CARTAS
Panela de Pressão
Estamos todos sobre uma panela de pressão. Os serviços públicos sendo desmantelados porque não há recursos disponíveis, nem mesmo para recompor os salários dos próprios servidores. O ministro da Casa Civil tem dito à base aliada do governo sobre a sua preocupação quanto ao serviço da dívida em torno de R$ 100 a R$ 120 bilhões por ano. O montante da dívida interna chega a R$ 662 bilhões, e a externa em US$ 400 bilhões. Estabelece-se aí dois problemas que concorrem entre si: o pagamento do serviço da dívida e a demanda social, ambos crescentes.
Os juros precisam baixar, nisso todos concordamos, mas não pode ser inferior à inflação. Na verdade, os juros estão se recuperando de perdas no exercício passado, quando sofreu a ''marcação a mercado'', cujos rendimentos ficaram em média 10% ao ano, e agora projeta 16% para o atual exercício. Ao mesmo tempo, os salários dos comerciários estão sendo reajustados em 19,36%, a taxa de telefone em 25,48% e a de energia em 25%. Estou falando dos juros pagos pelos bancos a seus clientes.
Por paradoxal que seja, o mesmo empresário que grita para baixar os juros, é o mesmo que alimenta a inflação com a remarcação de preços. Quando a inflação estiver controlada, tenho a certeza, os juros baixarão.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina
Módulos policiais
O Brasil vive um momento muito difícil no que se refere à segurança, violência e criminalidade. O crescimento da criminalidade, especialmente com participação de crianças e adolescentes, vem gerando confluências perniciosas e alarmantes, de forma que o volume da ação policial não alcança a dimensão do avanço diário dos números que assolam a segurança da população.
Como resultado disso, surge um filão de mercado que, certamente, só admite profissionais com alto grau de qualificação e competência, que é o da segurança privada. Entretanto, isso não reduz o trabalho que cabe às polícias dada suas proximidades com a população, como não reduz suas responsabilidades no combate à criminalidade. Londrina, infelizmente, não escapa das mórbidas regras mencionadas. Talvez, então, possamos começar aqui um movimento mais eficaz de valorização da polícia, como autêntica forma de participação da sociedade no combate à violência e à criminalidade.
Nesse sentido, pode ser muito valoroso reiterar uma maior aproximação entre a sociedade e a polícia, principalmente porque já existe, em muitos locais e bairros estratégicos, uma estrutura pronta para tanto, que são os módulos policiais. A presença da polícia, por si só, já serve para afugentar criminosos que hoje não encontram obstáculo às suas ações ilícitas.
Por isso, com todo o respeito ao digníssimo vereador londrinense, que apresentou proposta para ceder os módulos policiais a empresas privadas de segurança, entendemos não ser a melhor forma de usar aquelas estruturas, que provavelmente foram construídas com dinheiro público, e devem servir para oferecer ao menos a sensação de segurança, a todos, indistintamente.
MARCOS COLLI (advogado) - Londrina
Rombo do pedágio
Via de regra, o Direito nos dá instrumentos eficazes, para a realização da Justiça. Todavia, a grande ferramenta do intérprete é a Constituição da República, em especial as suas normas programáticas, que refletem com vigor inegável o sentimento geral de Justiça sobrepondo tácita e automaticamente os interesses de grupos que detêm o poder. Desta forma, vale ressaltar as contradições evidentes entre o que a Constituição programa e o que os poderes públicos executam, em qualquer de suas três esferas.
Basta citar o exemplo da norma que garante o direito líquido e certo de locomoção (art. 5º, LXVIII - ir e vir), convivendo com os famigerados pedágios, em estradas simples cujo benefício foi todo construído com o dinheiro do povo e entregue graciosamente às concessionárias para bem explorarem a seu bel prazer, fazendo tão só roçadas, pinturas de placas e, às vezes, tampar buracos.
É muito pouco ou nada para tanto que recebem. Outro ponto digno de elogio, quando quis, como quis, o ex-governador criador deste anátema da noite para o dia baixou 50% no preço. Diferentemente, o atual governo demonstra enorme dificuldade, baralhando por demais sobre qual medida a tomar se encampação, se intervenção e outras vezes nenhuma delas. Aqui vai a sugestão mais viável e pragmática sr. governador: é só chamar à ordem a quem de direito onde há as praças do pedágio e fazer o desvio em cada uma delas como fez o prefeito de Cambará, cuja atitude é digna dos mais completos elogios.
ANTÔNIO FRANCISCO DA SILVA (advogado) - Ibiporã
Correção
- Ao contrário do que está sendo publicado na edição de hoje, na página 3, da Folha2, a exibição e comentário do filme ''Excalibur'' vão acontecer às 18 horas, na Associação Médica de Londrina (Praça Primeiro de Maio, 130). O horário anterior foi fornecido pela organização do 23º Festival de Música de Londrina
- Diferentemente do que informa a legenda da capa da edição de ontem da Folha, o jogador que aparece em destaque na foto é o meia Valdeir.
- Ao contrário do que foi publicado o caderno especial comemorativo ao aniversário da Sercomtel (página 15), e que foi encartado na edição de domingo da Folha, o acesso internacional pelo código 43 é 0043.





