CARTAS
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Dois anos de impunidade
Hoje, 30 de junho, está completando dois anos do atropelamento de meus filhos, Amanda e Lucas, e a impunidade ainda reina. Dois longos anos e a Justiça, lenta como sempre, ainda não foi capaz de punir Leandro Antonio Bertola por ter atropelado e causado a morte de duas crianças que atravessavam a Avenida Inglaterra, na faixa de pedestres, no momento em que o semáforo estava fechado para os carros.
Que Justiça é essa, que leis são essas? Feitas para não serem cumpridas? Em quem posso confiar e cobrar responsabilidade por este ato? O processo criminal se arrasta em meio a tanta burocracia e recursos que só beneficiam o infrator, o irresponsável, o causador de tanta dor e sofrimento.
Leandro Antonio Bertola não matou simplesmente a Amanda e o Lucas, mas destruiu uma família inteira, arrancou de mim o que eu possuía de mais importante e valoroso em minha vida, fez com que minha vida ficasse parada por mais de um ano, me forçando a reaprender a viver, e me faz, a cada dia, pedir forças a Deus para suportar a saudade e amenizar a dor de não poder vê-los. A cada data, como aniversário, Natal, Dia das Crianças, Páscoa, eu me sinto perdida, pois não tenho mais meus filhos.
Quando encontro com os amiguinhos de meus filhos, tento imaginar como eles estariam hoje, a Amanda com 12 anos e o Lucas com 9, parece mentira, mas agora só posso imaginar... nunca poderei vê-los adolescentes e até adultos.
Eventualmente sonho com eles, é a única forma que Deus me proporciona para matar um pouco da minha saudade, pois em sonhos posso vê-los andando, falando e até me abraçando, pois agora me apego às fotos, coisas inanimadas que já não são o suficiente para acalmar meu coração.
A única coisa que peço é Justiça! Tanta dor e sofrimento não podem simplesmente cair no esquecimento.
ANA PAULA DIAS COLONHEIS (comerciária) - Londrina
Reforma política
Neste início até então satisfatório do governo Lula, o que vemos em foco principal de seu mandato, e nas manchetes dos principais noticiários do País, são as reformas. Em primeiro plano, a Reforma Previdênciaria é a ''bola da vez''. Enfim chegou hora de pôr um fim nas absurdas aposentadorias que não condizem em nada com a realidade econômica do País, e muito menos com o que a maioria de nossos idosos recebem.
Na outra face da moeda vem a Reforma Tributária, que pode acabar, quem sabe, com os inúmeros e inúteis impostos presentes na desgastante legislação brasileira, criando um mecanismo onde os grandes aprendam a não sonegar e os pequenos tenham condições de abrir suas pequenas empresas e alcançar grandes negócios.
Então, dentro deste cenário, que mais parece um jogo de xadrez, não seria mais importante pôr em prática em primeiro lugar a Reforma Política? E com isso criar uma nova legislação a fim de reger partidos e políticos, trazendo de volta a fidelidade partidária, tornando as siglas partidárias um ente forte no desenvolvimento do País, e não como salões de baile onde a dança de seus filiados ocorre frequentemente.
FRANCISCO A. BONI (advogado) - Santa Cruz do Monte Castelo
Soja transgênica
A possibilidade de escolha de alimentos sem a transgenia seria ótima. Desde que nosso País tivesse um controle rígido de suas posições, principalmente quando relacionado com o mercado internacional, onde grandes grupos multinacionais dominam o setor e fazem de tudo para não valorizar tal produto em detrimento de seu lucro com a segregação da matéria-prima e seus subprodutos não transgênicos.
Talvez um dos maiores erros da soja transgênica foi permitir a detenção do direito de propriedade a somente uma empresa, e esta empresa sem escrúpulo nenhum conjugou-a com sua semente, seu herbicida, criando simplesmente o monopólio, para o qual há rejeição imediata. A propaganda maciça, como que querendo demonstrar que o produto traz economia ao agricultor e não faz mal à saúde, parece piorar o quadro de aceitação, pois quando nos sentimos forçados a aceitar tal situação naturalmente há a reação em contrário.
Quanto à economia, com a redução de custo pregada aos produtores de soja, é inegável de imediato, mas será que o herbicida da salvação tem um espectro que abrange todas as ervas daninhas? Seria a falência de outras empresas devido ao herbicida milagroso ? Creio que não, com o tempo teríamos que controlar ervas resistentes, e isso somado com o custo maior da semente de soja transgênica, estaríamos elevando o custo de produção a níveis iguais ou maiores que a convencional, como no caso dos Estados Unidos atualmente.
Senhor presidente, ministro da Agricultura, vire a página da soja transgênica de primeira geração e dê apoio às entidades de pesquisa (Embrapa, Iapar, etc.) e confie na capacidade das mesmas, atente para a aprovação da segunda geração em diante, onde teremos propriedades de agregação na matéria-prima, visando a melhor nutrição do ser humano. Com certeza os senhores terão a aprovação com maior facilidade por parte da população.
YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá





