''Notícias'' e o Iraque
''É o modo pelo qual o jornalismo registra e leva os fatos ao conhecimento do público'' (Juarez Bahia); ''O relato de um fato recentemente ocorrido que interessa aos leitores'' (Mário Erbolato); ''Cobertura de um fato ou de uma série de fatos'' (Nilson Lage). Essas são algumas definições de notícia. Porém, para se registrar ou relatar fatos, é necessária a observação de alguns elementos: independência, veracidade, objetividade, honestidade, imparcialidade, exatidão.
Estar atento a esses elementos deve ser uma constante no jornalismo para que a informação possua credibilidade. Mas quando se trata de uma cobertura, na qual, de um lado está a maior potência ''democrática'' do mundo, e de outro, um país ditatorial com uma maioria de miseráveis que vive pela ''vontade de Deus'', as dificuldades para relatar os fatos de maneira responsável tornam-se insuperáveis. A imprensa foi usada, mais uma vez, como arma de guerra.
A favor de Bush, 600 jornalistas, em sua maioria americanos e ingleses, foram credenciados pelo Pentágono e puderam acompanhar as tropas de coalizão invadirem o Iraque. Do lado de Saddam, a manipulação das notícias ocorreu de forma oposta, mas com iguais prejuízos para a veracidade dos fatos: recusa de informações oficiais e rígido controle sobre os jornalistas. A função da TV iraquiana era amenizar o caos existente em Bagdá.
Em meio a esse controle de informações, o que se viu, foram verdadeiros atentados ao jornalismo comprometido com a responsabilidade. Bombardeios de informações mal apuradas e manipuladas desinformaram sobre a realidade.
''Desconfie das notícias'' (publicado em www.comunique-se.com.br, canal VaiVem, no 24 de março); eis o artigo que resume tudo o que possa ter sido lido e assistido sobre bombas, Iraque, Estados Unidos, ONU, ataques, mísseis, mortos, rendição, prisões: ''Olhe para as imagens como uma seleção parcial da realidade. Desconfie de todas as notícias''.
FÁBIO RADIGONDA SERRATO (estudante) - Cambé
Música e barulho
Um burburinho de fundo passeava pelo concerto do Ouro Verde, na quinta (24/4), até mesmo, pasmem, quando a música estava sendo tocada. Não há nada de mal que pessoas que porventura nunca tiveram a graça de ouvir música clássica com os devidos ouvidos vão a um concerto. Pelo contrário, é justamente através do convívio, do hábito, que a música clássica pode vir a fazer parte do gosto estético da pessoa. Como qualquer gênero de arte, é imprescindível o contato, de preferência permanente, com as obras, apreciá-las com atenção, intuição e emoção.
O problema surge quando a pessoa que se dispõe a ouvir não coloca a flor de sua atenção e de sua sensibilidade a serviço da música. Para ser franco: a pessoa vai a concerto para fazer tudo, menos para ouvir a música com toda sua alma.
Aqui temos colocada a questão: algumas pessoas da platéia não conseguem manter silêncio quando a música está sendo executada. Conversam, tagarelam, sem perceberem que estão incomodando! Isso sem dizer naqueles pais que soltam suas criancinhas pelo auditório, que choram, esperneiam, justamente naqueles momentos mais mágicos da melodia. Isso sem comentar os aplausos fora de hora. Quanto a isso, o problema não é inteiramente da platéia. O momento de aplaudir deveria vir escrito no programa distribuído. Logo, é de competência exclusiva dos organizadores do evento.
Ao contrário de outros gêneros de música que podem admitir um certo barulho da platéia, a música clássica repele quaisquer rumores que não venham da orquestra. É sumamente indispensável haver silêncio, para que a platéia toda escute o concerto com o máximo de atenção, de maneira que a obra possa atingir o espírito. É a ele que a música clássica se dirige.
Portanto, o que vos peço, senhores e senhoras, é apenas um pouquinho mais de respeito. É bom exercitar de vez em quando. Mais que respeito, é preciso delicadeza. Sim, delicadeza, a simples capacidade de saber se portar em cada ocasião com um mínimo de senso de discernimento. Silenciosamente. E isso, definitivamente, não se resolve na conversa.
ULISSES T. Z. PAPA (estudante) - Londrina
3324-5799

mockup