Reforma da Previdência

Imaginem a reação do presidente Lula e dos atuais governadores, senadores e deputados federais, se os eleitores iniciassem um movimento objetivando encurtar os seus mandatos e a realização de eleições para substituí-los. Com razão, os mesmos alegariam que foram eleitos com base na legislação eleitoral vigente e que seria ilegal e mesmo imoral qualquer intenção de reduzir os seus mandatos, substituindo-os. Alegariam ainda que seria mudar o regulamento no meio do campeonato em andamento. Pois é isto o que vem ocorrendo no Congresso Nacional, na tramitação da Reforma da Previdência.
Querem aumentar a idade para aposentadoria (novamente, pois isso já foi feito em 1998) e limitar as aposentadorias e pensões dos servidores em atividade, e ainda, taxar as aposentadorias dos servidores inativos. Concordo com a necessidade de que seja feita uma reforma na Previdência, pois hoje é possível que uma pessoa que contribuiu a vida toda sobre um salário mínimo, possa, com apenas 10 anos de contribuição no serviço público, aposentar-se com vencimentos integrais de um juiz (ou seja, receber sem ter contribuído para tanto). Também é possível que presidente da República, governadores, senadores e deputados se aposentem com os supersalários do cargo, sem terem contribuído durante os 35 anos (ou 30 se mulheres).
Porém o que não dá para admitir, é mudar-se a regra durante o jogo, ou seja, servidores que durante toda a sua vida funcional (30/35 anos) contribuíram sobre a totalidade de seus vencimentos, sejam agora escolhidos como os responsáveis pelos desmandos e desvios que causaram o rombo na Previdência Social. O servidor público contribui com 11% sobre os seus vencimentos, independentemente se recebe R$ 240,00 ou R$ 5 mil.
Defender uma reforma da Previdência que busque diminuir os valores que os atuais servidores públicos têm direito a receber, como aposentadoria ou pensão, é tão ou mais imoral quanto defender novas eleições para presidente da República, para governadores ou para deputados federais.
ROBERSON SHINOKI (funcionário público) - Londrina

Meu pedaço de chão

Ibiraci, pequenina urbi (cidade) espremida entre a serra de São Roque e as barrancas de Rio Grande, rio mineiro que tromba com a barragem da usina de Peixoto, formando assim a represa do mesmo nome. Esta represa é ladeada por imponentes montanhas que formam uma das mais lindas e mirabolantes paisagens. Paisagens estas que fazem frente ao mais bonitos lagos e represas de todo mundo.
Ibiraci está situada no sudoeste do estado das alterosas (Minas Gerais). A nossa cidadezinha é um diamante incrustado nesse pedaço de chão mineiro à espera de turistas. Famosa por ser amável aos visitantes, e que são sempre recebidos de braços abertos.
Sertaneja por natureza, Ibiraci carrega no solo o orgulho de ser mineira. lbiraci é um pequenino ponto no mapa de Minas, mas é também imensa na hospitalidade. Seus distritos ou patrimônios se juntam com orgulho à nossa cidade para formar com ela um município que produz um dos melhores café do mundo. No teu chão ergue-se ainda a secular e inigualável igreja de Nossa Senhora do Rosário que reparte com São Benedito, o monumento religioso que nossos antepassados, os escravos, construíram para posteridade.
PAULO CÉSAR JORGE (dentista) - Londrina

Classe média

Leio que a classe média brasileira deve 79 bilhões de reais. Deve nos cartões de créditos, no cheque especial e nas linhas de crédito. Tem fama de ser má pagadora. Atrasa as contas, quando paga. Além das despesas com telefone, celular, Internet, canal a cabo, colégio particular, prestação do carro ou dos carros, plano de saúde e outras coisinhas que oneram os custos da classe média e parecem estar acima de suas possibilidades.
A classe média empobreceu, luta para manter as diferenças que lhe separam da classe baixa. Há quem diga que a classe média não existe mais, restaram apenas duas classes, ricos e pobres. O fato é que ainda entra nas estatísticas sociais a classe baixíssima, aquela que passa fome e nem tem onde morar. Come graças ao Fome Zero, está abaixo da linha de pobreza. E são milhões de pessoas.
A classe baixa está com fama de boa pagadora, tem o nome limpo e paga as prestações dos eletrodomésticos em dia. Logo, ela não quer ser confundida com a classe média, que vive de aparências e está com má fama.
Com a classe consumidora endividada, perdendo o crédito e as posses para consumir, o mercado não vai ter pátio para estacionar tantos carros novos e estoque para armazenar tantos produtos e lançamentos, atrativos que a classe média tanto gosta de consumir, mas sem dinheiro e crédito, não vai às compras.
A próxima vítima é a classe baixa: domésticas, operários, comerciários e outros correm o risco de perde o emprego.
BETO WOICIKIEVIZ (consultor de etiqueta) - Londrina

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