CARTAS
Prefeito Nedson
Venho por meio destas humildes palavras pedir para o senhor, que tem o poder em suas mãos, nos ajudar a ter um lugar mais digno de viver. No tempo da campanha, vocês homens bem vestidos vinham na favela pedir para nós, pobres coitados, ajudá-los a vencer. Por trás das nossas peles queimadas do sol, de tanto carregar água e lenha para cozinhar e lavar roupas, tem uma coisa de muito importante, nós pobres esquecidos nas mais humildes favelas, é o nosso voto que leva vocês aos grandes poderes de governar uma cidade ou um país. Se homens tão ricos de estudos pensassem no que estou pedindo, é uma coisa tão mínima entre outras...
Nedson, olho para os grandes prédios e tão ricas mansões de mesas fartas e tudo que sonhamos é com uma cozinha com água e luz. Somente isso que te peço. Não queremos abraços e apertos de mãos com sorrisos nos lábios só nas campanhas políticas com tantas promessas e palavras enganosas. Depois que as urnas são abertas e começa a contagem dos votos, a maior parte dos pobres fica cheia de esperança de um governo melhor, enquanto vocês candidatos ficam de olho na tela, por trás de uma cortina de promessas falsas... e aí voltamos para um barraco que chove dentro.
Há mais de três anos, sem retorno, nem vereador vêem nossos problemas. Será que teremos que esperar mais uma campanha política?
MARILZA VALENTIM (moradora do assentamento Novo Amparo 2) - Londrina
Arbitrariedade
''É espantosa a força do interesse privado contra o bem de todos. Para defender 5 milhões de privilegiados, vão contra 160 milhões de brasileiros, mesmo que depois não haja mais dinheiro para pagar ninguém.'' Há vários dias venho tentando pôr no papel a indignação com a greve dos servidores públicos e não sabia como até ler o comentário acima de Arnaldo Jabor. Cheguei à conclusão de que tudo o que os servidores estão fazendo não passa de pura arbitrariedade. Já não chega terem estabilidade, querem mais o quê? Nós, simples mortais, não temos por direito (aposentadoria diferenciada). Pergunto a eles o que têm de melhor que nós empregados? A reforma da Previdência tem a ver com privilégios, como aposentadorias de mais de R$ 20, R$ 30 mil, bancadas pelo dinheiro público e garantidas por lei. Uma minoria que contribuiu com muito pouco para um benefício tão grande.
FABIO JOÃO BINO BURIGO (encarregado de departamento pessoal) - Londrina
Pátria amada
Brasil, o que houve com o brado retumbante? Por que o sol da liberdade ainda não brilhou? Por que o penhor da igualdade ainda não foi conquistado? Oh, pátria amada idolatrada nos salve! Porque de sonho intenso e de esperança nós estamos cansados se em teu formoso céu resplandece a imagem do cruzeiro, nós só conseguimos ver fome, miséria, desemprego e injustiça social. Se és gigante pela própria natureza, por que muitos não têm nem onde morar? Se teu futuro espelha tua grandeza, teu presente reflete um passado de exploração e desrespeito. Se és mãe gentil, por que apenas alguns estão deitados em berço esplêndido? Se teus campos têm mais flores, por que a maioria vive de espinhos? Diga verde-louro, paz no futuro, glória no passado e dignidade no presente, e então verás que um filho teu não foge à luta!
ADÃO FERNANDES (policial militar florestal) - Ibiporã
Cebola
Seu nome era Gerson, mas era mais conhecido como Cebola. O apelido surgiu em uma festa onde colocou em seu pescoço um colar de cebolas penduradas. Infelizmente, ele partiu. Deixou em nossas lembranças aquela pessoa alegre que gostava imensamente de curtir a vida. Ouvir uma boa música, ler um jornal e ver um bom programa de TV eram suas diversões prediletas.
Também não dispensava a conversa com os amigos no bar. Colocava as notícias em dia, debatia a política e alegrava a todos com suas piadas. Em casa, bastava um CD romântico para que as lembranças aliviassem os problemas da vida. Seu maior orgulho era seus quatro filhos. Eram seus anjos. Foi um bom pai, amou e foi amado.
Cebola, você partiu e deixou em nós não a tristeza mas muita saudades. Que os anjos te recebam com muita alegria, a mesma que você passava a todos nós. Aqui na terra, fica o agradecimento aos médicos e enfermeiros do HU que tentaram amenizar seu sofrimento. Fique com Deus!
ALICE DELAMUTA DELLA BARBA (professora aposentada) - Londrina





