Nem tudo está perdido
Se não fosse a coragem e profissionalismo do promotor de defesa do consumidor de Londrina, Miguel Jorge Sogair, desde domingo estaríamos pagando um preço exorbitante pela tarifa do ônibus. É importante que nós, enquanto sociedade, demos respaldo a atitude deste homem, que acredito, não deve utilizar o transporte. No entanto, teve bom-senso em saber que R$ 1,60 estaria fora da realidade econômica dos que utilizam o transporte coletivo.
As empresas alegam que o aumento se deve a um reajuste que cobradores e motoristas terão em junho. Esse aumento é inquestionável. Mas será que nós usuários, também não estamos com os soldos defasados?
Espero que o senhor promotor entenda a planilha elaborada pelas empresas e CMTU, já que eu em posse dessa, confesso não ter entendido nada, mesmo tendo lido ene vezes. É muito técnica e sucinta e sendo assim, não permite que leigos como eu a decodifiquem, ou seja, é impossível a compreensão da mesma.
Por que nunca sabemos a respeito dos lucros destas empresas de forma clara? Será que não podem abrir mão, pelo menos um pouco, de seus lucros? Cadê aquela competitividade de preços que a Francovig alardeou em fevereiro de 1997, quando ''quebrou'' o monopólio da TCGL? Preço abusivo, demora e lotação. Esta é a realidade do nosso ônibus de cada dia. Precisamos de mais promotores como Miguel Jorge para brigar em favor daqueles que são desprovidos de voz. Ou então no Brasil, perpetuará a velha prática de permitir, que a corda arrebente sempre do lado mais fraco.
VALDEMIR FERREIRA DA COSTA (estudante) - Londrina
Utopia?
Era a manhã de um dia lindo e harmonioso. O sol encantava os pássaros que pulavam alegremente de uma árvore para outra: estavam felizes. Nas ruas, as pessoas andavam, paravam e se cumprimentavam. Todos tinham emprego, casa, salários; não havia fila de espera em lugar algum. Nos hospitais, pronto-socorros, também estava tudo calmo; pouca gente havia ficado doente e se ficara não era grave. Nas escolas, as crianças chegavam felizes, pois traziam de casa a tranquilidade de uma família feliz, onde havia entendimento, amor...
Os professores estavam sempre sorrindo, pois tinham um ambiente de trabalho adequado, eram bem remunerados e trabalhavam livres de qualquer pressão. Os jovens espalhavam conversa e alegria para todos os lados, pois tudo era preparado para eles com muito carinho: praças, ponto de encontro, clubes, barzinhos... Assaltos, nem pensar. As casas já não possuíam mais grades e em seus lugares haviam maravilhosos jardins onde as crianças brincavam despreocupadamente.
Na televisão, os informes eram instrutivos, programas musicais, teatro, novelas... só mostravam o lado bom da vida. Os jornais só traziam notícias boas: alta do salário mínimo; políticos justos e leais; desemprego em baixa... Nas ruas já não existia gente pedindo, dormindo em bancos de praça... Lembram do mendigo que sabia fazer contas sem nunca ter ido à escola? Aquele do Fantástico? Hoje virou professor e trabalha de voluntário ensinando as pessoas a fazer cálculos e gostar de matemática.
Crianças trabalhando? Aqui, jamais. Todas estão em seus devidos lugares: na escola. Seus pais ganham bem e têm condições de sustentá-las sem que trabalhem. O meio ambiente nunca esteve tão bem-cuidado: florestas, rios, bosques são recantos que espalham beleza por todos os lados. Onde fica esse lugar? Será que algum ser humano o conhece? Fica no imaginário, na consciência das pessoas que sofrem e lutam por um mundo melhor.
VERA LUCIA GARCIA GRANDE (professora) - Marialva
Correção
- O título correto da matéria na página 5 da edição de ontem da Folha é ''Sars mata mais doze em Taiwan''.

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