CARTAS
Bonito na fotografia
E os ''gritos de desordem'' continuam. Semana passada culminaram no atropelamento de um jovem. Fato este encarado com certa comoção e ao mesmo tempo como consequência. Vi num jornal a fotografia do rapaz embaixo do ônibus, porque já estava atropelado, só com a cabeça aparecendo, o corpo sob o ônibus... parece irônico, mas para quem queria parar um ônibus com o próprio corpo, aparecer num jornal nessa ''pose'' é aparecer ''bonito na fotografia''.
As consequências daquele acirrado protesto, que levou o jovem atropelado para o hospital e onde está até hoje, atingiu milhares de usuários do transporte coletivo, paralisado por horas, que naquele dia esperaram em vão nos pontos mais remotos da cidade por um ônibus que não passou.
Quem são os responsáveis? O comandante da Polícia Militar que apenas cumpriu sua missão de garantir a ordem, assegurando que o transporte coletivo de uma cidade não parece por causa de uns poucos revoltosos? Os ônibus que têm a função de circular e garantir a pontualidade de tantos usuários? O governo municipal? A empresa de ônibus? Ou quem lança-se à frente de um ônibus para impedi-lo de circular? Afinal deve haver meios mais organizados e sensatos de se manifestar contra, sem com isso atrapalhar a vida alheia, como por exemplo a de milhares de pessoas que precisam ir e vir.
Se esta onda de manifestações tem algum fim político, os comuns cidadãos não têm a menor idéia. 2004 é ano de eleições municipais, o voto é a forma mais legítima de fazer as mudanças acontecerem.
BETO WOICIKIEVIZ (consultor de etiqueta) - Londrina
Pedalar é saúde
''Motivados pelo alto preço das tarifas de ônibus em Londrina, usuários começam a andar a pé e a usar bicicletas.'' Que notícia ótima! Além da vantagem econômica, existe uma outra tão ou mais importante, a da saúde.
Andar e pedalar são exercícios que trazem muitos benefícios ao organismo e que são práticas comuns na maioria das cidades da Europa. Lá não existe preconceito, e é muito comum encontrarmos pessoas de todas as classes e, principalmente, pessoas idosas pedalando sua bicicleta.
Há algum tempo atrás, um fato que me chamou a atenção na vizinha cidade de Rolândia foi o grande número de pessoas usando bicicleta como meio de transporte. E pasmem, durante o tempo que fiquei na frente de um estabelecimento bancário, as pessoas chegavam e deixavam suas bicicletas em frente ao prédio sem nenhuma tranca. Quando eu vi isto, não acreditei que estava numa cidade tão próxima de Londrina e com hábitos tão diferentes. Se fosse aqui, em poucos segundos a bicicleta não estaria mais lá.
Os rolandenses estão de parabéns pelo uso saudável da bicicleta e por conseguirem ter paz e segurança!
MARINILCE F. DOS SANTOS (professora aposentada) - Londrina
Avaliação de imóveis
Não sou dado a entrar em polêmicas e controvérsias, mas não poderia deixar passar em branco a necessidade de esclarecer alguns pontos, suscitados após a carta publicada no dia 14/6, com o título ''Avaliação de Imóveis''. Não sou um expert em leis como o advogado Antonio Fidelis, o autor daquela carta, mas, com todo o respeito, não posso concordar com ele.
A lei 5194/66 é claríssima quando em seu Art. 6º diz que: ''Exerce ilegalmente a profissão de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo: a) a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, reservados aos profissionais de que trata esta Lei e que não possua registro nos Conselhos Regionais...'' (grifo nosso)
Mas deixando o campo das leis para os nobres casuísticos e indo para o senso prático. O engenheiro, em suas várias especialidades, calcula estruturas, projeta carros, executa barragens, constrói pontes metálicas, prepara a terra para o plantio.
Independente das leis: quem melhor do que ele para saber o quanto vale aquele bem? Quem melhor do que ele para saber se aquela fissura é estrutural ou da pintura? Quem melhor do que ele para saber se de baixo daquele azulejo pode existir um vazamento? Quem melhor do que ele para saber que aquela terra está precisando de correção? Quem melhor do que ele para saber que trânsito pesado daquela via já comprometeu a estrutura da casa?
Nós, engenheiros que fazemos uma Avaliação de Imóveis de forma séria e técnica, trabalhamos em sintonia com os corretores de imóveis. Não temos como trabalhar se não mantivermos esta sintonia. São eles que têm os dados para nossas pesquisas, o valor final de venda, o tempo da negociação e outras informações.
A sociedade tem que ser bem atendida, por profissionais legalmente habilitados, que sejam responsabilizados por seus erros. Somente podem ser responsabilizados quem conhece, seja ele o apartamento, a casa, a fazenda, o paciente. O engenheiro, de modo geral, não comercializa um imóvel, não intermedeia uma negociação, com suas marchas e contra-marchas. O engenheiro tem as condições legais e principalmente as condições técnicas de fazer uma correta avaliação do bem.
CLAUDIO ESPIGA (engenheiro avaliador de bens) - Londrina
Correção
- Diferentemente do que informa o texto da matéria ''LEC quer ver árbitro na 'geladeira''', publicado ontem na capa da Folha Esporte, o gol de mão do meia Diego Maradona, marcado contra a Inglaterra, ocorreu na Copa do Mundo de 1986.





