CARTAS
Mudança de sentido
Eu, na qualidade de morador há 20 anos do loteamento Jardim Nova Londres e estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da UEL, me senti profundamente desrespeitado com a postura assumida pelos órgãos públicos competentes na alteração do sentido viário da Rua Sagrado Coração. Tal procedimento fere os princípios e a ética profissional que consiste em privilegiar o ser humano (usuário) e a verdadeira comunidade que utiliza o espaço público, que de fato deveria pertencer a todos, inclusive na tomada de decisões. Desrespeitaram moradores e toda uma comunidade, cidadãos londrinenses, que não foram se quer consultados para a aprovação e execução de tal medida, bem como esclarecidos de suas alterações, gerando confusões e acidentes neste final de semana em função de informações precárias. De acordo com a idéia de bem comum, e como comprova a história, é que os problemas jamais serão solucionados quando impostos, gerando assim outros conflitos. Outra vez se repete a história dos doutores do Sinédrio, em que para assegurar o ''bem de todos'' é necessário que alguém seja sacrificado! Acredito que todos nós vivemos em um país democrático, mas que ainda precisa compreender o real significado de ''democracia''.
MARCO AURÉLIO COSTA CARLOTTO, estudante, Londrina
Filhos do Carnaval
Maternidades cheias. Adolescentes dando à luz aos filhos do Carnaval, filhos da inconsequência, não planejados e, na maioria das vezes, não conhecerão os pais. Crianças que não têm culpa de nada, só querem nascer, ver o mundo e viver. Talvez cobrando de você menina a presença do pai, do amor, do carinho e você, quase uma criança também, não sabe o que fazer. Talvez você esteja achando este papo careta, mas pare e pense, apenas um minuto: filhos é a realização de toda mulher, já nascemos com instinto maternal; ser mãe é uma dádiva de Deus. Mas não pule etapas de sua vida, tudo tem seu tempo certo; estude, divirta-se, viaje, namore, curta a vida com responsabilidade. Quando for sair para brincar no Carnaval olhe-se no espelho e veja o quanto você é jovem, bonita e livre. Se você vacilar, talvez no próximo Carnaval você ficará em casa cuidando do seu bebê. Se você considera-se madura o bastante para transar, não se esqueça da camisinha, ela vai te proteger da gravidez indesejada e de várias doenças. Ame a vida e, principalmente, ame-se! Bom Carnaval!
HELENA ROSA, copeira, Londrina
Fome de dormir (1)
Sou londrinense e me sinto no direito de pedir ajuda para alguém sobre o que esta acontecendo. Nas madrugadas de quarta a domingo não durmo. O motivo não é insônia. Tenho um bom quarto, uma ótima cama, mas isso não adianta de nada se tenho como vizinho uma casa noturna, localizada pertinho, na Rua Paraíba. Minha família e mais algumas dezenas de vizinhos não aguentamos mais. Vocês querem saber o motivo da nossas agonia? Barulho insuportável das músicas que escapam pelo ''acústico'', o exaustor que mais parece uma turbina de jato e, para encerrar a noite, a casa fecha e os funcionários entram em cena. Estravazam com gritos, palavras obcenas e buzinas o trabalho a semana toda. Acho que mereço um descanso. Orgãos competentes nos ajude, e ajude o proprietário a descobrir a falha do acústico. A lei do silêncio deve ser cumprida.
ELIEL LOPES DE FREITAS, enfermeiro do trabalho, Londrina.
Fome de dormir (2)
A vigência do novo Código Civil reforça a silenciosa luta contra a poluição sonora e os ruídos urbanos que ocorrem a céu aberto. A preocupação é tão séria quanto o programa de combate à fome do Lula. Os diuturnos ruídos automotivos que perturbam o sossego dos moradores da Silva Jardim, Conselheiro Laurindo (onde moro), no interior, na praia e na ilha precisam ser coibidos. Defensores e beneficiários da indústria da poluição sonora proclamam, em tom de brincadeira e má fé, que os incomodados deveriam migrar para lugares silenciosos. Tem gente com fome de dormir, mas não consegue por causa dos ruídos excessivos e persistentes patrocinados pelos barulhentos. O barulho e sua apologia constituem ato infracional. O artigo 1.277 do novo Código Civil avisa: ''O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha''. Cumpra-se o Código, o Estatuto da Cidade e a Lei Municipal que coíbem a prática criminosa dos ruídos urbanos. Que as autoridades (promotorias, secretarias Estadual e Municipal de Meio Ambiente, polícias Florestal, Civil e Militar, delegados, prefeito e a vereança) cumpram com a sua parte. Defender o meio ambiente sustentável, sem ruídos, é requisito pétreo à qualidade de vida.
JOSÉ FIORI, jornalista, Curitiba





