CARTAS
Provão, um grande negócio
O ENEM e o Provão são mecanismos de avaliação do ensino. Com os resultados o governo, o Ministério da Educação, juntamente com as secretarias de Educação dos Estados, teria condições de traçar planos para minimizar as falhas, buscando a tão esperada melhoria da qualidade do ensino. O que vimos até agora foi uma fanfarronice do ex-ministro da Educação que encontrou respaldo em várias faculdades, fazendo com que este simples exame eliminasse o vestibular. A esperança era que ao assumir, o novo ministro acabaria com a farsa, ledo engano. O ENEM aí está, igual ao que era e o ensino Fundamental e Médio público continuam ruins e os professores sem reajustes há quase 10 anos. O osso é grande e tem bastante tutano, imaginem 242 mil candidatos do ensino médio a R$ 32,00, é uma mega-sena por ano. Sobram ainda os 50 a 60 mil alunos do ensino superior ''obrigados'' a fazer o Provão. Obrigatoriedade ilegal pois contraria os preceitos da própria LDB (Lei de Diretrizes Básicas).
TARCISIO MARTINS (professor aposentado) - Londrina
Armas por vidas
Ficamos indignados em ver tamanha crueldade que os Estados Unidos fizeram com o povo indefeso que mora no Iraque, mas ao invés de lutarmos e mostrarmos a nossa indignação, fizemos exatamente o contrário: comprando mais e mais produtos americanos e com isso ajudando-os a construir mais e mais armas e bombas.
A guerra mata pessoas por nada, ninguém sai fortalecido, nem com remorso, porque ninguém pensa nas consequências da guerra nem tem coragem de refletir, de pensar, de avaliar. Somente existe reconhecimento das pessoas que saem vivas; quem morreu, morreu. Matar alguém é cobrir as viúvas e seus filhos de luto, tristeza, saudade, então: por que matar alguém? Porque a outra pessoa está na sua frente, é inimigo, está contra você, então deve ser morto; e depois? Depois alguém vence porque matou, o outro perde porque morreu... e o homem continua matando... Ele mata e põe a medalha no peito, orgulhoso.
E, então, o que eles têm que fazer? Eles têm que substituir o herói que mata pelo herói que cura, que consola, que cuida. Que o homem salve vidas em vez de matar, descubra a cura do câncer e da Aids em troca da fabricação de mísseis, construa hospitais ao invés de construir alojamentos de guerra, faça vacinas reduzindo as fábricas de projéteis, que o investimento em armas e bombas sejam transformados em laboratórios de pesquisa, que sejam substituídos os tanques de guerra por ambulâncias, que seja substituída a morte pela vida.
VIVIAN GAIDARJI DE MORAES (estudante) - Londrina
TV e a guerra
Cerca de dois meses atrás quase foi possível vermos isso na TV, Galvão Bueno narrando: ''Bem amigos da Rede Globo, falamos ao vivo do centro de Bagdá para mais um ataque anglo-americano ao Iraque, as bombas já começam a cair, as pessoas desesperadas correm para se salvar, sangue e destruição para todos os lados, a população amedrontada assiste indefesa à invasão de seus país sem nada poder fazer para combater a poderosa força invasora.''
O show da TV na cobertura da guerra anlgo-americana contra o Iraque, deixou no chão a transmissão da queima de fogos na virada de ano na praia de Copacabana, colocando o telespectador no front de batalha, onde os mais sensíveis sentiam até calafrios ao ver as explosões. As emissoras ajustavam seus horários para transmitir ao vivo os bombardeios, quase que anunciavam ''atenção não percam o ataque das 6h'' ou ''você vai ver esta noite no ataque ao Iraque a detonação da mãe de todas as bombas.''
Esta guerra cruel e ilegítima foi transformada pela TV num show pirotécnico, em que a guerra pela audiência lançou no ar uma série de notícias falsas e equivocadas, na qual só mostrou mesmo o poderio bélico americano e exaltou ainda mais a sua força e supremacia. Mas e agora depois que o show acabou? Não há nenhum comentário por parte das emissora que explorarou a carnificina da guerra a respeito do que vai ser do Iraque no pós-guerra, e dos planos anglo-americanos no controle do petróleo da região. Essa retirada estratégica da mídia, assim como no Afeganistão, abafa a questão e permite a livre atuação dos EUA no controle do Iraque. Este é o tipo de mídia a que estamos submetidos, que explora os fatos e mascara a verdade, trabalhando a serviço do poder e da força.
CARLOS EDUARDO PEDREZINI - Campo Mourão
Correção
- Diferentemente do que foi publicado domingo na Folha (Especial, página 10), o programa de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids para adolescentes promovido pela Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) foi financiado pela secretaria de Assistência Social de Londrina e não pelo Ministério da Saúde.





