CARTAS
Ditadura de políticos
Esta questão das multas dos carros oficiais da Assembléia Legislativa do Estado vem apenas confirmar que os políticos, após se elegerem, vivem a dar ''carteiradas'' por onde passam. Acham que seus carros podem estacionar em qualquer lugar, e ainda culpam seus motoristas pelo desrespeito. O cidadão comum, mesmo quando infringe as leis do trânsito inadvertidamente, é multado sem piedade e tem ainda a penalização dos pontos em sua carteira, o que não ocorre com veículos de empresas ou oficiais. O mesmo se dá com o uso do telefone celular. Recentemente presenciei um deputado federal paranaense (reeleito nas últimas eleições) utilizar descaradamente seu celular em zona proibida do aeroporto de Congonhas e no de Curitiba. No Brasil, a democracia se transformou na ditadura dos políticos.
AFONSO ROQUE WELTER (economista) - Londrina
Assoreamento do Igapó
Em recente entrevista concedida a este jornal, o prefeito Nedson Micheletti declarou ter finalmente conseguido criar um caixa suficiente para início das obras de desassoreamento do Lago Igapó. Considerando a ''herança maldita'' alegadamente recebida por seu partido, pode-se concluir que este está muito bem assessorado pelo experiente secretário de Fazenda, dr. Rubens Menolli. Sua assessoria jurídica, no entanto, deixa a desejar.
É de conhecimento público, e até as garças do lago sabem, que quem dá causa ao constante assoreamento do lago é a Sanepar. Ora quem polui e assoreia que despolua e desassoreie.
Bastaria para tanto uma medida judicial, de certa simplicidade, consistente em uma obrigação de fazer, na qual, comprovado o nexo de causalidade por perícia técnica, se cominasse multa diária à concessionária de água e esgotos, até que esta iniciasse os serviços de dragagem do lago.
Paralelo à assessoria jurídica municipal, também o Ministério Público e associações do meio ambiente (Ongs), têm esta legitimação, contando para esse fim com o poderoso instrumento da Ação Civil Pública. Roga-se que estas entidades cumpram suas funções e exercitem suas prerrogativas legais, imputando esta responsabilidade à Sanepar, sob pena de assistirmos dinheiro municipal ser gasto em favorecimento do verdadeiro responsável.
WALID KAUSS (imobiliarista) - Londrina
A guerra
Ao amanhecer de mais um dia, percebo que mundo maravilhoso Deus preparou para nós. Entristeço-me só em pensar que nenhuma retribuição nós lhe damos. Vivemos numa total indiferença; estamos sempre em conflitos. É tanta inveja, egoísmo, individualismo que, às vezes, ficamos assustados.
Ao ligar a TV, esta anunciava que havia começado o grande conflito entre Iraque e Estados Unidos. Mais uma vez, a triste realidade: o homem não merece as maravilhas que recebeu do Ser Maior. Quantas pessoas inocentes estão morrendo neste momento, vítimas de seres prepotentes e ambiciosos que querem mostrar ao mundo seu poder.
Tenho pena desses homens que se julgam donos do mundo e usam seus instintos animalescos como verdadeiros arsenais de guerra. Será que um dia eles pararam para observar o céu durante a noite, o amanhecer de um novo dia, enxergaram as pessoas como ''gente'', que eles são apenas mais um igual a todos? O dia que eles perceberem isso, tenho certeza, tornar-se-ão grandes homens para conduzir belas nações.
VERA LÚCIA GARCIA GRANDE (professora) - Marialva
Execução sumária
Quando se fala que existe um governo paralelo ninguém acredita. Mas afinal o que fazer na área da segurança que reflita em resultados práticos e imediatos? A medida é simples. Em primeiro lugar deve-se acabar com o Código de Execuções e retirar do texto Constitucional que preso não pode fazer trabalho escravo. Mas seria um acinte, exclamariam os guardiões dos direitos humanos.
Não existe nada de nebuloso nestas medidas. Não sei qual é o acinte maior dos direitos rasgados, violados, estuprados, assassinados e roubados de cidadãos de bem e de autoridades também coagidas, assassinadas e corrompidas por verdadeiros exércitos de bandidos ou pelo simples fato de que não gozariam mais de celulares, visitas regulares de advogados sem a menor ética, de penas cumpridas integralmente, sem benefício de qualquer espécie, ou seja, restituir a sociedade pelo menos o mínimo que dela foi retirado, construindo estrada, escolas e plantando para sua própria subsistência, com vigilância armada e grilhões nos pés. Afinal preso é preso. Moleza só para quem trabalha no cabo da enxada de sol a sol, na marmita um pouco de arroz frio e, talvez, um ovo frito, única refeição de um dia de trabalho e faz a nação caminhar.
ADOLFO ROSEVICS FILHO (investigador de Polícia) - Curitiba





