Cheque sem fundo
  A mídia vem destacando um crescimento no volume de cheques sem fundo. Na verdade, dependendo do período analisado e da situação econômica, este volume é menor ou maior, mas o crescimento é evidente.
  É preocupante o nosso mais novo recorde. Em maio, 3,27 milhões de cheques foram devolvidos pela segunda vez, o mais alto índice desde que a pesquisa do Serasa começou a ser feita, em 1991. Discute-se a partir daí o período recessivo em que se encontra a nossa economia, os altos juros e suas conseqüências, uma delas a própria paralisia do mercado, o desemprego, enfim, a falta de dinheiro.
  Nos últimos 12 meses, chega a R$ 58 bilhões o calote por cheques que voltaram (primeira apresentação). Há um destaque grande aos cheques sem fundo sem que se evidencie que há pessoas levando calote, que há empregadores deixando de pagar seus empregados devido a cheques sem fundo, que há trabalhadores deixando de pagar a luz pelos cheques sem fundo, que há pessoas levando prejuízos por acreditar no dinheiro que, infelizmente, no Brasil, muitas vezes, não vale mais do que um papel.
  Os bancos tem responsabilidade sobre todo este processo. Deveriam eles ter mais cuidados nas aberturas de contas e arcar com prejuízos com os cheques que eles imprimiram. São instituições que ganham muito e que lucram com cada conta aberta.
  Mais preocupante é a pressão que as instituições de defesa do consumidor fazem para que as empresas aceitem cheques indiscriminadamente. Não tirando a razão destes órgãos, as empresas acabam ficando sem saída, tendo que dar ‘‘seus pulinhos’’. Certo seria que as empresas recebessem cheques de todos os clientes, com exceção daqueles com restrição por roubo, e que estes cheques, por sua vez, tivessem a mesma validade do dinheiro.
FÁBIO YOSHIMURA AJITA - Londrina
Segurança Pública
  São inúmeros e tão brutais os episódios de violência no Brasil, sendo tamanha a ineficiência do aparelho policial, que cada vez mais setores supostamente esclarecidos da população vão cedendo à tentação de considerar que o que está em curso nas grandes cidades é uma espécie de ‘‘guerra’’. E, como tal, deve prevalecer a busca da vitória, a qualquer preço sobre o ‘‘inimigo’’. Inseguros, os cidadãos perderam a percepção de que os direitos humanos são uma proteção universal e não um mecanismo para impedir que meliantes recebam o tratamento que merecem.
  Ao lançar o segundo Relatório Nacional sobre os Direitos Humanos, realizado no último dia 27 de maio, em São Paulo, o secretário da área, Nilmário Miranda chamou a atenção para indícios de que verdadeiros esquadrões da morte agem em pelo menos 14 estados. O fato de que esses grupos de extermínio permaneçam em ação, quando a democracia já vigora no País, é mais um comprovante da falência do Estado em impor a lei no enfrentamento da criminalidade.
  O descaso que caracteriza a segurança pública tem várias explicações, que vão de assimetrias sócio-econômicas ao descalabro com que foi tratada nas últimas décadas a estrutura policial, passando pelas deficiências do sistema judiciário e penal.
  É necessário, que ocorram avanços para recuperar o tempo perdido. As prioridades do governo devem ser a reforma das polícias, o combate à corrupção, o cerco ao crime organizado, ao tráfico, tanto quanto uma atuação mais eficaz com vistas à diminuição das desigualdades. É sabido que um programa com essa característica demanda tempo e dinheiro, mas não é apenas isso: urge tomar decisões porque sem isso não vislumbraremos melhorias.
VALDIR DE CÓRDOVA BICUDO - (investigador da Polícia Civil) - Curitiba
Censura a Carrano
  A censura que o poder judiciário impõe contra o escritor Austregésilo Carrano, a respeito da publicação de seu livro ‘‘Canto dos Malditos’’ é uma afronta à liberdade de expressão, principalmente no que se refere a fatos verídicos de denúncia. Sua comovente obra literária já originou o filme ‘‘Bicho de sete cabeças’’. Símbolos de luta antimaniconial. Carrano cita nomes do médico e da instituição responsável por aplicar-lhe eletrochoque nos anos 70, quando esteve internado ‘‘equivocadamente’’ num manicômio de Curitiba. Por força de uma liminar judicial, a venda de seus livros foi proibida, ou seja de vítima ele virou réu. Creio que toda vítima tem o dever e o sagrado direito de relatar publicamente as ações criminosas sofridas por outrem. Carrano que moveu a primeira ação indenizatória contra abuso manicomial na história forense, luta também pela reforma psiquiátrica no Brasil.
  Todos sabemos que casas psiquiátricas em nosso país além de depósito de gente, são verdadeiros campos de concentração, onde qualquer pessoa em estado psicológico ativamente emotivo é transformado em ‘‘bicho maléfico’’ sem coração, sem ideais, idéias e o pior: sem dignidade! Isso pela própria estrutura do estado que ainda mantém nos dias de hoje este tipo de hospital de nazismo em todo Brasil. Que a Justiça pare de fingir de cega e tire essa horrorosa venda de seus olhos!
CÉLIO BORBA - Curitiba

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