CARTAS
Parabéns Codel
Muito me estranha a controvérsia em torno da mudança de endereço da Codel. Não seria este o órgão público responsável por trazer novos investimentos e empresas para Londrina? Não seria este órgão o responsável por vender a imagem da cidade? Acho que estão confundindo prédio de luxo com prédio de vanguarda. Londrina sempre foi vista como uma cidade pioneira em tecnologias e qualidade de serviços.
Retornei a Londrina há pouco mais de 8 meses, depois de ficar fora por seis anos, e como pretendia montar uma empresa trazendo mais uma inovação de serviços para a cidade, fui à sede da Codel. Fiquei extremamente decepcionado com o que vi. Um órgão que deveria vender a imagem da cidade e que não sabe vender a sua própria imagem. Fotos ultrapassadas nas paredes, divisórias de compensado, mobiliário que parece ter saído de um filme dos anos 70.
Me parece que estas pessoas, que são contra a mudança de endereço deste órgão, são pessoas que têm interesse em que nossa cidade fique relegada a segundo plano em favor de interesses próprios.
Estou torcendo para que a Codel com a atual diretoria faça o que as outras não fizeram: tragam para Londrina empresas captalizadas para dar novo ritmo a já tão abalada economia de nossa cidade.
FREDERICO ARNALDO DE QUEIROZ E SILVA JUNIOR (corretor de imóveis) - Londrina
O juiz e o menino
Um juiz é assassinado com requintes cruéis e desperta a indignação maciça da sociedade. Um menino de apenas 12 anos tem o mesmo fim em Londrina, antes dele uma menina de 14 anos, mas nenhuma manifestação se assistiu ou se ouviu lamentando a trágica interrupção da infância abandonada.
Quem matou o pequeno Silvano? Quem irá, como estão fazendo com a morte do juiz, lutar para que leis se modifiquem para que outras crianças não resvalem para esse caminho? O juiz, de conduta ilibada, era estimado por todos, sua história todos conheciam. Já Silvano, dele pouco sabemos, a não ser que era muito pobre, que não frequentava escola, que a família não o controlava e que entrou para a criminalidade antes dos dez anos praticando roubos para manter o vício das drogas.
Todos somos culpados pela sua morte, óbvio que o assassino direto foi quem proferiu as intermitentes pancadas em seu frágil e desnutrido corpo. Outros culpados podem ser as pessoas próximas a ele que não conseguiram, por vários motivos, convencerem-no de que há alternativas mais interessantes do que a criminalidade. Outros autores são todos aqueles que de alguma forma contribuíram para que a violência chegasse a níveis insuportáveis, possibilitando que não só a morte do juiz ocorresse, mas também a do pequeno Silvano e que muitas outras ficassem impunes. Quando um juiz é assassinado, morre a lei, morre a noção de justiça, morre o estado de direito. Quando um cidadão, como Silvano e outros são mortos, todos morremos um pouco.
FRANCISCA VERGINIO SOARES (socióloga) - Londrina
Magistrados
Tenho acompanhado, como leitora da Folha, a polêmica acerca das punições mais severas aos crimes cometidos contra magistrados, policiais, parlamentares e promotores. Compreendo o repúdio da Associação dos Magistrados do Paraná à carta do leitor Carlos Alberto Salgado, mas o que ele escreveu apenas traduz o sentimento de milhões de cidadãos, que não vêem o mesmo empenho dos nossos líderes, quer sejam do Legislativo, do Judiciário ou do Executivo, para coibir e punir os crimes cometidos contra nós. Ao contrário, assistimos a um ''jogo de empurra'' irresponsável, protagonizado por aqueles que têm por obrigação a defesa da população. Neste ''jogo'' os perdedores somos sempre nós, os pagadores de impostos e de salários do funcionalismo.
É evidente que muitos destes líderes cumprem adequadamente suas funções. E estão depositadas neles a nossa última esperança. Que ajam contra seus indignos pares, como aquele juiz denunciado pela Folha de S.Paulo que, com a ajuda do filho advogado, dava sentenças favoráveis a integrantes do grupo de Fernandinho Beira-Mar. Ninguém fica feliz diante de um assassinato, quer seja de um juiz, de um promotor ou de um morador da favela João Turquino em Londrina. Afinal, somos todos iguais perante a lei. Ou não?
MÁRCIA GUIMARÃES (professora) - Londrina





