CARTAS
A melhor faculdade
O presidente Lula tem o diploma da melhor faculdade do mundo: a vida. Num primeiro momento chega a ser fascinante ler esta frase e sentir como é possível e necessário ter perseverança para conquistar o que quer que seja na vida. O presidente que o diga. Oposicionista ferrenho das políticas públicas que sempre iam na contramão dos anseios da maioria da população, o ex-militante sindicalista e agora presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva simplesmente graduou em disciplina e obstinação a todos que acompanharam sua história de vida. De todos os óbices enfrentados talvez o mais ingrato tenha sido a rejeição. Reprimido na vida pública pela pouca escolaridade, sempre lembrado nas piadas de mau gosto pela obstrução da língua e desvinculado da elite dominante, os anos certamente se encarregariam de escrever o que viria pela frente. Protagonista de eleições que certamente ficarão registradas nas páginas dos livros de história, Lula percorreu um duradouro e indispensável caminho até alcançar a presidência. O que não me parece verdadeiro é a forma como essa afirmação está sendo feita por aí, estampada em capa de revista . O que mais me chama atenção é a hipocrisia de quem o faz. Os mesmos que o proclamaram de analfabeto e sempre se opuseram precoce e injustamente, são os que o apoiam e tecem elogios. Das emissoras de tevê, sobretudo a Rede Globo, ao velho adversário político, se estendendo até o empresariado a impressão é a mesma. Parece, no entanto, que as mesmas mãos que batem são as que afagam. Quando imaginaríamos que haveria uma rendição dessa casta em relação ao ex-metalúrgico da ''língua presa e analfabeto'', ao ponto de compararem sua trajetória de vida com um grande diploma da melhor faculdade e o atribuírem o título de personalidade do ano?
GUILHERME DE MAGALHãES SPANGUEMBERG (estudante) - Londrina
Sobre o pedágio
A questão do pedágio é apenas mais uma em tantas outras, que caracterizam o descaso e o desrespeito dos órgãos públicos para com a população. Não que a forma de captar recursos seja ilícita, nem que os procedimentos estejam em desacordo com a lei, o que nos causa espanto é a forma com que está sendo feito. Os mais antigos certamente não esqueceram da Taxa Rodoviária Única (hoje IPVA), que nos dava o direito de transitar por todas as estradas do território nacional, seja ela federal, estadual ou municipal. Como era, e ainda é de praxe, os recursos arrecadados são desviados e não chegam ao seu destino, no caso a manutenção da malha rodoviária, causando a sua total degradação. Mudaram a taxa para imposto, e criaram alguns pedágios nos principais eixos, mesmo assim, como a administração era a cargo do setor público, a 'roubalheira' continuava e as estradas se acabavam. Com o advento da nossa nova e recém-adquirida democracia, os ventos da liberdade levaram nossos governantes a rifar o patrimônio nacional, com a certeza que o melhor é vender do que apurar, sanear e tornar viável nossas estatais prestadoras de serviços essenciais a nação. O pedágio em si, é a forma mais justa de se arrecadar os recursos necessários às reformas e manutenções (quem usa paga), e trouxe benefícios melhorando muito a qualidade e segurança nas rodovias. O que se discute é o valor cobrado e o número de unidades arrecadadoras existentes, já que o IPVA não pode ser alterado, fazendo com que paguemos duas vezes pelo mesmo serviço. Segundo informações do Governo Estadual, a concessão dada as empresas é um contrato de prestação de serviços, o valor arrecadado é utilizado para cobrir os custos de manutenção e ampliação, acrescidos do lucro pré-fixado das empresas. O que falta é a fiscalização e controle do valor arrecadado X serviços prestados, para que se apure o valor justo da tarifa. O que vemos em muitos paises, são os pedágios como opção de trajeto, onde existe uma rodovia comum, com um traçado não muito retilíneo e concepções mais antigas, subsidiada pelo governo, sem pedágio, e uma outra, moderna, rápida e atualizada, com suporte e manutenção contínua, onde o pedágio gera recursos para tal benefício ao usuário. Para efeito das sugestões, utilizo como exemplo o nosso caso específico, Arapongas. Hoje nosso município ainda é muito dependente de Londrina, seja para aquisição de produtos ou serviços, como a unidade arrecadadora esta localizada aqui, os veículos com placas da cidade não deveriam pagar a taxa no percurso a Londrina. Um outro aspecto é diferenciar os profissionais da estrada. Eles deveriam ter um tratamento diferenciado, pagando um valor menor, pois deles muitas vezes partem o acréscimos nos preços das mercadorias que consumimos. Já o usuário eventual, turistas na maioria, ou profissionais que viajam esporadicamente, arcariam com a taxa no seu valor normal.
IRENE ERMINDA DOS SANTOS, TALITA CARLA DE OLIVEIRA e FRANCIELE EVELISE BOSSO (universitárias), Arapongas.





