Dízimo 10% ou 100%?
Após 20 anos sem assistir um culto evangélico, resolvi acompanhar minha mulher em uma reunião dominical de sua igreja. Os hinos, que tanto gostava e ainda gosto, a oração que expressa a fé de um coração sincero me remeteram à minha infância e adolescência vivida dentro da igreja. Foram tempos maravilhosos que guardo em meu coração com carinho, pois foi lá que conheci o amor, o de Deus e o de minha esposa. Terminada a cerimônia de abertura fomos encaminhados à aula da escola dominical e o tema da aula era: ''Dar o melhor de si''. O professor discorria sua dissertação sobre a importância dos compromissos assumidos para com os planos de Deus, quando abordou o assunto dízimo e disse que todos nós devíamos estar preparados a dar todos nossos bens à igreja.
Um irmão que participava da aula pediu a palavra e disse que doar todos os bens não significa que uma autoridade da igreja requisitaria todos nossos bens mas sim que tudo o que possuímos pertence a Deus e que sendo o primeiro mandamento ''amar a Deus'' sobre todas as coisas e o segundo ''amar o próximo como a ti mesmo'', quando disponibilizamos um bem, como o nosso carro por exemplo, para transportar um irmão que por condição de saúde debilitada e falta de recurso não consegue ir à igreja ou quando socorreremos um estranho vítima de um atropelamento estamos doando nossos bens ao senhor.
''Não é bem assim irmão! O irmão tem que lembrar de suas ordenanças para com o senhor'', replicou uma autoridade da igreja que assistia à aula. ''Elas são bem claras devemos estar preparados para dar todos bens para igreja. O dízimo não é só 10%, é 100% ! Frequentei por vinte anos esta mesma igreja, nela fui professor da escola dominical, conselheiro e missionário fiz todas as ordenanças que um líder médio podia fazer e não me recordo de nada parecido. Vejo que o pensamento humanista fraternalista do cristianismo está dando lugar aos poucos a um pensamento extremista, mesquinho, individual e empresarial semelhante às plutocracias que imperam no mundo moderno. Sinto saudades do cristianismo iluminista de minha época. Será que ele ainda existe?
PAULO CAMARGO (operador de marketing) - Londrina

Primeiro emprego
Senhores políticos eleitos: presidente da República, governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores. Vários dos senhores, a maioria, em suas campanhas eleitorais, apregoavam a garantia do primeiro emprego para os jovens brasileiros. Como é possível explicar que um órgão público, como a Universidade Estadual de Londrina, ao realizar concursos públicos exija que os candidatos tenham experiência profissional comprovada para que possam se inscrever nos mesmos?
LUIZ GONZAGA FERREIRA DA SILVA (técnico administrativo) - Londrina

MST x vandalismo
Vândalos que se aproveitam dos movimentos sociais do MST invadem propriedades particulares produtivas, destróem residências de proprietários e funcionários, ateiam fogo em implementos agrícolas e abatem animais com requintes de crueldade, como aconteceu em Unaí (MG) recentemente. Os fazendeiros que geram empregos e renda para o País, não podem reagir por conta própria coagidos pelo governo sob penas da lei. Então quem deve ressarcir os prejuízos deles? Será que não caberia aí uma ação contra o Estado que é responsável pela segurança pública indenizar os proprietários? Enquanto os movimentos sociais realmente sérios não ocuparem órgãos públicos e propriedades particulares dos políticos, não haverá pressa alguma em fazer a reforma agrária. Enquanto eles não sentirem na pele, não se sensibilizarão com o próximo e nem com as injustiças cometidas neste país.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê

Sem-terra e a reforma
É fácil criticar os sem-terra, chamá-los de violentos, arruaceiros, etc. O simplismo e o preconceito distorcem a visão sobre eles. Há os que dizem que a vida deles nos acampamentos é uma opção aventureira e cômoda. Ignora-se a penúria nesses acampamentos, que são apenas uma etapa da luta sofrida por um pedaço de terra. Há os ''críticos'' que afirmam que eles 'devem voltar para o lugar de onde saíram'. Ora, não se dão conta de que para isso é preciso haver reforma agrária, uma vez que grande número deles são pequenos proprietários expulsos do campo, com violência e morte, muitas vezes. Não se ignore, pois: muitos latifúndios são fruto de roubo e assassinato - isso faz parte da história do Brasil, infelizmente.
É preciso saber também que o Brasil, neste planeta, é o único país que não fez reforma agrária ainda. E sem a pressão dos sem-terra, não teria havido um assentamento sequer. É urgente reparar as injustiças no campo, melhorar sua produção. São os pequenos produtores, muitos deles ex-sem-terra assentados, que produzem a maior parte do alimento que vai para a mesa do brasileiro, e são eles os que mais empregam mão-de-obra rural. É lamentável que sempre que se tenta fazer alguma mudança no campo erguem-se as vozes em defesa da permanência do estado atrasado e de injustiça aí existente, desde as capitanias hereditárias. E o pior, os grandes fazendeiros se acham no direito de se armarem, formando temíveis milícias de jagunços, hoje chamados de seguranças.
JOSÉ ANTÔNIO TRINDADE (professor) - Curitiba

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