CARTAS
Professor merece respeito
Que os professores são mal remunerados e marginalizados no Brasil nós já sabemos. Mas o que tive a oportunidade de ver na última terça-feira foi humilhante: longa espera, falta de organização, descaso e falta de educação com os professores que estavam no Moringão, a fim apenas de entregar os seus títulos e diplomas devido ao concurso do Estado.
Muitos professores reclamavam da falta de organização daquele evento. Isto não foi nada pior do que a falta de respeito com aqueles que ali estavam. Observei uma professora gestante que tentou entrar para ser atendida e foi barrada, pois a sua senha era muito além daquela que estava sendo chamada. ''Que bonito! Está é a educação que estas pessoas nos dão, e o pior, em um local onde só há educadores'', disse ela revoltada.
Nosso País precisa respeitar aqueles que querem trabalhar. Este caso é apenas um de vários outros desrespeitos com os trabalhadores. Não é só o professor que sofre com isto mais os necessitados de emprego de forma geral. Devemos lutar para que todos sejam respeitados da mesma forma, seja ele branco, negro, rico ou pobre. O importante é que todos sejam igualmente tratados. Sejamos pacientes e perseverantes, pois o futuro do País depende de todos os trabalhadores, e a educação, de nós professores.
JEAN BOTELHO (professor) - Londrina
Professor e o Fome Zero
Sem reivindicar e, talvez sem mesmo saber, o professor da escola pública do Paraná está inserido no programa Fome Zero. Em notícia divulgada recentemente, informa-se que os professores, com curso superior, aprovados no último concurso para ocupar vagas no ensino público, serão contratados por um salário de R$ 385,00 para 20 horas semanais e que receberão mais R$ 50,00 de abono.
Ora, 50 reais é o que o governo federal repassa para as famílias em condição de miséria através do programa Fome Zero; R$ 385,00 para o trabalho árduo do professor, convenhamos, é um salário de miséria e este abono é um reconhecimento desta situação de miséria.
Em fim de carreira, o salário do professor chegaria a um valor menor que o salário inicial dos funcionários públicos, de nível superior também, do quadro geral do Estado. Não é o salário do funcionário que é alto, mas é o ensino que tem um valor muito pequeno para os governantes, tanto que a remuneração do educador é medida não pela importância da educação no desenvolvimento de um país mas pelo gasto que ela representa. Pagar o educador é apenas gastar dinheiro. Não importa a esses governantes que, por exemplo, quase 60% dos alunos concluem a 4 série sem saber ler.
Não é com um salário de miséria e um abonozinho de R$ 50,00 que se vai atrair o professor e matar a fome de qualidade de ensino que sente nossa educação. Não haverá um governante que enxergue de maneira menos estreita esta questão? É preciso mais grandeza para a educação e menos miséria para os educadores!
JOSÉ ANTÔNIO TRINDADE (professor) - Curitiba
DCE esclarece
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina informa que alimentação levada aos estudantes durante a ocupação da Câmara Municipal segunda-feira à noite foi comprada pelo próprio DCE, conforme nota fiscal (emitida pela Confeitaria Pátio San Miguel de nº 007317) enviada à Folha de Londrina. Não foi comprada com o dinheiro público como noticiou a Folha na edição de ontem. As duas únicas coisas que tivemos do ''espaço público'' Câmara Municipal foram o ar condicionado ligado durante a madrugada e a manhã em temperatura baixa (sendo negado pelo presidente da Câmara o seu desligamento) e a proibição da entrada de comida para os estudantes também durante toda a madrugada e manhã, medida esta sem nenhum amparo legal.
Somente foi permitida a sua entrada após intervenção do Centro de Direitos Humanos (CDH) que demonstrou o caráter desumano e ilegal por parte da presidência da Câmara. A permissão de entrada da alimentação revelou que o presidente da Câmara, vereador Orlando Bonilha, teve uma posição política em proibir a entrada de comida e de pressionar o movimento que resistiu toda a madrugada e manhã não cedendo a esta postura postura baixa e retrógrada.
FÁBIO RIZZA DE OLIVEIRA (coordenadoria de Administração e Finanças do DCE) - Londrina
Câmara informa
O lanche consumido pelos estudantes acampados na sede da Câmara de Vereadores não foi pago com recursos públicos, conforme publicado erroneamente na edição desta quarta-feira da Folha de Londrina. O lanche foi providenciado e pago com recursos dos próprios estudantes, uma vez que não há qualquer possibilidade legal e moral de o Legislativo Municipal arcar com este tipo de despesa em situações como esta.
ORLANDO BONILHA (presidente da Câmara de Vereadores) - Londrina





