Delazari e o MST
Ontem, tive a oportunidade de assistir a um dos espetáculos mais tristes e patéticos da história política do Paraná. Um espetáculo surgido da raiva, do ódio, da falta de bom-senso com que Roberto Requião governa (?) este Estado. Em um telejornal, o secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, afirmou para o Estado inteiro ouvir que ''a função da Secretaria de Segurança Pública é proteger esse povo (o MST) da violência...''.
Claro, os proprietários e trabalhadores (mais de 2,5 mil) que perderão seus empregos são irrelevantes. O pior desta afirmação é que parte da boca de um promotor de Justiça, aparentemente alçado ao posto de secretário por motivos que ficaram bem claros na entrevista.
Questionado sobre a violência do MST, sobre armas e mortes no acampamento, limitou-se a usar os chavões que aqueles que nada resolvem costumam usar. Ao ser confrontado com uma gravação onde o ''líder'' do MST afirma que suas armas são foices e facões, e que iriam usá-las para resistir, e instado a afirmar se iria ou não desarmá-los, mais uma vez não respondeu, demonstrando claramente que não vai.
Nessa entrevista, o secretário agiu como um porta-voz do MST. Aparentemente, o sr. secretário desconhece até mesmo sua missão como secretário da Segurança. Sua missão não é proteger esse ou aquele grupo. É proteger toda a sociedade, zelar pela manutenção das leis. Aparentemente, o sr. Luiz Fernando Delazari desconhece isso. Fala em negociação, diálogo, promessas do MST.
Talvez seja por isso que o Paraná está, aos poucos, sendo sugado para o caos. Os responsáveis por proteger-nos preferem a demagogia, a falta de ação, a omissão. Cabe a toda cadeia produtiva do agronegócio, produtores e empregados, lutar para defender o direito ao trabalho, à produção. Quem sabe deixar de plantar uma safra de soja? Será que a enorme produção do MST vai garantir os impostos que sustentam esses senhores que insistem em nos abandonar? Ninguém mais acredita que esses elementos querem terra. Só os tolos.
HWIDGER LOURENÇO FERREIRA (estudante) - Londrina

Banda Champagnat
Excepcional a apresentação da Banda Marcial Marcelino Champagnat no último domingo nas dependências do Teatro Marista, e que despertou vívidas emoções para os aficcionados do gênero. A Banda Marcial Champagnat que é constituída inteiramente por denodados voluntários sem qualquer remuneração, teve a regência de Francisco Assis (Maradona, Pranchinha ou Chicão para os mais chegados) e desenvolve paralelamente um trabalho de formação de novos músicos. Londrina pode se orgulhar dessa banda que nada deixa a desejar entre suas congêneres e mesmo às dos Estados Unidos, o país das bandas. Excelente a idéia dos organizadores do 23º Festival de Música de Londrina, maestro Norton Norozovics e professora Magali Kleber, a quem cumprimentamos por essa iniciativa.
ARISTIDES A.J. MAKOWICH (médico e musicólogo) - Arapongas

Desconsideração
Há momentos de orgulho, grande satisfação e senso de missão cumprida na vida de cada músico. Foi assim que nós, todos os membros da Orquestra de Câmara ''Solistas de Londrina'' (OCSL) regressamos de Juiz de Fora (MG), no último dia 14, depois de enorme sucesso perante as 2.500 pessoas que compareceram ao Theatro Central daquela cidade onde se realiza o Festival Internacional de Música. A pedido do público voltamos várias vezes ao palco para executar obras do repertório do CD ''Imagens Brasileiras'' que recentemente ganhou o Prêmio ''Saul Trumpet'' para melhor CD Erudito do Paraná 2002 e está indicado para o Prêmio TIM (Ex-Prêmio Sharp), concorrendo nas categorias de Melhor CD erudito e melhor Projeto Visual.
Em Londrina, veio a decepção. Os CDs ''Imagens Brasileiras'' (OCSL) e do Duo Camerístico Jairo Chaves e Irina Ratcheva (membros da orquestra) tiveram sua venda proibida na ''boutique'' do Festival de Música de Londrina por ordem do diretor artístico do FML, maestro Norton Morozowicz. A alegação apesar do consentimento prévio da diretoria do Festival é a de que o lugar é para venda somente de CDs dos professores do Festival.
Não é a primeira vez que a direção do Festival desconsidera este grupo que, por sua reconhecida qualidade artística poderia fazer parte da programação deste evento. Diante dos fatos é inevitável questionar: Qual é a função de um Festival de Música? Por que o repúdio por uma orquestra londrinense que hoje é destaque nacional? Por que ''esconder'' o talento de nossa cidade ao invés de orgulhar-se dele?
Gostaria de poder acreditar, como artista, nas palavras divulgadas sobre este Festival: ''A preocupação deste evento com o resgate, registro e divulgação da música brasileira, o cuidadoso planejamento da programação artística e pedagógica refletem o compromisso com a valorização do nosso patrimônio cultural.'' Agradeço, sinceramente, à diretora pedagógica do Festival, Magali Kleber, e à assistente pedagógica, Solange Batigliana, por buscarem esclarecimentos que resolvam este ''mal-entendido''.
EVGUENI NIKOLAEV RATCHEV (maestro) - Londrina

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