CARTAS
A ética e o bizarro
Não podemos mais ficar espantados com o que ocorre no Brasil como se algo fosse impossível ou inacreditável. O que aconteceu com o empresário Silvio Santos, dono de uma das maiores fortunas e emissoras de televisão no País, foi bizarro e antiético. Refiro-me à entrevista que concedeu à jornalista da revista Contigo, que faturou em cima da suposta tragédia do ''homem do baú''.
Silvio Santos disse que estava numa cadeiras de rodas, muito doente e que não voltaria mais ao Brasil porque iria morrer logo. Isso para a imprensa sensacionalista foi um prato cheio. Emissoras de televisão corriam para todos os lados, jornais do mundo inteiro correram atrás da notícia. A revista Contigo vendeu 230 mil exemplares com a suposta tragédia. Como no Brasil as pessoas têm ingenuidade e inocência de já começarem a chorar, acender velas, fazerem promessas, todas as religiões foram mobilizadas pelo restabelecimento da saúde do ''homem do baú''.
Mas a mentira tem sempre perna curta e, dois dias depois de circular nas bancas, veio o desmentido via SBT dizendo que foi só uma gozação, ironia e uma ''pegadinha'' do Silvio Santos. Ele estava bem de saúde e viria dos EUA gravar o seu programa também bizarro. Para todos nós fica uma reflexão como podem essas pessoas abusarem tanto da ingenuidade do povo? E logo o Silvio que sempre se aproveitou dos coitadinhos e sempre arrecadou muito no seu Baú da Felicidade, Telesena, Show do Milhão, etc.
JOSÉ PEDRO NAISSER (aposentado) - Curitiba
Pedágio e encampação
De onde o advogado Rubens Roberti tirou essa idéia de que a encampação das praças de pedágio pelo governo vai contra os interesses da população? Será que ele teria em mãos um abaixo-assinado com mais de 50% de assinaturas de cidadãos paranaenses que pagam pedágio para provar isto? Para dizer uma bobagem dessas, ele deve estar defendendo indiretamente interesses das empresas de pedágio. Com a encampação do pedágio pelo governo, os valores podem ser reduzidos até a metade do preço atual, que em pouco tempo dará para pagar as indenizações e ainda gerará grandes lucros para os cofres do governo.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê
Aviso aos navegantes
Estão abertas as inscrições para o vestibular da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Há quem diga que é a melhor universidade do Paraná. Aos futuros universitários: não se iludam. Certamente na UEM os neo-acadêmicos encontrarão professores de altíssimo nível, que podem até representar a maioria. São verdadeiros mestres, doutores, pessoas que realmente estão envolvidas no processo de ensino acadêmico e que certamente merecem nossas congratulações. Mas os alunos devem estar atentos para o fato de que na universidade temos também uma grande quantidade de docentes ''escorados'' na instituição, que tornam o aprendizado difícil e às vezes impossível.
São professores que estão na UEM esperando tão-somente o almejado dia de se aposentarem. Não há a preocupação com o conteúdo das aulas e tampouco se os acadêmicos estão ou não aprendendo. Aliás, existem professores que sequer ministram aulas e, sim, passam qualquer coisa para os acadêmicos lerem e seja o que Deus quiser.
Em uma instituição privada, esses professores teriam a ''vida curta'', mas como a instituição é pública e nossos professores não podem ser punidos pela maneira que lecionam, o máximo que os coordenadores de curso podem fazer é pedir para que eles mudem o jeito de dar aula e, se não mudarem, fica por isso mesmo, não havendo qualquer tipo de punição.
Tem professores imitando o Instituto Universal Brasileiro, dando aula via correspondência. Você recebe a matéria por e-mail e só no dia do teste o acadêmico terá a oportunidade de saber o quanto é autodidata e o que realmente conseguiu aprender. A biblioteca é por demais desatualizada, sem contar outras máculas que prejudicam o aprendizado. Juntamente com essas deficiências, vem a desmotivação e a falta de interesse dos acadêmicos por determinadas matérias, matérias estas que certamente farão falta no futuro.
Infelizmente, os pretendentes a entrar na UEM precisam ficar sabendo destes contratempos, pois a imagem que nos é passada pela mídia pode não espelhar totalmente a realidade. Fica, então, um alerta de quem está lá dentro e que um dia também sonhou com a UEM sendo uma instituição pública e de qualidade.
EDJAN BALDO DE CARVALHO (estudante) - Maringá





