CARTAS
Ajuda de custo imoral
Sem dúvida alguma somos dominados por uma grande chaga social: o crime organizado que vem substituindo o Estado em vários setores. Até quando iremos carregar este pesado fardo? Enquanto pagamos R$ 238 bilhões de juros anualmente e com uma dívida interna já ultrapassando a fronteira de R$ 1 trilhão, o brasileiro terá que arcar com mais um dissabor: engolir os US$ 30 bilhões do Banestado que roubaram e remeteram a paraísos fiscais.
A situação é revoltante. Enquanto o povo padece por um emprego mísero que seja, cada um dos deputados federais irá reunir-se em julho, no período de recesso, para ganhar a mísera quantia de R$ 25.440,00, perfazendo um gasto de R$ 15 milhões. Ah! Não se assuste, pois são as referidas ajudas de custos. Está na Constituição, nossa lei maior. Não que os referidos parlamentares não devam ganhar. Verificando qual é o verdadeiro papel de um legislador podemos dizer que é uma barbaridade, um despropósito e uma falta de respeito com o cidadão humilde e trabalhador por esse Brasil afora. Tudo isso sobre a batuta do presidente da Câmara, que é do PT.
O brasileiro, que paga seus impostos conforme exige a lei, tem o direito de saber quem são os políticos corruptos que fazem parte desta vergonha que é o escândalo do Banestado. A nação precisa e exige democracia já! Os parlamentares não dispõem de outra saída. Estão obrigados, moralmente, a exercer suas prerrogativas, gostem ou não. Caso contrário, servirão ao governo, mas acabarão destituídos pelo voto direto do povo.
O Legislativo como outra classe trabalhadora qualquer não pode endossar uma política econômica que se alimenta da exploração dos famintos e dos miseráveis. Os que dão crédito a esse sistema de política econômica, que retira do aperto salarial a sua substância, infelizmente, estão proclamando a sua irresponsabilidade ética.
GILBERTO JORDÃO (professor) - Maringá
Sem recesso parlamentar
Todo o final de ano é a mesma história. O Congresso Nacional se torna um deserto quando deputados e senadores deixam Brasília para se dedicar aos seus estados de origem, eleitores, familiares e ao descanso da vida pública. Nada contra, legislar na capital federal deve ser mesmo uma batalha árdua e estafante. O problema é que o Brasil não pára e aí, novamente, a história se repete.
Mal deixam Brasília para suas férias remuneradas, os deputados são convocados pela direção da Casa para aprovar medidas necessárias ao País. Essas convocações extraordinárias representam enormes gastos com jetons. É claro, como estão de férias, os deputados não retornam a Brasília se não houver uma recompensa financeira para abandonar seus descansos. O prejuízo que o País tem com o recesso parlamentar é grande e consome algumas centenas de milhares de reais todos os anos. As convocações extraordinárias, na maioria das vezes, são para votar reedição de medidas provisórias e algumas propostas urgentes que deixaram de ser apreciadas durante o ano legislativo.
Parece que algumas propostas deixam de ser votadas exatamente para forçar uma convocação extraordinária e garantir um salário mais gordo no final do ano. A verdade é que em política não existem férias e se o deputado ou senador tiver que trabalhar durante suas férias não deve receber nenhum adicional por isso. Certamente que seriam poucos quem sabe ninguém que deixariam suas férias na Europa ou nos Estados Unidos para se dedicar às votações em Brasília.
Para evitar os gastos exorbitantes que o País tem com as convocações extraordinárias, o recesso parlamentar deveria acabar. Isso mesmo, acabar. Isso não quer dizer que os deputados e senadores não tenham direito a gozar férias de seus afazeres em Brasília. Muito pelo contrário, poderiam fazer isso quando bem entenderem, desde que abram espaço para que o seu suplente assuma a cadeira durante a ausência.
A solução para o fim dos gastos está aí. A alternativa seria o fim do recesso parlamentar sem tirar dos políticos o seu direito de férias. Essa medida deveria também ser adotada nas assembléias legislativas e câmaras de vereadores. Seria o início de uma moralização na política brasileira.
LUIZ CARLOS CRUZ (jornalista) - Cascavel
A política de Lula
Qual a finalidade da política? Essa pergunta, no Brasil hoje, encontra-se de maneira implícita no seio da sociedade, devido aos acontecimentos com o partido (PT) do presidente da República. A política tem por finalidade discutir melhoramentos macros para uma sociedade. Partindo dessa definição começamos a ver que não é de fato o que está acontecendo. Hoje, temos visto discussões mais ideológicas do que com objetivos sociais.
Parlamentares do Brasil, por favor, discutir é possível e necessário (democracia), mas levar ideologias e razões pessoais acima do interesse nacional é irrelevante. Sem querer dar razão a um lado ou outro, temos visto em um partido como o PT que tanto lutou para adquirir uma face aceita pela sociedade brasileira uma luta interna por alguns membros acharem que só a violência ou extremismo resolve situações.
Os partidos políticos são segmentos ideológicos da sociedade, devem preconizar sua característica de forma que toda a sociedade passe a aceitá-lo. Essa é uma forma de evoluírem, porque tudo no mundo é dinâmico e não estático. A sociedade brasileira, como toda a sociedade moderna e politicamente organizada, não suportaria uma ''revolução socialista''. Imaginem o risco país? Teríamos uma evasão fantástica de capitais estrangeiros e seria o fim da nossa economia. Dessa forma, entendo que o radicalismo não seria a melhor saída.
A política deve encontrar, através do consenso entre moderados e exaltados, um meio termo que ajude a governar. O Brasil passa por inúmeras dificuldades e misérias, que acho que não é momento de termos divergências entre alas moderadas e conservadoras (ideologia radical ou ideologia moderada) de uns poucos. Talvez fosse o momento de juntarmos forças e fazermos aquilo que cabe, enquanto políticos achar soluções que ajudem a melhorar a vida das pessoas que os elegem.
JOÃO BATISTA DE LIMA (contador) - Campo Mourão





