Luz, câmera...ação

Gostaria de dar continuidade às palavras da leitora e professora Vera Lúcia Garcia Grande expondo minha opinião sobre o assunto que ela escreveu na edição de ontem, na seção cartas. A pergunta que faço não é se ''a paz voltou a reinar'' mas sim se o show acabou. Porque para a maioria de nós, brasileiros, que estamos a muitos quilômetros do ocorrido o que se mostrou foi apenas um ''filme hollywoodiano'' onde George W. Bush era o diretor. A guerra não começou agora e nem vai acabar, infelizmente. Onde o interesse é comum (dinheiro) o ''circo sempre pega fogo''.
O que aconteceu foi que ligaram as câmeras e gritaram ação para todo o mundo ver. Afinal, audiência televisiva e cinematográfica é o que os norte-americanos (''porque a América também é nossa'') mais prezam. Tudo foi como um filme de sucesso onde o único comentário nas casas, ruas, academias e trabalhos era a guerra e que após um tempo (curto) é esquecido ou substituído por outro acontecimento. Basta mudar o canal da TV.

EDSON PAULO DE CARVALHO JUNIOR (profissional de marketing) - Londrina


Privilégios na previdência

O rombo da Previdência é a causa principal do desequilíbrio das contas públicas. Este rombo previdenciário aumenta a cada ano e já se tornou um fator incontrolável. Sem uma iminente reforma do sistema previdenciário a União terá seu caixa cada vez mais arrombado. Mesmo assim, há aqueles que são contra a reforma. Alguns para não perderem privilégios, outros para não serem tratados iguais, pois perderiam tratamentos especiais. A não ser que a reforma da Previdência seja feita nas costas dos outros, pois, dá pouco a muitos e muito a poucos. Ao contrário do que acontece em outros países, o Brasil é o único do mundo onde o servidor público aponsentado ganha mais do que quando estava na ativa. Não adianta reduzir investimentos ou elevar a taxa tributária, é necessário suprimir os privilégios da Previdência, pois esse é o fastígio do rombo previdenciário.

ADRIANO MARQUES (estudante) -Formosa do Oeste (PR)

Exposição cara

Está certo que seria um grande acontecimento vermos os guerreiros de Chian e os tesouros da Cidade Proibida Chinesa no Novo Museu de Curitiba. Mas só em saber do valor do seguro destas peças, seria de bom-senso que o governo do Paraná aplicasse o dinheiro do seguro (US$ 600 mil) e o valor a ser pago pela exposição (R$ 5,6 milhões) em melhorias no Estado. Isso poderá ajudar em muito na valorização dos salários dos professores que estão há mais de 8 anos sem reajuste. Ou então equipar 35% das escolas do interior que não possuem sequer bibliotecas. Sem dizer que as escolas estão na sua maioria carentes de manutenção, pois o governo anterior preocupou-se mais em fazer penitenciárias que escolas. Enquanto uma crianca custa ao Estado R$ 150,00, um preso em delegacia sai R$ 1.200,00 e na penitenciária o valor sobe para R$ 2.659,90!

JOSÉ PEDRO NAISSER (historiador) - Curitiba


Derci Gonçalvez, 96 anos

Dia 23 de junho, Derci Gonçalvez completou 96 anos de vida. Não poderia deixar de homenagear essa mulher notável. Espero ver Derci fazer 100 anos de vida. Afinal, se a rainha Mãe, mãe da rainha Elizabeth II da Inglaterra e a mãe de todos ingleses, fez 101 anos, porque a nossa rainha Darci não pode fazer 100? Faz e adquire o título de rainha Mãe dos brasileiros.

Em 1995 vi uma peça da Derci em Londrina. Aquele tempo ela estava bem mais jovem ainda. Uma hora e tanto de show, fui porque já era fã dessa mulher incrível. Derci conquista pela idade, uma anciã que trabalha, que fala, fala sobretudo palavrão. Derci é na verdade o que todo mundo gostaria ser, capaz de dizer com todas as letras tudo que quer, tudo que precisa dizer, sem medo, sem vergonha. Na verdade gostamos de Derci Gonçalvez porque cada um de nós tem uma porção Derci ou gostaria de ter pelo menos um dia de Derci na vida.

Polêmica, controvertida, já foi tema de samba-enredo de escola de samba em desfile de Carnaval do Rio de Janeiro, já desfilou no alto de um carro alegórico e lá de cima mostrou os seios para o Brasil inteiro ver. Teve programa de televisão desde o início da história da televisão brasileira, ou seja, Derci faz parte ou é a própria história da televisão no Brasil. Já percorreu o país com shows e é respeitada e querida pelo seu público, pelo meio artístico e até por presidente da República Derci esteve na posse de Fernando Henrique Cardoso e também foi recebida no Palácio do Planalto em outra ocasião.

Amada, querida, odiada, proibida, Derci Gonçavez consegue tudo, menos ser tratada com indiferença. Essa mulher notável de quase um século de vida é parte da história da arte no Brasil, do teatro de revista, da televisão. Viveu a história política do país e os preconceitos de uma época, já foi marginalizada por ser mulher artista. Parabéns Derci Gonçalvez!

BETO WOICIKIEVIZ (consultor de etiqueta) - Londrina

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