Norte esquecido
Na Gazeta Mercantil do último dia 5 foi publicada matéria sobre a reunião técnica do Conselho de Desenvolvimento e Integração do Sul (Codesul). O Paraná deverá receber recursos da ordem de US$ 100 milhões para aplicação no turismo. Segundo o secretário de Turismo, Claudio Rorato, deverão ser destinados US$ 32 milhões às regiões de Foz do Iguaçu e Guaíra (que recebem royalties de Itaipu), outros US$ 62 milhões para a região de Curitiba e litoral e outros US$ 10 milhões para propaganda. Não há um centavo sequer para o Norte do Paraná!
A região de Curitiba tem sido, há décadas, privilegiada com recursos provenientes do interior do Estado. A Rodovia do Café sempre foi conhecida como a Rodovia do ''vai-não-volta'', ou seja, o dinheiro do Norte saía para Curitiba e não retornava. Esta pouca atenção ao Norte do Paraná (os ''pés vermelhos'') já deu origem a muitos movimentos de separação do Norte com o Sul do Estado.
O Norte tem grande potencial turístico. Por que, novamente, os recursos devem ser destinados a regiões já beneficiadas? Será que o Paraná continua sendo a ''minha Curitiba'' de Jaime Lerner? Parte destes recursos possibilitariam a instalação de centros de convenções e eventos de nível internacional em Londrina e Maringá (cidades que são pólo de ciência e tecnologia) e adequação de atrações turísticas existentes (como os parques aquáticos e reservas ecológicas), entre outros. A região sempre gerou recursos para o Estado e tem direito a contrapartida, caso contrário podemos reiniciar os movimentos para separação do Estado.
DELCIO TORRES AMORIM JUNIOR (médico) - Sorocaba (SP)
Bingos
Na seção de ''cartas'' da Folha do dia 15/5, o sr. Sérgio Toreto defende a permanência dos bingos pois vê nessa atividade uma fonte de empregos. Ora, se usarmos sua lógica, então plantar maconha, contrabander armas, etc., também geram empregos. O senhor não vê que esse jogo (assim como também todos os outros jogos de azar) viciam e corrompem nosso tão sofrido povo? Quantas famílias são destruídas por ele? Acha que vale à pena somente para engordar a conta bancária de alguns e fechar a de muitos?
DANILO BAULE SANTORO (corretor de imóveis) - Maringá
Resgate de valores
Estamos nos deparando com uma inversão de valores muito acentuada. O ter está prevalecendo ao ser. Os pais, confusos, não sabem como agir em relação aos filhos que querem ter: carro, sucesso, roupas de grife... E por aí afora.
Dizer não aos filhos (já está comprovado) não frustra os filhos. Devemos lembrar que pais e filhos não são iguais. Aos pais cabe mostrar caminhos, que só serão mostrados pela autoridade. Para que o filho exista é necessário que haja pai. Amigos, os filhos têm muitos. Pai um só. Caso o pai abdique desta sua função surge a pior orfandade: os filhos de pais vivos. Isto está acontecendo atualmente: vemos filhos sem limites, não respeitando os pais e tampouco os professores.
Hoje, pedir a bênção é coisa do passado. O filho ''cobra'' coisas que antigamente jamais se permitiria e o tratamento mudou: é você! Quantos pais se privam de necessidades básicas para atender aos caprichos de seus filhos? São os ''pecados do amor''; os pais erram por excesso de amor, como diz Içami Tiba. Devemos lembrar aos nossos filhos que os recursos (financeiros, emocionais, sociais) são limitados e que os ''pais também são gente seres humanos únicos em sua riqueza pessoal e limitados em suas possibilidades ''.
ODETE BOTER GUIMBARSKI (coordenadora do Amor Exigente) - Londrina
O dólar baixou, e daí?
De R$ 3,65 o dólar caiu para abaixo de R$ 2,90. Os agricultores, mesmo com essa baixa, continuam ganhando e isso é ótimo. Agora, além da diminuição ridícula que a Petrobrás nos brindou nos combustíveis, como ficam os outros itens que têm sua base no dólar americano? Taxas de eletricidade, taxas de telefone, preços de automóveis, motocicletas, pneus, material de informática, etc, coisas que têm seus preços majorados quase que imediatamente a qualquer indício de aumento na moeda americana, parecem estar totalmente isentos de terem seus preços diminuídos em moeda brasileira.
Reclamamos do pedágio que presta um serviço, evitando mortes nas estradas, mas no nosso dia-a-dia aceitamos de forma extremamente condescendente sermos pilhados. Deixamos 1/4 de nossos ganhos anuais na forma de impostos, que não é revertido em nada, a não ser em polícia deficiente, hospitais lotados, escolas que formam novos marginais, estradas que não levam a lugar algum ou que servem para que os governantes gastem em propaganda sobre aquilo que têm obrigação de fazer, que não é nenhum mérito, que deveria ser o trabalho deles.
LUIZ CARLOS PIELAK (Empresário) - Curitiba
Correção
- O nome correto de um dos contos escritor por Oscar Wilde, publicado na edição de ontem da Folha2, é ''O Fantasma de Canterville''.

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