Noite sombria
Quarta-feira passada, 22h. Uma noite cinzenta. Raios cruzam o céu londrinense. Saio da UEL, pego o meu carro, vou pela Goiás, rumo ao Aeroporto. Após o cruzamento da Higienópolis, flerto à direita e vejo, num restaurante conhecido, cerca de 20 pessoas ajoelhadas no chão com braços estendidos à frente. Não eram só os funcionários, havia também clientes. Meu Deus! Cidade de Deus! Um assalto?
Penso em retornar pela Pernambuco, mas para que confirmar? Considerei o risco de ser alvejado, mas do celular, ligo para Polícia. 190, atendimento imediato. Ouço um trovão, uma desorientação mental e passo a imaginar as inúmeras cenas de violência dos filmes policiais. Cruzo a São Paulo e lembro de um caso trágigo acontecido num restaurante paulistano. Atravesso a Rio de Janeiro e lembro do ônibus 174. Outro trovão. O que estaria se passando com aquela gente? Pensei no Carlos Camargo no dia seguinte e conclui que Londrina tem um índice de violência igual ao das grandes capitais.
Enquanto distanciava, uma patrulha vinha em sentido oposto, de encontro ao ''crime''. Qual era a retribuição dos policiais para encarar de peito aberto uma situação de risco real? São pagos para isto, mas quanto vale o risco? Já chegando ao Aeroporto, pensei em ligar no noticiário na expectativa de um plantão extra, mas recebi uma ligação de retorno do 190. O atendente agradeceu-me pela ligação e informou-me que se tratava de um grupo de religiosos agradecendo a Deus pelo belo dia.
Do relato ao feedback do policial durou cerca de 10 minutos. É cômico porque não foi trágico, por isto peço perdão a Deus por confudir tempo fechado com tempo ruim, vida com a mídia e Cidade de Deus com sua cidade; aos meus irmãos, por ter provocado o interropimento de suas orações ao som da sirene do patrulhamento, aos policiais por tê-los mobilizados equivocadamente. Afinal, os londrinenses podem rezar e levantar a mãos para os céus pela prontidão de seus policiais. Se pedir desculpas não é suficiente, agradeço a Deus por vocês e expresso meu muito obrigado.
FLADEMIR CANDIDO DA SILVA (advogado) - Londrina
PT e os coronéis
O que sobra na senadora Heloísa Helena falta em seu partido: princípio. Um partido que se diz de esquerda, elege senadores e deputados que sempre combateram as oligarquias, jamais poderia abrigar coronéis como Sarney, ACM e similares. Ela é a única voz do povo no Congresso. Se tentar abafá-la o PT repetirá os atos das ditaduras que tanto combateu.
TARCÍSIO MARTINS (professor aposentado) - Londrina
Cachoeira natural
Londrina sempre se orgulhou de mostrar ao Brasil o que tem de melhor, mas não imaginei que pudesse mostrar algo tão lindo quando da estréia do seu time de basquete no campeonato nacional. O Moringão, costumeiramente lotado, se rendeu às exigências do tempo, e pouco mais de 1.000 pagantes lá estiveram para assistir à estréia dos comandados pelo competente Ênio Vecchi, em partida que foi transmitida ao vivo pelo SporTV para todo o Brasil.
Estranhamos e sentimos falta da grife Sercomtel nos novos patrocínios nas camisetas. A Sercomtel e Londrina não se podem permitir o exdrúxulo de atuarem em separado são uma só identidade e a falta deste nome nas camisetas gerou sensação de perda e vazio, pois lembra a luta de toda uma comunidade de preservá-la como patrimônio local.
O ''espetáculo'' todavia estava por vir. Por uma das brechas da cobertura e laterais do ginásio, formou-se nada mais nada menos que uma cascata natural. Ainda bem que o SporTV não mostrou a tal cascata, mas não teve como se desviar da chuva e os pingos apareceram nas lentes para que todos vissem. Dentro da quadra jogadores escorregavam a todo momento.
Londrina merece esse descaso de ver exposta a chaga de um Moringão encharcado para todo Brasil? O Londrina Basquete deveria receber maior apoio das autoridades para formar uma equipe que tivesse à disposição craques que se revezassem sem queda da qualidade e força. Embora não culpados pelas chuvas pois seria ridículo esta acusação , as autoridades não esqueceram do trabalho amoroso e artesanal do prevenir? Nós, que gostamos do basquete, iremos com ou sem guarda-chuvas ou a presença das ''Niágaras ou Sete-Quedas'' Moringanescas.
LUIZ EDGARD BUENO (escritor) - Londrina
Correção
- Ao contrário do que foi publicado no primeiro parágrafo e na legenda da reportagem ''Para exercitar o talento'', na edição de ontem da Folha 2, a Escola Municipal de Dança de Londrina não está oferecendo curso de Street Dance. Os novos cursos da escola são alongamento, dança contemporânea, Vocal Dance e Técnica Release.
- Por uma falha técnica a reportagem ''Cúpulas das polícias Civil e Militar já estão definidas'', publicada na edição de ontem no Caderno Cidade, saiu sem o nome da repórter Telma Elorza, responsável pela matéria.

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