CARTAS
Trabalho infantil
Geralmente as pessoas se restringem em dizer que o trabalho infantil não deve ocorrer por afetar seu desenvolvimento. No entanto, a matéria de ontem da Folha com os argumentos da promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria Silva de Paula, foi muito esclarecedora e possibilitou uma outra visão. Com a mudança para 16 anos como idade mínima para o trabalho e 14 anos para o aprendiz, muitas crianças foram para o mercado informal e ilícito. Além disso, após os 12 anos, ela continua os estudos e está apta a exercer atividades remuneradas. Assim, não terá tempo para pensar e praticar atitudes prejudiciais a si e nem à sociedade.
AGNES IZUMI NAGASHIMA (estudante) - Londrina
Trabalho infantil 2
Sobre a opinião da promotora Édina Maria Silva de Paula, defensora contundente do trabalho infantil, gostaria de tecer algumas considerações. Em vários debates sobre esse tema, já vi a dra. Édina dizer que o tráfico de drogas atrai os menores, vez que oferece uma possibilidade de renda de cem reais por dia. Ocorre que uma renda dessas não atrai somente os menores. Retroceder ao trabalho infantil sob esse argumento é assinar o atestado de incompetência do Estado, sem contar que o menor desemprega um adulto nos trabalhos de serviços gerais. Na visão da dra. Édina, a maioria dos países africanos e orientais devem ser pouco violentos e bem resolvidos já que lá crianças trabalham a partir dos cinco anos de idade. Ao contrário de que a promotora pensa, não foi uma aventura dos legisladores em promulgar a Emenda Constitucional nº 20. Foi pressão de organismos voltados ao desenvolvimento humano, cientes da necessidade de percorrer caminhos para alcançar a cidadania plena.
JOSELITO TANIOS HAJJAR (estudante) - Londrina
Comemorar o quê?
Quem acompanhou pela TV as comemorações referentes ao Dia do Trabalho pôde perceber como elas se manifestaram de maneira assimétrica pelo mundo afora. Enquanto nos países tidos como desenvolvidos, o dia foi marcado por veementes protestos dos trabalhadores, no Brasil, houve muita festa e alegria com direito a sorteio de carros e espetáculos com gente famosa.
De certo comemorávamos a capacidade natural que certos setores têm de defender seus interesses em detrimento da grande maioria, para citar um, a reivindicação de alguns juízes classistas que desejam, sem constrangimento, na reforma previdenciária, um teto superior a dezessete mil reais, usando como argumento a questão dos direitos adquiridos.
Talvez comemorávamos, tardiamente, o exemplo de civismo dos nossos legisladores que no começo do ano presentearam-se com um aumento descarado e fora de hora. Pois é assim, trabalhador, no instante em que você esquece das mazelas brasileiras ao som das baladas sertanejas do momento, tenha certeza que em algum lugar, na mesma hora, alguém está aproveitando do seu descuido para preparar mais uma grande novidade.
EDMILSON SILVA LEÃO (estudante) Apucarana
Agressão a animais
Escrevo para manifestar minha indignação com dois eventos que foram mostrados pelos jornais na semana passada. Ambos relatam a mesma atitude em situações distintas e me causaram profundo repúdio e choque diante da bestialidade dos seres humanos. A primeira barbárie aconteceu quando da visita do presidente da República ao sertão nordestino, quando uma cobra Coral foi estupidamente morta a pauladas pelos presentes. Saibam que as cobras somente atacam quando acuadas, e no caso referido, era nítido que a cobra estava amedrontada.
A segunda barbárie refere-se à morte do tubarão no litoral fluminense. De acordo com o perito que analisou os vídeos do ocorrido, tratava-se de um tubarão fêmea grávida, que havia se aproximado da costa. Quando todos os banhistas já estavam fora do mar, algum humano descontrolado e histérico resolveu retirar o animal do mar e alvejá-lo com pauladas e até facadas.
Isso demonstra quão bestial e inconsequente é o ser humano, pois sendo o único dotado de sabedoria, compara-se à primatas que agem por impulso quando destas ocasiões em que a natureza, tão depredada, nos brinda com a presença maravilhosa de seus seres. Aonde estão as entidades de proteção aos animais? Espero apenas que o fato de ter externado minha indignação seja suficiente para tocar as pessoas que lerem minhas palavras.
HELENA BEATRIZ WIELEWICKI (estudante) - Arapongas
Concha Acústica
Lúcio Flávio Moura, parabéns pela bela matéria ''Silêncio com Acústica: a Concha, 56 anos depois'', publicada anteontem na Folha. Uma linda abordagem no Dia do Trabalho do símbolo de uma época de nossa cidade. Realmente, um exemplo da máxima: a democracia se faz na praça!
MARCOS DEFREITAS (jornalista e secretário de Planejamento) - Londrina





