O homem e a égua
Há alguns anos esta questão veio à minha mente. Após intensa pesquisa percebi que o homem tinha o andar ereto, podia olhar para o céu, contemplar as estrelas e tinha capacidades incríveis: vontade e inteligência. A égua por sua vez, tinha uma vontade condicionada e não podia pensar sobre si mesma, não podia indagar-se sobre o sentido de sua vida, não podia procurar o bem comum junto com outras éguas. Percebi que o homem podia exercer sua liberdade de formas fantásticas: fazer amizades, criar oportunidades de crescimento pessoal, pintar e esculpir belíssimas obras, interpretar grandes poemas, escrever bons livros, escutar músicas e assistir filmes que refletissem a tão falada ''dignidade humana''.
Porém, nas últimas semanas, comecei a ter dúvidas sobre estas conclusões. Vi e ouvi fenômenos que me causaram um grande susto e preocupação. Os sentidos pareciam que queriam enganar-me! Os homens julguei que o fossem pareciam éguas. Dançavam, saltitavam, cantavam um ritmo frenético. Alguns, até relinchavam e batiam os cascos, enquanto outros, fazendo coro, entoavam o tal hino equino. Esfreguei os olhos, aproximei o ouvido para apurar os sentidos e tirei minha conclusão: aqueles entes realmente não eram homens. Estou envolvido agora numa outra questão: Por que o homem, tendo capacidade para tão grandes feitos, quer abrir mão disto tudo e transformar-se em uma égua?
CASSIUS MARCEL SCHIOCHET - Curitiba
Conto do bilhete
É realmente entristecedor depararmos com a realidade nacional e meramente acharmos que coincide com a inocência e a necessidade de se obter em meio às dificuldades a mais almejada ''estabilidade financeira''. Muitos porém, encontram possibilidades através de seu estilo de vida, escolaridade, oportunidade profissional entre outros, sempre confiantes no ditado popular que ''tudo acontece no tempo certo''. Mas é certamente inevitável conformar-se ao encontrar nas páginas de nosso jornal reportagem que diz respeito à mulher que caiu no conto do bilhete premiado esta semana, chegando ao ponto de achar que teria tudo, mas não conquistou nada. Isso lembra o reflexo de nossa economia política e social. Planos, projetos e até apoio ao Fome Zero. Por quantas vezes passamos por nosso conto particular? Inocência à parte e confiança no nosso governo que nos faz indagar e temer, mas com expectativa de dizer que valeu à pena confiar no ''bilhete nacional'' chamado voto.
ALEXANDRE SALVIANO DE SOUZA (estudante) - Londrina
A prisão que vivemos
Vivemos em uma cidade que não nos permite possuir aparelhos de toca CD em nossos carros. É impressionante quando em qualquer conversa sobre o assunto de furtos de toca CD todos já passaram ou conhecem pessoas que já tiveram o mesmo problema de terem seus veículos arrombados, os vidros quebrados ou as portas amassadas. Em todos os casos o ''nosso'' efetivo policial trata do assunto como se fosse a coisa mais natural do mundo. A única maneira de coibirmos esta onda de assaltos é acabarmos com os receptadores. Não podemos possuir nenhum tipo de conforto conquistado com os frutos de nosso trabalho. Nós, cidadãos, que pagamos todos os impostos que nos são ''impostos'' vivemos prisioneiros em nossas residências. Até quando a sociedade vai aceitar essa onda de crimes, já que a Polícia não tem condições de patrulhar as ruas?
RICARDO PENHALBER CAETANO (bancário) - Londrina
Promotoria responde
Caro Whidger Lourenço Ferreira, apenas ontem tomei conhecimento de seu, podemos dizer assim, ''desabafo'', na coluna do leitor publicada na Folha dia 16/02, onde faz referências dirigidas à Promotoria da Infância e Juventude de Londrina, da qual sou a Promotora de Justiça Titular. Gostaria de convidá-lo a conhecer a Promotoria da Infância e Juventude, inclusive para, querendo, fazer um estágio voluntário e ter conhecimento de causa e poder expressar uma opinião. Penso que qualquer pessoa para poder criticar o Estatuto da Criança e do Adolescente deve (tem obrigação de) conhecê-lo, porque ficar repetindo chavões e idéias preconceituosas e preconcebidas, sem ao menos ter lido (e isso só, não basta), não vai ajudar a diminuir a estado intolerável de violência que hoje nos oprime.
Caso o leitor não tenha habilidade para poder estagiar na Promotoria, pode também, já que demonstra preocupado com a situação, ser voluntário em alguma das instituições de Londrina que trabalham com crianças e adolescentes em situação de risco, porque aí sim, estará cumprindo seu papel de cidadão.
ÉDINA MARIA SILVA DE PAULA (Promotora de Justiça da Infância e Juventude de Londrina)
Correção
- Diferentemente do que informou ontem título da matéria da página 4, de Política, o prefeito que está sendo investigado pelo Ministério Público do Paraná é Jaime Higino (PSL), da cidade de Figueira. Não há denúncia contra o prefeito de Curiúva, Tobias Souza Oliveira.

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