Provão do MEC
Como vários alunos de muitos cursos do País, eu deveria ter feito o Provão - eu, mais um terço da turma da Veterinária UEL, mais vários estudantes de Direito e outros cursos - na escola Antônio Morais de Barros, Jardim Bandeirantes. Confesso que fui muito a contragosto e também porque sou obrigada, caso contrário não poderia retirar meu diploma ao final do curso. Sabendo que os portões fechariam às 13h em ponto, cheguei mais cedo, entrei na sala e aguardei a entrega da prova. Qual foi minha surpresa quando a coordenadora chegou (13h15) e disse que o Provão não tinha chegado ainda no aeroporto de Londrina e que teríamos que aguardar uns 20 minutos até que tudo se resolvesse. A partir daí, os 20 minutos se transformaram em quase uma hora e meia o Provão finalmente havia chegado no aeroporto e, pasmem, o nosso Provão não veio!
Aí sim minha indignação aumentou. Como pode o Provão chegar atrasado? Se fosse um aluno qualquer não poderia ter entrado na escola para fazer a prova, independente de qual fosse a justificativa. Foram centenas de formandos esperando pela prova na cidade inteira. O interessante é que várias pessoas pensaram em boicotar o Provão, mas foi o Provão que nos boicotou. Gostaria de saber como vai ficar essa situação, para todo o pessoal de Direito que estava no Morais de Barros e, principalmente, para a Veterinária da UEL que é ''A'' há seis anos? Como fica a nossa situação, já que não fizemos a prova? Onde está a organização do Provão, o INEP, o MEC, o sr. ministro e todos os envolvidos?
JULIANA ARENA GALHARDO (estudante de Veterinária) - Londrina
Responsáveis pela baderna
O comandante da PM diz que vai investigar quem são os responsáveis pelo que ele chama de ''baderna'', na verdade, estudantes e usuários do transporte coletivo de ônibus irados com o aumento abusivo das passagens. É o mesmo senhor que em vez de combater os traficantes e as gangues propõe revistar crianças nas escolas de periferia. Se quer mesmo saber quem são os responsáveis é bom ele procurar na própria prefeitura, porque foi dali que saiu a autorização para o aumento extorsivo.
EVARISTO COLMÁN (professor) - Londrina
Menosprezo a FHC
Querer menosprezar o senhor Fernando Henrique Cardoso (FHC) colocando uma vez ou outra seu nome com 'h' minúsculo pode até ser legal, mas não sei se isto vai ajudar em alguma coisa. Agora, fazer isso todo dia é querer afrontar a língua portuguesa e os nossos olhos. Não sei se o articulista Cláudio Humberto (CH) gostaria de ver seu nome escrito com letra minúscula (Ch) todo dia. Talvez, fosse interessante ao jornal, do qual sou assinante desde há muito tempo, colocar um revisor para corrigir certos abusos. Eu cansei!
REGINALDO BARROS DE CAMARGO (empresário rural) - Londrina
NR: O colunista Cláudio Humberto tem um estilo próprio de escrever o nome do ex-presidente Fernando Henrique. A Folha não interfere no texto dos colunistas que escrevem para o jornal.
Provão e autonomia
A idéia de autonomia universitária surgiu durante a ditadura militar como bandeira de luta das universidades públicas. Essa discussão veio principalmente das universidades federais, que eram diretamente dependentes das decisões do presidente da República. Assim, o objetivo da autonomia é o de garantir que a universidade seja regida por suas próprias normas, que seriam instituídas democraticamente e internamente, além de assegurar critérios políticos que possam regular com independência sua relação à sociedade e ao Estado. O princípio de ação e regulação de uma universidade autônoma seria a sociedade como um todo e não apenas as demandas mercadológicas.
O provão vem na contramão desta idéia, introduz a lógica de mercado do estúpido liberalismo de FHC, agora aprofundado por Lula. Como se todas as instituições devessem ser administradas segundo normas gerais, sem conteúdo particular, cujo parâmetro de sucesso é medido em termos de gestão de recursos e estratégias de desempenho.
Isso gera um efeito devastador nas instituições, na medida em que perdem por completo sua identidade, suas especificidades internas e externas, seus objetivos iniciais, sua inserção social, etc. O provão é instrumento dessa destruição da universidade pública, que é vista pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como ineficaz e mais politizada do que seria necessário.
O governo do PT até agora mostra total conformidade com as diretrizes do BID, tratando o ensino superior exatamente como qualquer outro dos seus investimentos, financiando as universidades de acordo com a idéia de investimento bancário. Ou seja, os projetos que estiverem de acordo com as demandas mercadológicas e adequados ao imperialismo, à livre competição, ou o 'retorno' do investimento feito. Assim, há de um lado o ensino superior sucateado e de outro um governo querendo moldá-lo de acordo com sua ideologia, pagando a história e os objetivos da instituição.
RUBENS GOULART (estudante de Psicologia) - Rolândia
Correção
- Por problemas técnicos, a matéria ''Ministério usará pesquisa para acabar com desvios'' (fome zero) foi publicada duas vezes na edição de ontem.

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