CARTAS
Ainda o Jóquei
Informo o associado Jóquei Club que não está inteirado sobre a ''desapropriação'' do terreno do clube, às margens da BR-369 nas proximidades do Moinho de Trigo. A diretoria constituída por meia dúzia de sócios, encabeçada por seu presidente, antes de consultar o quadro associativo através de assembléia geral, conforme determina o Estatuto Social, encaminhou ofício ao prefeito ofertando pelo patrimônio dos sócios a irrisória quantia de R$ 2,3 milhões. Isto antes de a prefeitura constituir comissão de avaliação. Houve entendimentos extra-oficiais e políticos, já que o diretor-presidente era também presidente de partido político do bloco de apoio ao prefeito, além do vice-prefeito e um dos secretários serem filiados a esse partido.
Dias após foi constituída a dita comissão, presidida pelo secretário citado e, por coincidência, secretário também da diretoria do Jóquei e, mais coincidentemente ainda, proprietário de terrenos em volta do imóvel do Jóquei
Clube.
Então, após ''exaustivos trabalhos'', chegou-se à conclusão de que os 254.444,43 m2, valeriam R$ 2.391.777,60, perfazendo a quantia de R$ 9,399 o m2, valor incompatível com o mercado imobiliário na região. Há cerca de três anos foi recusada uma oferta de determinado supermercado por um valor bastante superior ao valor oferecido.
O diretor-presidente, após o encaminhamento do ofício retro aludido, convocou assembléia geral, para dar respaldo legal na aprovação do preço aventado por ele em parceria com o prefeito, no entanto, a assembléia negou autorização para o seu intento.
Nesta altura dos acontecimentos, a ''asneira'' já estava feita. A prefeitura utilizou-se do tal ofício no intuito de legalizar ajuizamento de ação de ''desapropriação'', com o respaldo do presidente, mas sem o consentimento dos sócios, que são maioria, e as assembléias gerais, órgão máximo de decisão no âmbito da sociedade.
Inacreditavelmente, o diretor-presidente contratou como patrono do clube, o irmão do tesoureiro da diretoria, para questionar em juízo o valor atribuído pela prefeitura e por ele próprio, como forma de se justificar perante os associados. Numa ação deste tipo contra a prefeitura, quinze anos é pouco tempo para se ter uma solução.
Abertura de hipódromo em cidade de interior, na atual conjuntura econômica do País, é totalmente inviável. Os sócios dão preferência pela venda pura e simples, rateando entre eles o resultado da mesma, apesar da miséria recebida.
ROBERTO ANTONIO DE CARVALHO (microempresário) - Londrina
Economia estagnada
A economia brasileira está estagnada, à beira de uma recessão. E isso não é novidade para o empresariado local. Em abril, as empresas brasileiras de vestuário tiveram uma queda de 35,7%. Mesmo sem olhar os indicadores econômicos nacionais, que apontam queda da produção industrial, vendas e renda dos brasileiros, sabemos que nossa economia vai mal. Sabemos disso porque independente da análise fria dos números vemos, em nosso cotidiano, que o povo não tem dinheiro para consumir nossos produtos e que em crise, as empresas têm de aplicar medidas drásticas como as demissões. Percebemos isso também quando temos dificuldade em adquirir crédito para o setor produtivo, por conta das altas taxas de juros, enquanto aqueles que em vez de produzir especulam, e são os grandes beneficiados nessa situação.
A política econômica aplicada para reduzir a inflação anual de 20% para 8%, foi um remédio amargo para as indústrias. Com a taxa de juros nas alturas, superávit fiscal de 7% (fazendo com que o governo corte gastos), e revalorização do real ameaçando as exportações, a crise está conseguindo atingir todas as empresas, sejam elas de grande ou pequeno porte.
As promessas do novo governo de privilegiar o setor produtivo precisam se tornar realidade urgentemente. Qualquer demora na reversão deste quadro pode ser fatal. Basta vermos quantos empregos e empresas estão morrendo diariamente. Uma guinada na política econômica, inclusive, ajudaria o governo a cumprir suas outras promessas, como o fim do desemprego e a fome. Uma vez que só com a economia no rumo certo é possível atender à população, não de forma assistencialista, mas com emprego e dignidade.
MARCOS TADEU KOSLOVSKI (presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Paraná) - Londrina
Frutos da nação
Durante as aulas, em escolas diferentes em que trabalho, pude observar um fato lamentável com a chegada das férias de julho. Poucos alunos fazem planos de viagens, piqueniques, etc, junto com suas famílias; outros combinam entre si a execução de caixas de engraxar para trabalhar; muitos outros imaginam a quantidade de sorvetes que vão vender e, é claro, torcendo para que o frio não chegue. Cada um colocando-se dentro de sua classe social.
Essas crianças são filhos das injustiças dessa nação. São alguns dos muitos renegados vivendo de migalhas. Para elas, não existe o medo nem a vergonha de se expor junto à sociedade. E os grandes de nossa sociedade, será que enxergam essas crianças como gente?
O assunto do momento é a reforma da Previdência. Sabemos que é uma das saídas para o governo diminuir seus gastos. No entanto, o que se vê é muita resistência, pois os grandes não querem que mexam em seus bolsos. E os pais dessas crianças, será que algum dia trabalharam com carteira assinada para poder se aposentar pelo menos com um mísero salário mínimo? Será que essas crianças, um dia, terão a oportunidade de ter um emprego, uma aposentadoria justa, caso essa reforma não aconteça?
A ganância e o poder fazem dos seres humanos pessoas frias, calculistas, egoístas que só vêem a si mesmas. O poder continua sendo o fruto da ganância e vice-versa. E essas crianças que crescem com os pés descalços nesta terra de ninguém, são frutos do quê?
VERA LUCIA GARCIA GRANDE (professora) - Marialva





