Educação e cotas
Muito feliz o artigo ''Para onde caminha a educação?'' do professor Gilberto Jordão, publicado na Folha, no último dia 26, referindo-se às cotas de vagas universitárias para negros e índios. Faço eco aos argumentos do professor. Na ânsia de resolver problemas sociais, adotam-se ''soluções'' equivocadas e reforçam-se preconceitos. Pior: criam-se estigmas que poderão dar causa a consequências frustrantes no futuro, ou seja, poderão patrocinar o insucesso profissional aos, hoje, aparentemente protegidos.
Sem nos aprofundar na questão da injustiça cometida contra alunos com nota maior que perdem a vaga para se atender às cotas; sem alimentar debates quanto a implicâncias para com o direito constitucional, analisemos o que poderá acontecer com o estudante negro ou índio, quando, já formado, tiver que disputar seus clientes com os demais profissionais da área. Haverá também aí uma lei para obrigar que uma cota de clientes procure o profissional negro ou índio? Será que a população depositará nesses profissionais idêntica confiança à dos seus concorrentes no mercado, sabendo que ingressaram na universidade, graças às cotas, mesmo tendo notas inferiores, portanto, menos preparados?
É preciso dar um basta à discriminação, principalmente a esta que está sendo institucionalizada pelo poder público. Cotas? Concordo sim! Que as escolas particulares de 1º e 2º graus e, principalmente os tais cursinhos preparatórios ao vestibular, sejam obrigados a destinar cotas de bolsas (com ou sem a ajuda do governo) a alunos pobres, indistintamente de cor ou raça.
JOSÉ PETRI (professor) Ibiporã
Programa de mau gosto
Absurdo como nosso povo faz papel de idiota. Dia 27/02, assistindo ao programa da Luciana Gimenez (RedeTV), surgiu uma pergunta para o público do auditório: o que eles fariam para conseguir estar juntos com os seus fãs Chitãozinho e Xororó? Os fãs responderam que fariam tudo o que fosse necessário, sem limite. Um absurdo! Estas pessoas não devem conhecer a verdade da Bíblia Sagrada e seus mandamentos, entre eles ''Amar a Deus sobre todas as coisas'' e somente a Ele, Deus, devemos nos curvar. Um abuso da emissora de TV fazer tal proposta para que os seres humanos comessem baratas e minhocas.
Considerei um despreparo inconscientemente ignorante da dupla de cantores que muito gosto, mas errou em admitir tal desrespeito para com seus fãs. Pior que os alucinados, nojentos e, talvez, até famintos aceitaram o cardápio. Tempos atrás no programa ''No Limite'' da Rede Globo, vimos os desafiantes comerem insetos e outros escrementos. Lamentavelmente quanto mais conheço os humanos, mais admiro os animais.
OSMAEL CHIAVELLI PUGA Apucarana
Novo código civil
Milhares de anos após os primeiros códigos que vislumbraram estabelecer um comportamento moral entre as pessoas, nasce no Brasil um Código Civil que trata homens e mulheres como iguais. Um extraterrestre (daqueles bem evoluídos) iria se divertir muito em ver o homo sapiens se vangloriando de seus avanços tecnológicos, porém enterrados em conceitos de diferenciação da espécie pela cor ou pelo sexo. Quando vemos um animal (um felino por exemplo), em regra tanto faz ser um gato ou uma gata. Vemos ele como um felino que mia, solta pêlos e acaricia nossas pernas. Não tratamos uma gata como sendo inferior a um gato, dando tarefas ou ensinamentos de submissão. Muito menos se o gato preto deve comer rações piores que a servidas aos gatos brancos. Para nós todos são gatos. Já entre nós seres humanos, durante milhares de anos, decidimos escravizar ou submeter outros seres humanos pela simples cor ou sexo. Mais da metade do mundo ainda faz isso. Se me perguntassem para sintetizar o maior avanço do novo Código Civil Brasileiro, em vigor desde 11 de janeiro último, resumiria que foi tratar as pessoas como pessoas. Patético não?
JOSELITO TANIOS HAJJAR (estudante de Direito) Londrina

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