Chocolate e sexo
Li o artigo de Mário Eugênio Saturno, do domingo último, e espantei-me com seu posicionamento extremamente moralista. Ele fala dos benefícios à saúde obtidos no consumo do chocolate, do vinho e do café, enquanto passa a idéia de que a vivência do sexo está, obrigatoriamente, ligada a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e de que o sexo só deve ser praticado dentro do casamento e moderadamente. Considero lamentável esse posicionamento. É preciso esclarecer à população que o uso da camisinha, em todo contato sexual, assegura a proteção contra DST, incluindo a Aids.
O sexo vivido como um exercício de troca de amor, carinho e prazer entre as pessoas, acompanhado de respeito por si e pelo outro, está ligado à vida e à alegria e traz benefícios físicos e psicológicos. É uma atitude reprovável a disseminação de normas moralistas ''Sexo só dentro do casamento'' que não têm razão de ser, nos dias de hoje. É uma grande inverdade dizer que o sexo, em excesso, baixa as defesas do organismo. Quem deseja enfatizar o benefício de alguns hábitos, como beber vinho, por exemplo, quando tem bons argumentos, não precisa apoiar-se em depreciar um outro comportamento (como o sexo), do qual pouco sabe compreender a sua importância na vida do ser humano.
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ (psicóloga) - Londrina
Não há mocinhos
Ao que tudo indica, mais cedo ou mais tarde, haverá guerra entre os Estados Unidos e Iraque. De um lado, o ímpeto imperialista e intervencionista americano que, somado à ferida aberta em 11 de setembro e ao frágil Bush, resulta num grande risco para o mundo todo. Basta que os ''donos do mundo'' se sintam ameaçados ou mesmo diminuídos para saírem distribuindo bombas. De outro lado, um ditador iraquiano sanguinário que manipula o seu povo com um discurso populista de cunho religioso. Sabemos que quando as bombas se juntam ao discurso religioso o resultado é tragédia.
Ah, como eu gostaria que os EUA usassem o seu poder financeiro para resolver a fome no mundo ou para acabar com o narcotráfico.
Nos dois lados, a arrogância, o amor ao poder e um desejo mórbido de morte a todos aqueles que atrapalharem os seus planos. Quem é inocente? Não há inocentes. Quem ganha com a guerra? Uma meia dúzia de pessoas tranquilas nos seus escritórios com ar condicionado, milhares de quilômetros de onde o sangue jorra nos campos de batalha. Quem perde com a guerra? Todo mundo. Vença quem vencer o resultado será mais diferença, mais ódio, mais necessidade de vingança e mais sangue. Não há ''mocinhos''!
JÚLIO CESAR MOLIANI (vereador) - Bela Vista do Paraíso
Intransigência americana
E o mundo volta a falar em guerra outra vez. Agora é só uma questão de tempo para que os Estados Unidos possam pôr em prática seu plano para depor Saddam Hussein. O ataque trará consigo o símbolo de toda a estupidez embalada pela intransigência e a xenofobia. Logo após o infeliz atentado de 11 de setembro, quando George Bush jurou a seu país que dentro em breve mataria Bin Laden, Hussein sabia que cedo ou tarde sobraria para ele.
Os Estados Unidos, que deveriam intervir em favor da paz, apóiam a opressão. Bush precisa e irá depor Saddam Hussein. Primeiro porque não cumpriu a promessa de que mataria Bin Laden, e o ditador é o bode-expiatório. Segundo são as tão sonhadas jazidas de petróleo presentes no Iraque. Terceiro é o acerto de contas pessoal para dar fim à tarefa que seu pai fracassou.
Os EUA continuam a semear pelo mundo sua política intransigente, unilateral e oportunista. Ou as nações reconhecem a total hegemonia americana ou tomam algumas precauções para evitar que o mundo se torne um barril de pólvora à espera de que alguém acenda o pavio.
LUIZ BALBINO DA SILVA JÚNIOR (estudante) - Maringá
Fome e doenças
Entre as preocupações com a fome e a miséria nos países subdesenvolvidos, existe algo importante que não é colocado em evidência. É a questão das doenças endêmicas, que são pouco aparentes e cuja evolução é subclínica. Entre essas doenças enumeramos as de veiculação hídrica e as verminoses em geral (ascaridíase, anciolostomose, oxiurose, estrongiloidiase, as protozooses, como as amebíases, giardiases e outras). As doenças de veiculação hídrica tornam-se importantes pela própria natureza do elemento vetor: água de córrego, rio, mina, poço, cacimba ou cloro, ou por intermédio de verduras e legumes sem tratamento prévio com água não tratada com cloro. Entre as manifestações subclínicas, se sobressai a anemia consequente com dois fatores detonadores: a hipoproteinemia e a anemia. Resumindo, falta de comida mais infestação é igual a fome e miséria.
JOÃO DIAS AYRES (médico) - Londrina