mês destes servidores só têm, no máximo, quinze dias, sendo obrigados a ''cair nas mãos dos agiotas' ou entrar no cheque especial para honrar seus compromissos e até mesmo, alimentar sua família, sempre com a dignidade que a profissão exige.
Como no vermelho ninguém consegue permanecer por muito tempo, o recurso extremo é parar, fechar as portas das escolas por tempo indeterminado, pois ao menos se fará economia de transporte, combustível, roupa, etc.
ESMERALDINO FRANCO (professor) - Santa Mariana
Concurso público
O concurso público é a coisa mais democrática do mundo. Se você não quiser ser vendedor de cachorro quente, cortador de cana e aposentado do INSS, basta estudar, fazer um bom curso de direito, se inscrever num concurso público para juiz e, se aprovado, depois de 35 anos de serviço poderá aposentar-se como um deles. Quero dizer podia, porque depois de aprovada a reforma previdenciária haverá um teto de R$ 2,4 mil, e o resto irá para a aposentadoria complementar. Isso não é nenhuma novidade, pois já existe para os funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobrás, e tantas outras empresas por aí. Eu particularmente não gostaria de ser juiz. Gostaria sim de ser um empresário bem-sucedido como existe tantos por aí. Quem sabe montando uma rede de vendedores de cachorro-quente em que pudesse dar milhares de empregos para muita gente que precisa.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina
Respeito e dignidade
Precisamos com urgência de atitudes rigorosas e romper com tanta demagogia e retórica das autoridades e representantes do povo. A balburdia na reforma da Previdência e a confusão de leis, nos leva a pensar que nosso País está anárquico ainda mais com o crescimento de tantos movimentos como dos sem-terra (MST e MAST) e sem-teto (MTST), entre outros. Deparamos com pessoas inocentes movidas por promessas de possuir sem trabalho e adquirir sem esforços a sobrevivência e sua dignidade. Tão logo teremos o movimento de SS (sem-sacolão), SM (sem-mercado), SC (sem-carro). O contraste dos que lutam por um emprego para sobreviver, dos esfomeados que recebem pelo programa Fome Zero os míseros 50 reais que proporcionam-lhes um alívio irrisório e dos participantes desses movimentos que crescem a cada dia na esperança de adquirir respeito, só tem solução com a seguinte frase: ''Não dêem os peixes mas, ensina-os a pescar''.
MARIA GENNY BELEMTANI (secretária) - Londrina
Desrespeito à bandeira
Natural de Uraí, moro na Inglaterra há dois anos. Faço mestrado em uma universidade daqui e amo meu País. Escrevo para demonstrar a minha indignação perante a bandeira nacional que esteve à frente de nossa delegação no Pan-americano de Santo Domingo. Foi um atentado ao nosso pavilhão nacional conhecido, reconhecido, amado e respeitado por todos os brasileiros e estrangeiros. A bandeira representa o País, sua gente e o solo de nossa pátria e não merece ser tratado como um simples pano colorido. Espero que isto não ocorra novamente. Este absurdo desrespeitou todo o nosso povo e os atletas que trabalharam muito para esta competição tão importante para o nosso esporte.
ALDEVANDRO IVES RIBAS (estudante) - Bournemouth (Inglaterra)
Esclarecimento
Em contato telefônico com a Folha de Londrina, ontem, o presidente da Confederação Brasileira de Canoagem, João Tomasini Schwertner, disse que não concedeu entrevista à ''Folha de S. Paulo'', que produziu a reportagem publicada ontem nesta Folha (Cuattrin busca primeiro ouro na canoagem). Além de não dar a declaração a ele creditada na reportagem, Schwertner alega que o fato (o afastamento de Cuattrin da seleção) não existe.





