Quem poderá nos salvar?
Uma das instituições de maior responsabilidade social, novamente corre o risco de ter suas portas fechadas. Se trata da Acalon - Escola Oficina, localizada na Zona Norte de Londrina. Motivo: o mesmo dos anos anteriores, a escola depende da renovação de contrato com o governo estadual para obter subsídios necessários.
A Prefeitura e a secretaria de Ação Social deixam de fazer sua parte para evitar que isso aconteça. Além de pressionar a coordenação da escola com a intenção de aplicar outro projeto no local, municipalizando a entidade, o auditor Osvaldo Lima, contador da escola, acusa a mesma de uso indevido de verbas.
Diante da idéia do projeto elaborado pela gestão atual, o que mais me deixa insatisfeito, é a velha mania de deixar de dar continuidade ao trabalho de outras gestões, como nesse caso. Não seria mais interessante, e menos trabalhoso, dar continuidade ao trabalho maravilhoso que vem sendo feito pela instituição, e adaptar ao mesmo um programa com reformas necessárias, de modo que as reformas beneficiaria, tanto os educadores, que continuariam na escola, quanto aos alunos e a comunidade.
O futuro dessas crianças também dependerá do que for investido hoje. Porém, convém lembrar que o investimento que é negado à Escola Oficina, no futuro será obrigatoriamente aplicado a órgãos de recuperação de jovens como o CIAADI, entre outros, já que a instituição com as portas fechadas não poderá desenvolver o trabalho, digno de méritos, que vem desenvolvendo junto aos alunos.
FERNANDO L.M. SILVA (auxiliar administrativo) - Londrina


Aposentadoria
Não haverá mais aposentadoria no setor público. Estamos diante de um divisor de águas. Antes o servidor era incentivado a aposentar-se, pois os que estavam no fim de carreira recebiam mais dois níveis, além dos 20% previsto no art. 184 de lei própria, que foi abolido nos anos 90. Agora nesse novo redesenhamento do ''Estado'' está se dizendo justamente o contrário. Se o servidor quiser se aposentar que o faça por sua própria conta, ou muitos irão morrer trabalhando visto que a aposentadoria compulsória será elevada para os 75 anos de idade muito brevemente. Como ninguém irá pedir sua aposentadoria perdendo dinheiro, dentro de um determinado tempo o País terá em seus quadros públicos uma população bastante envelhecida, onde a oferta de novas vagas será drasticamente diminuída. Se isso é bom ou ruim para a sociedade que necessita dos serviços públicos, somente o tempo dirá, quando então novas correções terão que ser feitas.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina


''Cultura de morte''
Ao mundo anunciou-se a morte dos filhos de Saddam Hussein, de Qusay e Uday (aqui, não pretendo questionar o que foram), como se anuncia um novo produto no mercado. A morte é celebrada como acontecimento histórico. Não a morte natural - com raras exceções de ídolos, celebridades - esta é escondida, camuflada. Entra-se pela porta da frente do hospital e sai-se pela dos fundos. Como se morrer por doença ou velhice fosse um incômodo para a sociedade. Morrer no anonimato não gera lucros, ibope, não movimenta moedas, não dá o que falar. A morte violenta, provocada é anunciada com pomposas manchetes, é o assunto do dia e faz circular milhões. Bem característico da ''cultura de morte'' que destrói o sentido da vida e o substitui dando significado à morte. Neste sentido, o século XX foi um exemplo e o XXI não deixa por menos.
Não precisamos ir longe para observar isto. Para que a minoria tenha ócio, à maioria é imposto um trabalho alienante, sem perspectivas, que nada tem de criativo ou prazeroso, onde o trabalhador morre todos os dias nas longas filas de hospitais, UTI's, filas de ônibus, de emprego; na luta por um pedaço de pão, terra ou moradia, ou para manter a esperança. Mas como há uma teia universal que interliga todas as formas de vida e existência, isto é, tudo é interdependente, o ócio dos poucos, certamente não é tão criativo, libertador, em muitos casos, inverteu-se em escravidão de consumo supérfluo, na falta de objetivos, depressão e morte. Não necessariamente morte física, mas morte de vida com significado.
Enquanto não pensarmos eticamente, não numa ética local, cultural, mas universal a todos os seres vivos ou não, pressupondo não estar sobre os outros mas com os outros, milhares de anônimos ou célebres perderão suas vidas sem direito a serem ouvidos, atendidos ou julgados, dando continuidade à ''cultura de morte'', incentivada pelo acúmulo de capital. No atual sistema sócio-econômico, muitos precisarão morrer para que poucos possam viver. Uma contradição e oposto ao que o Mestre ensinou: ''Que todos tenham vida e a tenham em abundância''.
MARLENE ANA KIEWEL (escritora) - Curitiba

Correção
- Diferentemente do que a Folha publicou ontem, na reportagem ''Justiça nega liminar a suspeitos de fraude'', o segundo exame de transferência externa para o curso de direito da UEL foi realizado no dia 29 de junho. Dessa forma, a segunda comissão designada para apurar possíveis irregularidades inicia os trabalhos semana que vem, transcorrido cerca de um mês das provas.

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