Me esqueçam!
No final de seu mandato de presidente, o general Fiqueiredo proferiu a pérola acima, que eu gostaria de poder repetir para o governo federal que eu, aliás, ajudei a eleger. Por 30 anos, a Previdência teve superávits. Todos pagavam, enquanto somente meia dúzia de ex-governadores, ex-senadores e outros raros privilegiados eram beneficiados. A Previdência nesta época foi pouco previdente e não poupou para a sua velhice, quando aumentariam os gastos.
Agora, querem transformar a Previdência em um banco privado, ou seja; tem que dar lucro. Senhor presidente: a Previdência tem função social (note que faz parte até do nome dela) e, por isso, não precisa obrigatoriamente ser lucrativa. Se o governo usou o dinheiro da Previdência quando ela era superavitária, que agora este mesmo governo pague de volta o que levou.
Eu tenho uma proposta de consenso para o governo: me esqueçam! Ou seja, devolvam-me o que eu contribui nestes 13 anos de trabalho e eu abro mão da minha aposentadoria.
EFRAIM RODRIGUES (professor) Londrina
Economia em alta
O dólar está baixando e nós estamos com mais esperanças. A corrente dos que apostaram na alta (chegou quase a R$ 4,00) está desovando seus caraminguás, porque a política econômica atual decidiu que não pode lutar contra a corrente e mais investimentos exteriores de moedas fortes vêm irrigando a nossa, até então frágil economia. O ideal seria o de R$ 2,00 por US$ 1,00. Se nossa produção agrícola aumentar para 150 milhões de toneladas de grãos aliada ao grande desenvolvimento industrial, principalmente de insumos agrícolas, consequente haveria possibilidade do governo ser bem-sucedido no combate à fome. Se não temos ainda uma indústria compatível a dos países desenvolvidos, temos em contrapartida uma agricultura e uma pecuária do mais alto nível. Os superávits em nossa balança com as exportações têm feito o Brasil poder respirar a plenos pulmões, tirando-nos do sufoco que nos jugulava às importações cujos preços nos empobrecia cada vez mais. Estão certas as nossas autoridades monetárias. Esse é o caminho lógico, ''produtividade na agropecuária e exportação'', já que na agricultura, na maioria de nossos Estados, podemos ter até três safras anuais de produtos.
JOÃO DIAS AYRES (médico) Londrina
Fome zero
O problema da fome no Brasil é inconcebível. Um País com extensão territorial dessa natureza, com clima propício a muitas variedades de culturas, relevo favorável à mecanização e locomoção de animais e água abundante não poderia haver uma pessoa sequer passando fome. No entanto, um terço de nossa população passa fome ou ingere quantidade insuficiente de nutrientes para uma boa nutrição.
É evidente que esse problema não é recente, porém tem se agravado nas últimas décadas. Embora o PNB do Brasil tivesse um significativo crescimento no início dos anos 70, o mesmo não aconteceu com os salários e o emprego. Ao contrário da economia, o poder de compra da classe trabalhadora entrou em declínio e tem se aprofundado nos últimos anos do governo neoliberal do tucano FHC. Na época dos militares, a justificativa era fazer primeiro o bolo crescer para depois repartir. No último governo, os argumentos eram as crises internacionais, a recessão mundial, etc.
A ascensão de um operário ao poder renovou as esperanças do povo brasileiro. No entanto, por mais vontade política que Lula tenha em resolver o problema da fome, isso não acontecerá do dia para noite. Nos últimos oitos anos, o governo FHC engessou a economia brasileira aos dogmas do neoliberalismo de tal forma que o governo atual terá de duplicar seus esforços para tirar o Brasil dessa situação. Exemplo evidente disso são os aumentos da energia elétrica que o governo só descobre pela imprensa, sem poder participar de sua elaboração. Não podemos esquecer que energia é a base fundamental para o crescimento econômico.
Crescimento econômico não significa garantia de riquezas para todos como vimos no passado, porém é preciso uma política de crescimento econômico interligado com a distribuição de renda para zerar definitivamente o problema da fome no Brasil. Essa é a pior batalha que Lula terá pela frente, tomara que ele tenha força, apoio político e a compreensão do povo brasileiro para vencer.
SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM (relações públicas) Londrina

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