Na contramão

O trânsito de Londrina beira o caos todos os finais de tardes, principalmente no centro da cidade. Algumas ruas ficam intransitáveis e, quando chove, os acidentes se tornam inevitáveis. Muitas cidades, por todo o mundo, reorganizaram o sistema viário urbano investindo na qualidade e eficiência do transporte público, porém, a administração pública local caminha na direção oposta.
A cidade conviveu recentemente com preços abusivos na venda de combustíveis. Nesse período, não foram poucas as pessoas que resolveram trocar a eficiência e o conforto de seus automóveis pelo transporte coletivo, devido à economia que este último lhe proporcionava. É evidente que, quanto mais as pessoas utilizarem o transporte público em vez de seus carros, menos automóveis teremos transitando pelas ruas facilitando, assim, o fluxo de veículos, aumentando a eficiência do transporte e reduzindo os riscos de acidentes.
Atualmente, houve uma inversão nesse panorama, os preços dos combustíveis tiveram uma redução aproximada de 20%, enquanto que a tarifa do transporte coletivo teve, no mesmo período, um reajuste próximo a esse percentual. Não nos cabe aqui discutir os méritos legais e morais desse reajuste, mas atentar na qualidade do transporte oferecido para os usuários desse sistema transporte.
Em matéria publicada ontem na Folha (pág. 3, Folha Cidade) os usuários tiveram oportunidade de reivindicar melhorias no transporte coletivo. Vários problemas foram citados, como o excesso de passageiros, a demora na espera dos ônibus e a falta de respeito de alguns motoristas e cobradores. Todos esses problemas, aliados ao aumento da tarifa, acabam provocando insatisfação na população, e quem tem a possibilidade opta pelo transporte particular.
O que mais chama a atenção é a condição de melhoria proposta pela CMTU: ''Mais ônibus e mais estrutura implicam em maiores custos. A redução da tarifa só será possibilitada se houver maior número de passageiros...''. Em poucas palavras, isso quer dizer que não é a qualidade e o preço do serviço que irá atrair mais usuários e sim a quantidade de usuários é que irá proporcionar uma melhoria qualitativa e tarifária. O passado não muito distante aponta justamente o contrário. Algo parece estar errado.
ALESSANDRO BARTEL GARCIA (professor) - Londrina

Transporte bom?
O presidente da CMTU, Wilson Sella, disse que considera o transporte coletivo em Londrina ''bom''. Ele diz isto porque não anda de ônibus, não tem que ficar na fila do 305, 107, 202, às 8 horas da manhã, esperando quase 20 minutos para poder entrar em um ônibus lotado. Você já o viu alguma vez dentro de um ônibus, já viu o prefeito, o gerente da TCGL, ou da TIL, algum vereador? É por isto que consideram o transporte bom, porque nem ele e nem outras autoridades dependem de ônibus. Só a população que sofre, à mercê da vontade destas empresas, é que sabe a qualidade do transporte.
DAVI MIRANDA (funcionário público) - Londrina

Contas públicas
Os dados seguintes foram fornecidos pelas próprias companhias. Água e esgoto Sanepar, taxa mínima R$ 23,94. Energia da Copel, bifásico até 50 kwh R$ 15,41, sem a taxa de iluninação pública e encargo capacidade emergencial. Telefone Sercomtel, taxa residencial R$ 34,16, sem as chamadas regionais metropolitanas ou serviço móvel celular. Total das taxas residenciais R$ 73,51. Esse total representa mais de 30% do salário minímo, essas são as taxas residenciais, as comerciais são ainda mais extorsivas.
Talvez o termo ''espetáculo do crescimento'' que o presidente Lula se refere: o espetáculo dos aumentos das contas públicas sob as vistas grossas de quem se elegeu à custa dessa ''massa de manobra''. Interessante pois ressaltar que reza a cartilha do FMI o aumento real das contas públicas. Desde a era FHC e agora o PT e seus ministros, os quais evidentemente adotaram tal cartilha, vem sendo amontoado sobre as costas desse mesmo povão esses indiscriminados aumentos com base no aumento do dólar, porém essa justificativa não mais pode ser aceita pelo fato de que essa mesma moeda vem registrando recordes de baixa.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina

Correção
- Diferentemente do que foi publicado na matéria ''Londrina reclama audiência com Delazari'', ontem, no caderno Folha Cidade, as entidades que compõem a Comissão de Segurança da Câmara Municipal esperam há meses uma audiência com algum representante do governo do Estado.

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