CARTAS
Desabafo
Decididamente esse respeitável diário não tem, ultimamente, boas notícias a seus leitores, apesar de seu inegável direito de informar. A manchete desta terça-feira - ''Alunos sofrem efeitos da crise'' - nos faz ter a certeza de que essa atual democracia só existe para uns poucos. Embora assegurada na Constituição Federal (para mim, uma grande piada) a educação tal qual a saúde pública, são motivos de piedade. Enquanto há verbas e mais verbas para os aditivos contratuais, gastos em publicidade (para quê?) e os vergonhosos salários e acessórios dos ocupantes da Assembléia Legislativa, e evidentemente seus apaniguados, a população sofre sem poder reclamar. Os desmandos, a falta de seriedade por parte dos políticos - em todos os níveis frise-se bem -, acabará por levar-nos a exercer nosso direito de cidadania.
Algum paranaense já parou para pensar quanto custa por mês manter os deputados estaduais, os aspones, verba de gabinete, gasolina, anistia das multas, papel, telefone, energia elétrica e água daquela profícua casa de leis (que mais parece a casa da mãe Joana)?
Por derradeiro, onde estão os bilhões da CPMF, se continua morrendo pessoas decentes por falta de medicamentos nas farmácias e vagas nos hospitais?
TADEU ARILSON STULZER (advogado) - Londrina
Bom-senso na educação
Acostumados que fomos a presenciar medidas desastrosas de governos anteriores, em vários campos, sentimo-nos propensos a aplaudir as de bom-senso no atual, sobretudo no que se refere à educação. Claro que aguardamos com expectativa otimista decisões em outras áreas, como na questão do pedágio. As medidas já tomadas em favor dos educadores e da educação do ensino médio e fundamental, ainda que não sejam inovações que surpreendam os educadores, mas o resultado do bom-senso ao atender-lhes antigas reivindicações, merecem ser reconhecidas como um avanço da atual administração. Entre elas, por exemplo, o pagamento do terço de férias, prometido para o início das próprias férias.
Havia contra-senso maior do que pagá-las depois delas, e em parcelas, como fazia o governo anterior? São de se destacarem também a elevação de 10% para 20% da hora-atividade; o restabelecimento do contra-turno nas escolas de 1 a 4 séries; a promessa de eleições democráticas para diretores das escolas. Outra decisão louvável do secretário da Educação é o seu compromisso de lutar junto ao governo federal pela manutenção dos 25% dos impostos para a educação.
Felizmente, parece superada no governo, questão de bom-senso também, a insistência em compensar a falta crônica de reajuste para os professores com o abono (estilo Fome Zero) de R$ 50. Recentemente, entretanto, uma parcela de professores se surpreendeu com a quebra de uma regra do RDT, que estabelecia a contagem de tempo pela média entre o cargo mais novo e o mais antigo. Ao menos houvesse uma compensação através da anulação de outra regra, que permitisse a aposentadoria em separado de cada padrão. Fora isso, esperamos que o bom-senso continue imperando neste governo, favorecendo sempre as condições para uma boa qualidade de ensino.
JOSÉ ANTÔNIO TRINDADE (professor) - Curitiba
Qualidade do ensino
Eu sou um professor, assim como o leitor Sérgio Toreto o é em boa parte do seu tempo de trabalho, e deixo claro que se a maioria dos alunos está concluindo o ensino fundamental e médio semi-analfabetos, a culpa é de todas as partes envolvidas no processo educacional. Os pais precisam estar mais próximos da escola, os alunos precisam se conscientizar que têm de estudar com seriedade, os professores precisam rever metodologias de ensino e formas de avaliação, os pedagogos e diretores devem auxiliar os educadores e o governo deve estruturar bem as escolas e remunerar dignamente os mestres. Só assim, com um trabalho conjunto é que vamos ter educação com qualidade aceitável.
Agora, dizer que avanço de série, não reprovação e recuperação paralela, cursos à distância e tele-salas de aula são recursos criados pelo governo para distribuir diplomas é uma verdadeira mentira. O que precisamos é fazer com competência o aluno avançar, passar de série sabendo conteúdos essenciais e recuperá-lo antes que ele reprove. Cursos à distância e tele-salas são opções que um país continental como o Brasil não pode desperdiçar. Mas é preciso eficiência, de todos.
VACIL DA SILVA (professor) - Goioerê





