Alfabetização dos adultos
O Estado está lutando para assegurar a alfabetização dos cidadãos que não tiveram acesso à educação básica. O governo está implantando programas de alfabetização de adultos. A iniciativa é louvável e, com toda certeza, merece nosso apoio.
Estes programas de alfabetização chamam a atenção para outro problema que possui a mesma gravidade e, infelizmente, não recebe nenhuma atenção. O governo deve, urgentemente, melhorar o ensino da rede pública. A realidade é triste. O ensino público em nosso País é ineficiente.
Atualmente, as pessoas que possuem condições de frequentar bons colégios particulares, fazer cursinhos pré-vestibulares, possuem muito mais chances de passar no exame vestibular e cursar as faculdades públicas. Saliente-se que o ensino público no terceiro grau é reconhecidamente de excelente qualidade.
Tal situação é contraditória. O que acaba ocorrendo é que quem pode arcar com os custos de uma boa educação em colégios particulares consegue assegurar vagas em faculdades e universidades públicas. Em contrapartida, os estudantes que não possuem condições para pagar a educação privada acabam prestando vestibular e cursando o terceiro grau em instituições particulares.
Estes estudantes que são ''empurrados'' para dentro das instituições de ensino superior particulares estudam durante alguns anos e a grande maioria acaba desistindo porque não consegue pagar as mensalidades.
Não se trata de tomar nenhuma medida radical, basta apenas melhorar o ensino público fundamental e médio para assegurar igualdade na competição por uma vaga nas faculdades e universidades públicas.
TOCHITANE MITSI (aposentado) Londrina
Barulho urbano
Aumento da cota de veículos circulando na rua e no ar alarmes e sirenes buzinando. Danceterias fixas e ambulantes, escapamentos estourados, explosão de farras e orgias homéricas nas boates bregas e chiques. Nos shopping-shows, apitos lancinantes na ferrovia, tiros na madrugada, gritos moribundos de um esfaqueado que não resistiu a punhalada, ruídos bêbados no bar... Como protestar contra a torturante, neurótica e psicótica vida insone?
Alarmes disparam até o dia clarear. A cidade de Curitiba não dorme com o matraquear do pipoqueiro e do vendedor de algodão doce, as marteladas do borracheiro e os ganidos caninos do vizinho raivoso. O barulho seria tolerado, o crime seria inocentado, se não atentassem contra o legítimo direito de dormir.
O que se propõe é que se cumpra, de fato, por pressão e vontade política, a lei do silêncio. Que se cancele, sumariamente, alvarás das indústrias que poluem. Que os fiscais e a polícia tripliquem as multas e reprimam os taxistas barulhentos, os que sobem nas calçadas e excedem nos decibéis. Que a polícia fardada, a pé e motorizada reprima a algazarra e a ladroagem sob o sol que aparece, esfria ou deixa chover.
Das consequências do barulho resultam o estresse, a paranóia, o medo, a insegurança, a surdez, a psico-sócio-neurose. O centro, o entorno e o contorno de Curitiba estão literalmente poluídos com a barulheira, o estrangulamento aéreo-rodoferroviário e a febre incurável dos shoppings que depreciam o mercado habitacional. Não se respeita o direito de bebericar quieto, com o privilégio de papear e filosofar.
JOSÉ ANTONIO FIORI (Associação de Defesa do Direito ao Silêncio) Curitiba
Injustiça tributária
A reforma tributária, juntamente com o programa Fome Zero, foi uma das principais alavancas do programa de governo do então candidato Lula. Toda a sociedade concorda que a carga tributária paga pelo brasileiro é altamente pesada. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o Brasil ultrapassou a Suíça na arrecadação de impostos.
Se considerarmos os tributos pagos pelo empregado (Imposto de Renda e INSS) e pelo empregador (INSS, FGTS, salário educação, etc), o Brasil é o segundo País que mais paga impostos sobre os salários (41,7% ), só perdendo para a Dinamarca, que paga 43,1%. O nosso percentual de impostos sobre a alimentação (21,75%) é o maior do mundo, segundo o IBPT. O que mais chama a atenção, no entanto, é o fato de que a carga tributária sobre o consumo é, proporcionalmente, maior para os mais pobres.
Numa comparação simplista, quem ganha até dois salários mínimos paga, em média, 24,25% de tributos; os que recebem acima de 50 salários, 17,11%. É mais um caso de injustiça social que ajuda, em muito, a concentração de renda na mão de poucos. Além dessa concentração, essa cobrança absurda de tributos sobre o trabalho e a produção ajuda a aumentar o desemprego, a informalidade e a miséria.
Se a carga tributária sobre os salários baixasse dos atuais 41,7% para 25% e a cobrança sobre o faturamento das empresas baixasse dos 33% para 20%, com certeza, conseguiríamos criar 10 milhões de novos empregos, uma meta tão almejada por todos. A reforma tributária, há muito esperada, precisa fazer a redistribuição da carga tributária brasileira de forma igual para o capital e para o trabalho.
ALTAIR APARECIDO GALVÃO (estudante) Maringá

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