CARTAS
Londrina não viu
A gasolina abaixou, a inflação despencou e até o dólar caiu. Só a Grande Londrina não viu. O risco Brasil detonou, o desemprego aumentou, o poder aquisitivo diminuiu. Só a Grande Londrina não viu. Mas a prefeitura aprovou a planilha que se elaborou, a defesa do consumidor anuiu e novamente a passagem (de ônibus) subiu. O estudante protestou, o trabalhador lastimou, a promotoria consentiu e a Grande Londrina sorriu. O povo pagou o preço pela conta que alguém inventou, porém, ninguém engoliu a posição de quem se omitiu. Mas a coisa não acabou. Foi assim no ano que passou e continuará anos a fio. A não ser que se acorde o brio. É isso que o povo pensou e que, talvez, não falou. É isso que o povo sentiu das autoridades do Brasil. Até quando pensarão ser imunes, tais eminências? Que contas não prestarão às suas próprias consciências? Ou só esperam do povo ações que beiram a demência? Aplauso e tapas nas costas... essas coisas de subserviência.
SEBASTIÃO FERREIRA MACEDO (professor) - Londrina
Provão e reflexão
No dia 11 de junho passado o Jornal Nacional da Rede Globo destacou que os professores de escolas públicas e particulares serão avaliados pelo Ministério da Educação no próximo ano.
Penso que o Estado realmente deveria buscar um meio de avaliar seus profissionais da educação. Mas as experiências que temos visto em relação a avaliações nos últimos concursos públicos feitos no Paraná, por exemplo, deixaram muito a desejar pois o que tem sido cobrado nas ''provas'' são geralmente conhecimentos específicos e teorias que muitas vezes corresponde muito pouco daquilo que efetivamente um professor trabalha em sala de aula.
Valores imprescindíveis como comportamento, ética, metodologia, criatividade, organização, entre outros, não são explorados nessas avaliações. Jamais um sistema de avaliação basicamente quantitativa será justo o suficiente para avaliar todo um trabalho exercido por um profissional que tem na sua essência o relacionamento humano.
Fazer uma avaliação próxima do ideal é complexo e requer muito cuidado para não cometer injustiças com os bons profissionais. Portanto, avaliar um professor não é simplesmente simular um vestibular com perguntas e respostas e pronto! Já sabemos pela sua nota se é bom ou ruim!
Agora se esse provão constar de um novo método de avaliar, mais amplo que verificasse a prática do educador, sua relação com o meio em que vive, sua visão de mundo e seus conhecimentos específicos, aí então somos plenamente favoráveis a ele. E diríamos ainda que o governo poderia eliminar os concursos públicos existentes para o quadro de magistério, já que não justificaria mais a duplicidade da avaliação. O Estado deve refletir com mais amplitude a idéia do provão.
JOSÉ BISCONSINI (professor) - Assis Chateaubriand
Reforma no Congresso
Entre tantas reformas que estão sendo propostas pelo atual governo, há uma reforma a qual ainda não se tocou no assunto e venho propor ao nosso excelentíssimo sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de uma reforma ampla no Legislativo deste país.
O objetivo é muito simples: ''Corte de custo no Legislativo Nacional''. Para isso, podemos nos utilizar de uma metodologia também bastante simples, aqui denominada de ''choque de realidade''. Ou seja, serão aplicadas aos nossos ''ilustríssimos representantes'' (ainda que seja difícil entender o significado desta palavra neste ambiente) as mesmas regras, situações e cenários econômicos com os quais vive a grande maioria da sociedade brasileira.
A proposta é: 1- Redução de 50% dos seus salários, atualmente em R$ 12.720 por mês; 2- Assim como a grande maioria dos trabalhadores neste país, apenas 30 dias de férias por mês; 3- Diminuição para a metade do número de assessores que eles têm direito; 4- Corte substancial de todos os seus privilégios (cotas de gasolina semanal, carros, apartamentos cedidos como cortesia, auxílio moradia, etc.); e 5- Investimento deste montante, que certamente será significativo, no combate à pobreza neste país.
Seguindo o estilo das analogias de nosso ministro da Fazenda, trata-se de um remédio eficaz para o paciente. Além disso, um remédio menos doloroso do que aqueles habituais (talvez assim ele entenda melhor o que quero dizer e possa me apoiar). Tenho pouquíssimas esperanças de que esta proposta siga adiante, por questões bastante óbvias, ainda que poderia me estender durante muitas linhas especificando-as. Porém, ao invés disto, prefiro fazer um apelo aos nossos ''ilustríssimos representantes'', os quais seriam atingidos de maneira impiedosa pela reforma proposta.
Por favor, tenham um mínimo de ética votando as reformas necessárias para o país o mais breve possível, demonstrando um pouco de dignidade ao trabalhar no mês de julho sem que sejam gastos R$ 15,2 milhões adicionais aos cofres públicos. Isto é o mínimo que vocês devem fazer à sociedade brasileira!
MARCIO CRUZ (estudante) - Curitiba





