CARTAS
A guerra que não conheço
Guerra é uma palavra que não faz parte de meu vocabulário, pois sintetiza violência, maldade, prepotência, dominação, a fraqueza da racionalidade humana pendendo para a irracionalidade. Dentro da experiência de vida que tenho, em nenhum momento presenciei um conflito armado nos níveis das forças anglo-americanas x Iraque. Acompanhando pela imprensa, vejo imagens estarrecedoras, cruéis, mas o pior não pode ser mostrado devido à convenção de Genebra é o efeito catastrófico da guerra: são seres humanos mortos aos montes, empilhados, espedaçados e espalhados como se fossem lixo. E os feridos então, mutilados, aleijados, seres humanos que terão sequelas por toda a vida.
A grande maioria das pessoas mortas e feridas são civis, crianças, mulheres, idosos. Aí vem aquele discurso das baixas de ambos os lados dizendo que as perdas são um pouco maiores que as da Guerra do Golfo em 1991. Isso demonstra o sentido exato de um conflito armado e suas consequências, em que um mais forte tudo pode enquanto um mais fraco defende-se como pode, até de estilingue se possível.
YOCHIHARU OUTUKI (agrônomo) -Itambaracá
Empregos e violência
Um repórter do Rio perguntou a uma mulher: 'O que a senhora acha da guerra?' Ela respondeu: 'Horrível, só em Belo Horizonte em uma noite mataram 24 pessoas, aqui no Rio nem sei quantas pessoas morreram. Sei que interditaram a Avenida Brasil, queimaram ônibus, automóveis, metralharam lojas, bancos, enfim uma guerra.'
Sabemos que se não houver empregos para jovens entre 16 e 18 anos esta guerra tende a aumentar e muito. Nosso presidente tem como prioridade a geração de empregos, nosso governador reduziu impostos em troca de empregos. Resta agora os municípios unirem-se aos empresários e sindicatos. Uma medida seria liberar o horário do comércio. Com isto, automaticamente, geraríamos mais empregos pois sabemos que é conveniente ao empregador contratar outro empregado do que que pagar 50% em horas extras. Este contratado seria um a menos nas ruas e cadeias que já estão lotadas.
SINÉZIO SCUDELER (administrador de empresas) - Londrina
Guerra
Creio que o mundo inteiro está acompanhando o desenrolar da guerra no Iraque. Muitos por interesses econômicos e outros pela curiosidade dos acontecimentos. A falta de informações precisas nos causam ansiedade. Todos querem saber com detalhes o desenrolar da guerra, mas as notícias que chegam nem sempre são confiáveis. Por exemplo, a pergunta que se faz no momento, é onde está Saddan Hussein? Será que está morto ou fugiu para outro país? Estaria ele encurralado em um daqueles subterrâneos construídos à prova de bombas, ou estaria camufladamente em uma residência qualquer do seu país? Assim como Osama Bin Laden, Saddan nunca será encontrado? Penso que há muitas verdades que não podem ser reveladas, por questões estratégicas. O mistério que envolve tudo isso passará para a história, e certamente será descrito com maiores detalhes.
ANTÔNIO PEREIRA - Londrina
Governo esclarece
Em relação à carta publicada na Folha, dia 14 de abril, de autoria do agricultor Domingos Sankithi Watanabe, de Ubiratã (PR), sob o título ''Invasão de terras'', a Comissão Especial de Mediação das Questões da Terra do Governo do Paraná tem a informar o que se segue:
De acordo com o decreto nº 494/2003, o objetivo da comissão é o estudo e o levantamento de situações que envolvam requisições judiciais de força policial para cumprimento de mandados de reintegração de posse de áreas que foram ocupadas com características de movimentos sociais de reivindicação pela propriedade, promovendo esforços para encontrar soluções pacíficas destinadas a afastar a possibilidade de distúrbios sociais.
A comissão deverá apresentar um relatório ao juízo requisitante e ao governador do Estado, contendo as medidas mais adequadas a serem tomadas em cada caso. Portanto, informa o major Mauro Pirolo, vice-presidente da comissão, em momento algum, em suas visitas, a comissão tem a preocupação, ou a intenção de adquirir terras. Até porque o governo do Estado tampouco possui terras para esse fim, ou mesmo recursos para tanto.
Porém, a comissão conta com a colaboração de entidades, de sociedades rurais, de proprietários e do próprio Incra para tentar amenizar e até exaurir a eventual ocorrência de conflitos locais.
Em relação à área visitada em Campina da Lagoa, a fazenda São José, a comissão relatou que a área já se encontra com mandado de reintegração de posse, e o proprietário, desde o primeiro momento, nunca teve a intenção de vendê-la. E nem o Incra poderia comprá-la, em razão dos impedimentos legais atualmente verificados. Não obstante, continua sendo procurada uma solução pacífica e ordeira para a ocupação da área em questão.
SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO PARANÁ - Curitiba





